3 mulheres reais e suas viagens cinematográficas


Hoje é Dia Internacional da Mulher! E para comemorar, resolvemos listar três mulheres viajantes da vida real, cujas viagens foram tão incríveis que inspiraram livros e filmes. Quem sabe um dia as três blogueiras que aqui escrevem e algumas de nossas leitoras não entram para esta seleta lista de aventureiras?

Robyn Davidson – Uma jornada para toda a vida

Davidson na capa da National Geographic em 1978 e Mia Wasikowska em cena do filme de 2013

Em 1977, após dois anos trabalhando com camelos para aprender mais sobre os animais e conseguir adquirir alguns para si, Robyn Davidson, então com 27 anos, encarou a viagem que a tornou famosa. A australiana partiu de Alice Springs situada bem no meio do continente até o Oceano Índico através do Outback, o interior desértico australiano.

Acompanhada de quatro camelos – Dookie, Bub, Zleika e o filhote Goliath – e de seu cachorro preto, atravessou 2.700 quilômetros, deserto adentro praticamente sozinha. Davidson aceitou escrever sobre a viagem para a revista National Geographic em troca de patrocínio, o que lhe proporcionou visitas periódicas do fotógrafo Rick Smolan, além, é claro, de encontrar personagens curiosos no caminho. Confira no mapa a baixo a rota estimada de Davidson, segundo o Legendary Trips.

O artigo foi publicado em 1978, e o interesse foi tanto que ela decidiu escrever mais sobre a experiência. Tracks (Trilhas – A Incrível Jornada de Uma Mulher Pelo Deserto Australiano), foi o primeiro ganhador do Thomas Cook Travel Book Award em 1980, além de receber o Blind Society Award. Smolan também publicou sua parte da aventura no livro de fotos From Alice to Ocean, no início da década de 1990.

Já a adaptação para os cinemas chegou tarde. Apenas em 2013, o filme estrelado por Mia Wasikowska e Adam Driver chegou às telonas. Por algum motivo, que esta blogueira desconhece, Tracks – título original é pouco conhecido no Brasil.

Tracks: Rick Smolan (Adam Driver) e Robyn Davidson (Mia Wasikowska)

Davidson, que na época ganhou o apelido de The Camel Ladie (A Dama dos Camelos), continua viajando e escrevendo sobre suas aventuras por mais de 30 anos.

Cheryl Strayed – Livre

Em 1995, aos 26 anos, Cheryl Strayed sentiu que chegara ao fundo do poço. Seu casamento não dera certo, não tinha perspectivas profissionais e acabara de perder a mãe. Foi então que ela resolveu dar uma guinada na vida e encarar a Pacific Crest Trail, como caminho literal e figurativo para expurgar o passado.

Cheryl Strayed em 1995 (reprodução de http://www.cherylstrayed.com) e Reese Witherspoon no filme de 2014

Se você nuca ouviu falar, a Pacific Crest Trail (normalmente abreviada como PCT) é uma trilha que se estende de ponta a ponta dos Estados Unidos, da fronteira com o México até a do Canadá. Segue paralelamente ao Oceano Pacífico, pelos montes mais altos da Sierra Nevada e do Cascade Range. Tem um total de 4.260 km, e a elevação varia do nível do mar até aos 4.009 metros de altura.

Mas Cheryl fez apenas parte do caminho, saindo do Deserto de Mojave, através da Califórnia e do Oregon, até o estado de Washington. Não que isso equilibrasse a total falta de experiência da moça neste tipo de viagem. No mapa abaixo, a linha vermelha demarca toda a PCT, e os pontos simbolizam o início (na parte de baixo do mapa) e o fim da jornada de Strayed.

É a experiência e o crescimento pessoal desta jornada que ela conta em Livre – A Jornada de Uma Mulher Em Busca do Recomeço. Lançado apenas em 2012 – porque Cheryl só teve vontade de contar esta experiência em 2008 -, o livro logo virou best-seller, foi traduzido para mais de 30 idiomas e, claro, ganhou sua versão cinematográfica.

O filme Livre, estrelado e produzido por Reese Witherspoon, foi lançado em dezembro de 2014 (no Brasil chegou em janeiro do ano seguinte) e mostra as dificuldades encontradas pela aventureira ao longo da trilha, assim como os motivos que a levaram a esta viagem.

Reese como Cheryl em momento crítico da jornada

Strayed já escrevia antes de resolver compartilhar suas memórias e continua produzindo artigos, romances e memórias até hoje.

Elizabeth Gilbert – Comer Rezar e Amar

Calma! Nem toda viagem de autodescoberta e crescimento pessoal precisa ser feita a pé, em isolamento social, com muitos “perrengues”. Elizabeth Gilbert resolveu fazer o extremo oposto: decidiu viajar pelo mundo aproveitando o melhor que cada lugar tem a oferecer.

Aos 32 anos, após um divórcio de um casamento sem filhos e uma fracassada tentativa de novo relacionamento, Gilbert tirou um ano de sua vida para “exploração espiritual e pessoal”. Ela passou quatro meses na Itália comendo e aproveitando a vida, três na Índia em busca de sua espiritualidade e terminou a viagem em Bali, na Indonésia, à procura de equilíbrio. Curiosamente, a busca por equilíbrio resultou no encontro de um novo amor, um empresário brasileiro.

À esquerda, a autora Elizabeth Gilbert atualmente; à direita, Javier Bardem e Julia Robert em cena do filme

A viagem só foi possível graças a um adiantamento de duzentos mil dólares dos direitos do livro – sim, ela já saiu de casa pensando em escrever! Por isso, há quem diga que que sua viagem e posterior best-seller foi uma “decisão empresarial calculada”. Verdade ou não, seu livro de memórias, Comer, Rezar e Amar saiu em 2006 e ficou mais de 85 semanas entre os mais vendidos. Foi considerado um guia turístico e filosófico para mulheres durante primeira década deste século.

A adaptação homônima para os cinemas chegou em 2010. Traz Julia Roberts como protagonista, nas difíceis tarefas de comer, rezar e amar, necessariamente nesta ordem, para alcançar uma nova vida.

Gilbert continua escrevendo, e como seu romance é ponto chave em sua jornada vale mencionar: em 2016 a autora se separou do brasileiro que inspirou o Felipe (o nome dele não era esse, ele também não se parecia com Javier Bardem), depois de 12 anos juntos. Meses mais tarde, assumiu um relacionamento com sua melhor amiga. O que nos faz pensar que a jornada talvez precisasse de mais alguns verbos no título.

Julia Roberts: comer, rezar…. necessariamente nessa ordem!

Viajar, conhecer novas culturas, vencer montanhas, aproveitar o melhor do mundo e escrever sobre isso, aparentemente estamos no caminho certo. Só falta encontrar aquela aventura que vai mudar nossas vidas. Continue acompanhando o blog – com sorte, esta jornada não está muito longe!

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About Fabiane Bastos

Jornalista especializada em cultura, viciada em filmes, séries e livros não necessariamente nesta ordem. Adoraria poder visitar os mundos que só conhecemos pelas páginas e telas, ou chegar o mais próximo disso possível!

  • Carolina Belo

    Oi Fabiane!!! Muito bom o post! Eu não conhecia as histórias a fundo, mesmo sabendo que as duas últimas inspiraram filmes (que, inclusive, não consegui assistir ainda).
    Adorei! Parabéns!
    Abraços,
    Carolina

    • Fabiane Bastos

      Então corre para assistir e se inspirar Carolina! E obrigada 😉

  • KEUL FORTES

    Adorei! Excelente post. Não sabia das histórias tão profundamente. Que bom que você compartilhou conosco. Parabéns!

    • Fabiane Bastos

      Obrigada, espero que inspire mais viajantes 😉

  • Ana Clara Flores

    Que lindas as histórias que voce compartilhou. Eu sabia apenas da historia que inspirou comer rezar e amar! ótimo post! parabens!

    • Fabiane Bastos

      Que bom que gostou! 🙂

  • Luan Perez

    Experiências fantásticas, vou procurar os filmes para assistir e conhecer um pouco mais das Histórias .
    Excelente Artigo! Abraço!

    • Fabiane Bastos

      Obrigada! Não deixe de assistir mesmo 😉

  • Michela Borges Nunes

    Que post delicioso! Ver mulheres de coragem viajando e descobrindo esse mundão é muito legal e inspirador. Parabéns!

    • Fabiane Bastos

      Obrigada!

  • Catarina Leonardo

    Adorei ler este artigo. Conheço o filme Comer, orar e amar mas não fazia ideia de que poderia ser de uma história real. Também é interessante pensar que uma viagem serve muitas vezes para encontrarmos algum equilibrio emocional…

    • Fabiane Bastos

      Sim, essas viagens de auto-descoberta parecem ser a melhores, não é?!

  • A história da Robyn sempre me encantou. Acho uma história incrível, ainda mais na década de 70!!! Já imaginou?
    Não conhecia a Sheryl…achei bacana, mas acho ruim quando as mulheres tomam a iniciativa por causa da vida amorosa. Tanto ela quanto a Elizabeth acabaram viajando por terem acabado o casamento…. Espero que cada vez mais mulheres comecem a viajar por uma paixão genuína pela viagem, como a Robyn. <3

    • Fabiane Bastos

      Descobri que pouca gente conhecia a história de Robyn. E sim tomara que ada vez mais mulheres comecem a viajar por uma paixão genuína pela viagem. Mas, se o primeiro passo precisa ser uma desilusão amorosa…. que seja, desde que elas tirem algo maior disso!

  • Que legal essas histórias.
    E que homenagem perfeita ao Dia da Mulher. Me senti representada por essas mulheres incríveis!
    E me deu vontade de reler o Comer, rezar…

    • Fabiane Bastos

      Se te representou dou minha tarefa por cumprida! Grata pela visita 😉

  • Deisy Rodrigues

    Jornadas muitos inspiradoras, acho que só conhecia a Elizabeth Gilbert.

    • Fabiane Bastos

      Que bom poder te apresentar Rovyn e Sheryl então! Bjs

  • Fabiane Bastos

    É isso mesmo Raimundo. Os filmes não conseguem abordar todos os aspectos das vidas de seus biografados, mas acho um excelente ponto de partida para conhecermos estas pessoas e suas histórias. Pesquisar e descobrir mais fica por nossa conta. Obrigada pela visita!