1 dia na Pampulha (ou como eu conheci o cartão-postal de Belo Horizonte)


Caminhar pela orla da lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, foi uma experiência importante para minha vida de turista: me mostrou o quanto estou sedentária, o quanto um planejamento prévio evita certas dores de cabeça desnecessárias e que, mesmo quando a Lei de Murphy resolve guiar a sua viagem… Ainda assim, vale a pena. Aos pouquinhos eu vou contando como foi o meu pequeno desastre roteiro, mas vamos começar do começo.

Vim (pra Pampulha), vi (muita coisa bonita) e venci (a dor e o cansaço): Pampulha, um roteiro memorável

O que é o Conjunto Arquitetônico da Pampulha

A Lagoa da Pampulha é o maior cartão postal da capital mineira – e, sem dúvida, seu potencial turístico é enorme. Criada artificialmente, foi encomendada pelo ex-presidente Juscelino Kubitscheck ao renomado arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer: construído entre os anos de 1942 e 1944, serviu como uma espécie de “rascunho” para o que seria o Plano Piloto de Brasília (a então nova capital do país). A visão futurista, as linhas curvas e as belas paisagens em ângulos amplos são marcas do projeto, que conta também com o paisagismo de Burle Marx e obras dos mais famosos artistas plásticos brasileiros.

As edificações do entorno, também assinadas por Niemeyer, formam o chamado Conjunto Arquitetônico da Pampulha (que foi nomeado Patrimônio Cultural da Humanidade em 2016). A Pampulha também é palco de importantes eventos, como a tradicional queima de fogos de ano-novo e a Volta Internacional da Pampulha (uma prova de atletismo internacional que ocorre desde 1999).

As quatro atrações espalhadas pelos 18 km de pista formam um roteiro explorável a pé, seguindo a orla da lagoa. Por toda a extensão do circuito, há placas informando sobre distâncias, trajetos e até de obras expostas na orla – o que ajuda na nossa localização. Mas fique atento: a distância entre as construções exige um bom planejamento para não rodar feito barata tonta como eu fiz evitar desgaste físico desnecessário, escolhendo o ponto de interesse mais próximo antes de começar o circuito.

Onde fica e como chegar

Referência na cidade, vários caminhos te levam até a Pampulha – ou até a Avenida Otacílio Negrão, que rodeia a lagoa. A proximidade de um terminal do MOVE (sistema de transporte urbano similar ao BRT do Rio de Janeiro) e do Aeroporto da Pampulha também facilita o acesso; porém o melhor jeito de seguir de um ponto a outro é a pé ou de carro (táxi/transporte executivo). Há linhas de ônibus que ligam o Centro a outro ponto da lagoa (mais perto da Igreja de São Francisco de Assis), e para quem pretende usar o transporte público, essa é a melhor opção.

*Primeira dica: tenha um aplicativo de transporte no seu celular

Apesar de ser um dos pontos turísticos mais famosos de Belo Horizonte, o entorno da lagoa é praticamente usado por pessoas dispostas a usar a pista de corrida para exercícios ou quem tem carro particular para circular pela região. Havia uma linha de ônibus turística que circundava o perímetro e deixava os visitantes nos principais pontos de interesse, mas (infelizmente) foi desativada. Táxis costumam circular bastante pela região, porém encontrar um que não esteja ocupado é mais difícil. Tampouco passei pelo local onde é possível locar bicicletas para fazer o trajeto, que ficou no lado que eu não explorei porque já não tinha mais pernas pra isso. Então, só restam duas opções: caminhar ou pegar corridas curtas de táxi de um lugar para o outro.

O problema, no meu caso, era que já tinha passado um dia inteiro caminhando por Inhotim e, bem, eu não estou muito em dia com as atividades físicas. Ainda assim, encarei a caminhada na ida – mas ao fim do dia, na volta do passeio, foi impossível não procurar um táxi para nos ajudar.

Casa do Baile - Pampulha

Interior da Casa de Baile, uma das atrações do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, foi minha primeira parada

Segunda dica: monte um trajeto e o siga rigorosamente

Meu trajeto inicial começava de um jeito, mas aprendi que o melhor é fazer o inverso quando eu comecei pelo meio. Confuso? Pois é, eu também fiquei bem confusa quando optei por usar o MOVE e saltar na estação Pampulha – que ficava no extremo oposto de onde eu desejava saltar. Acontece que ganhei tempo indo até lá por uma via expressa, mas tive que retornar um bom trecho para ficar mais perto de onde eu queria começar meu roteiro. Por fim, acabei saltando no meio do caminho, nas proximidades do Mineirão (que é ali pertinho da lagoa) e comecei pelo meio. Ou seja, mudar de ideia no meio do caminho pode não ser muito prático. Agora, de uma próxima vez que voltar lá, já tenho um roteiro mais acertado – que é o que vou indicar aqui pra vocês.

Quais pontos para ver

1) Museu de Arte

Recomendo que seja o primeiro local para chegar – é o ponto de interesse mais perto da Estação Pampulha do MOVE e do aeroporto; então chegar até o museu não é difícil. Como eu fiz o trajeto todo errado, esse era o ponto final do meu roteiro e acabou sendo minha segunda parada (e eu cheguei lá meio morta depois de andar muito!). O cansaço, porém, foi logo substituído pelo encantamento com o lugar.

Primeiro projeto criado para o Conjunto Arquitetônico, o Museu de Arte é tombado pelo IPHAN e tem cerca de 1500 obras em seu acervo permanente, expostos periodicamente ao público. No jardim, do lado de fora, tem um pequeno café, com algumas opções para um lanche rápido. Ao belo trabalho de paisagismo de Burle Marx foram incorporadas esculturas Ceschiatti, Zamoiski e José Pedrosa. A entrada é gratuita, exceto em casos de exposições temporárias (confira o calendário).

Achei o máximo a interessante estrutura interna, toda espelhada, – até a porta para o banheiro é camuflada! O espaço, porém, podia ser melhor explorado para exposições: havia pouca informação/direcionamento e duas exposições distintas se mesclavam sem ter quem nos orientasse (uma pena). Uma parte interessante é o auditório, uma sala circular pequena porém de uma acústica incrível, bastante apropriada para pequenas reuniões – e pensar que este lugar fora planejado para ser um cassino!

Endereço: Av. Otacílio Negrão de Lima, 16.585 – Pampulha, Belo Horizonte, MG, Brasil.
Horário: De terça a domingo, das 9 às 17h. Entrada Franca (exceto em algumas exposições temporárias)
Contato: map.fmc@pbh.gov.br – Tel: (31) 3277-7946

 

2) Casa do Baile

Inaugurada em 1943 como um local para danças populares, a Casa do Baile foi construída sobre uma pequena ilha artificial dentro da lagoa, que é ligado à orla por uma pequena ponte. Foi fechado junto com o Museu de Arte quando da proibição de cassinos no país, retornando à atividade como um restaurante até 1996. Hoje sedia o Centro de Referência em Arquitetura, Urbanismo e Design de Belo Horizonte, sendo um centro cultural bastante ativo e tendo um café super charmoso.

Foi a minha primeira parada, então há um carinho especial por esse pedacinho da Pampulha. O lugar é lindo e aconchegante, com uma vista privilegiada dos outros pontos turísticos (praticamente em frente, do outro lado do espelho d’água, fica o Museu de Artes; mais para a esquerda dá para ver a capela curial). Uma delicadeza que me deixou encantada nesse lugar foi o decalque utilizado nos vidros das janelas: uma representação artística das flores que enfeitam a borda interna, dando nome à elas e sem interferir demais na paisagem. É um bom lugar para a pausa do trajeto, onde se pode beber uma água, recuperar o fôlego e seguir em frente.

Endereço: Av. Otacílio Negrão de Lima, 751 – Pampulha, Belo Horizonte, MG, Brasil.
Horário: De terça a domingo, das 9 às 18h. Entrada Franca
Contato: cb.fmc@pbh.gov.br  Tel.: (31) 3277-7443

 

Capela Curial de São Francisco de Assis

Provavelmente é o mais famoso prédio da Pampulha e “o” cartão-postal de Belo Horizonte. As sinuosas linhas, marcas inconfundíveis do estilo de Niemeyer, completados por 14 painéis de Portinari (representando a Via Sacra), os baixos-relevos em bronze de Ceschiatti e o paisagismo de Burle Marx conferiram à Capela Curial de São Francisco de Assis (também chamada de Igreja de São Francisco de Assis ou até de Igreja da Pampulha) o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Infelizmente a capela está fechada à visitação, pois passa por um período de reformas e manutenção. Ainda assim, de fora é possível ver um pouquinho do interior: as grandes janelas que dão vista para a lagoa permitem ao visitante dar ao menos uma espiada lá dentro.

Capela São Francisco de Assis

No meu roteiro mal-ajambrado, essa acabou sendo o ponto final da minha jornada na Pampulha. A essa altura, a fome e a exaustão já dominavam inclusive o meu humor – e seu aprendi alguma coisa nessa vida, foi a respeitar os limites do meu corpo (principalmente em viagens!). Já havia passado e muito da hora do almoço, então não arrisquei ir mais longe: tudo o que eu queria era um banho e uma boa soneca. Era hora de voltar para o hotel e repousar os pés doloridos – até porque, ainda havia mais coisas a fazer no dia seguinte.

 

Endereço: Av. Otacílio Negrão de Lima, 3000 – Pampulha, Belo Horizonte, MG, Brasil.
Fechado temporariamente para reformas
Contato: igrejapampulha@ig.com.br   Tel.: (31) 4101-1174

 

O que eu não vi

Se eu continuasse o trajeto, poderia ir até a Casa de JK, e ainda passaria em frente ao Marco Zero da Pampulha, mas eu não tinha mais condições. No trajeto que fiz, acabei passando direto pelo Iate Clube (outro projeto do Conjunto Arquitetônico, que fica entre a Capela e a Casa de Baile) porque estava preocupada justamente com o tempo – mal havia começado minha caminhada, mas já previa que o exercício ia ser muito maior do que eu tinha imaginado. A média de tempo de caminhada entre uma atração e outra foi, em média, de meia hora – e segundo o Google Maps, uma volta completa leva em torno de 1h20 para contornar toda a lagoa. Some-se a isso o tempo para conhecer as construções e o corpo muito dolorido de tanto andar por dois dias seguidos…

No entorno existem ainda outras atrações que pretendo conhecer, como o Parque Guanabara (me disseram que lá é possível encontrar um bom almoço por um preço razoável, logicamente não deixarei de conferir essa informação), o Jardim Botânico de Belo Horizonte além do estádio Mineirão e o ginásio Mineirinho.

Mineirão e Mineirinho - Pampulha

À esquerda, o ginásio Mineirinho; à direita, o estádio Mineirão: na próxima, vocês não me escapam!

E foi assim, num trajeto cheio de percalços, que eu conheci a Pampulha. No lugar em si não houve problemas, mas o meu péssimo planejamento prévio é que me fez cansar antes da hora. Portanto, não me arrependo de forma alguma: aliás, aprendi que nem tudo precisa ser exatamente como planejamos para ser bom, ou memorável. A lagoa da Pampulha é um lugar realmente encantador e tem boas opções para todos os gostos – tem lugar para passear em segurança, jardim bonito para se tomar um café e ver a vida passar, museu de arte com entrada gratuita, igreja para renovar as energias dos que tem fé. É o tipo de passeio obrigatório e que acaba virando xodó, do tipo que a gente sempre faz de novo quando volta à cidade.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.