2 em 1: descobrindo o Centro de Belo Horizonte a pé


Quem acompanha o blog sabe que eu fui a Belo Horizonte e me encantei com os museus da cidade – como já mostrei aqui no post sobre o Museu de Artes e Ofícios – mas já que “nem só de museus viverão os turistas”, tenho duas dicas interessantes na manga para apresentar a vocês. Uma é especial para quem gosta de culinária e artesanato e a outra é para quem curte arquitetura. O melhor de tudo? Além de ser de graça, fica há uns 10 minutos de caminhada de um para o outro!

Mercado Central de Belo Horizonte

Mercado Central - Belo Horizonte/MG

Uma das entradas do Mercado Central, que ocupa um quarteirão inteiro do Centro de BH

Essa é quase uma obrigatoriedade nacional: se for visitar uma cidade e lá tiver um mercado desses, não deixe de conferir! No caso do mercado de BH, são mais de 400 lojas divididas em dois andares (fora o terceiro piso, que serve de estacionamento para os clientes). E ali tem de tudo mesmo: de loja de produtos animais a artesanato local, brinquedos para crianças e floriculturas, restaurantes e lojas de artigos religiosos. Ocupando um quarteirão inteiro, perto da praça Raul Soares – a entrada principal fica na Avenida Augusto de Lima, mas são 8 entradas no total.

Mercado Central - Belo Horizonte/MG

Encontrar um corredor vazio é quase um milagre!

O mais legal é a distribuição dessas lojas que, diferente de outros mercados que já visitei, se dispõem em ruas concêntricas – ou seja, os boxes se dividem em ruas “circulares” e vão formando anéis de fora para dentro. É como entrar em um labirinto, mas faz parte da divertida experiência (no site oficial tem um mapa interativo, onde dá para pesquisar por loja ou categoria). Lá é o local ideal para se comprar souvenires de viagem e os famosos – e deliciosos – doces e queijos mineiros. Opções para almoço não faltam:  tem para todos os gostos e bolsos.

Mercado Central - Belo Horizonte/MG

O espaço é tão grande e famoso que é possível fazer visitas guiadas para turistas e escolas (mediante agendamento), onde se explora melhor o interessante mapa do mercado e se conhece a história do lugar. A minha visita ocorreu na parte da tarde, então não pude fazer o tour guiado e aproveite para desbravar as ruelas ao acaso. Foi assim que peguei um elevador e fui parar no andar errado – lá no estacionamento – e me deparei com uma ala diferente: era o espaço do Cozinha Escola Mineiraria. Imagine ter aulas gratuitas de culinária com chefs renomados DENTRO do mercado? Pois é isso o que acontece lá! Basta se inscrever com antecedência. Eu disse que também é gratuito?

Mercado Central  – Av. Augusto de Lima, 744 – Centro, Belo Horizonte/MG

Horário: Segunda a sábado, das 7h às 18h. Domingos e feriados, das 7h às 13h. Entrada franca.

Posto de Informações turísticas: (31) 3277-4691/ email: informacoes@mercadocentral.com.br

Visitas guiadas: Segunda a sábado, das 9h às 13h. Guias bilíngues. Entrada gratuita. Agendamento prévio: (31) 3277-4691/ email: informacoes@mercadocentral.com.br.

Cozinha Escola Mineiraria:

informações e inscrições: email: cozinhamineiraria@mercadocentral.com.br; tel. (31) 3786-5747; ou no próprio espaço (no estacionamento do Mercado Central). 

Igreja de São José 

Igreja de São José - Belo Horizonte/MG

Depois da restauração, as cores originais estão de volta

Acho que não preciso dar mais nenhum motivo para incluir o Mercado Central na sua próxima viagem até Belo Horizonte, não é? Então, se você ainda tiver pernas para subir umas ladeiras, dá para esticar até a Rua dos Tupis para conhecer a magnífica Igreja de São José. Encrustada no coração da cidade, em meio a tantos prédios e avenidas movimentadas, a igreja passou por uma revitalização que a transformou completamente.

Construída no  início do século 20 pela congregação dos redentoristas, sua imponente arquitetura eclética tem claras influências neogóticas (e, arrisco dizer, mouriscas). As fotografias pré-revitalização mostram uma igreja imponente e dominada pelo branco da fachada, bastante fria e distante; mas o que se vê hoje é de tirar o fôlego. O exterior voltou a um tom de amarelo alegre com detalhes em laranja, vermelho escuro e azul que, de cara, causam uma certa estranheza – mas fazem sentido ao conversarem com os tons escuros da madeira e a explosão de cores na parte interna.

A quantidade de detalhes nas pinturas impressiona

O pintor alemão Guilherme Schumacher foi o responsável pela decoração do interior da igreja. As pinturas retratam a vida de Jesus, seus familiares e seguidores, além da passagem do tempo, sem deixar de revelar alguns costumes antigos (no altar, santos e santas estão pintados em lados diferentes – indicando a separação que havia entre os gêneros dentro da igreja) e conexões místicas (doze constelações, representando os doze signos do zodíaco, indicam que Jesus é o Senhor do Tempo). A quantidade de detalhes é absurda, e é meio inevitável a sensação de estar mergulhado em uma pintura. No site oficial tem um espaço para o tour virtual, onde é possível ver imagens em alta resolução.

A arquitetura neogótica ganha influências distintas no interior, sem perder a beleza

Uma visita real a essa igreja é, no mínimo, interessante: ver como ela se destaca hoje e imaginar o impacto que ela causava quando foi criada é um exercício de imaginação que, provavelmente a maioria dos que passam por ali fazem. Pode explorar à vontade (desde que não atrapalhe a celebração, se por acaso estiver acontecendo alguma), porque cada canto da igreja parece um mini-santuário particular: a planta em cruz latina permite setorizações desse tipo. E pensar que muita gente usa a igreja apenas como um atalho entre as ruas Rio de Janeiro e Espírito Santo…

Igreja de São José – Rua Tupis, 164 – Centro, Belo Horizonte/MG

Horário de funcionamento da secretaria: de Quarta a Segunda, das 6h às 20h; Terças, das 6h às 17h30. Maiores informações pelo telefone (31) 3273-2988 ou por email: psjsecretaria@gmail.com

 

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.