5 passeios para se apaixonar pelo Deserto do Atacama, no Chile


O Atacama foi, para mim, uma das maiores surpresas que já tive em viagens. Já faz alguns anos, ele surgiu no meio de um roteiro concebido a oito mãos durante umas férias pelo Chile. Santiago era o ponto de partida do itinerário, que ainda incluía uma escapada para Valparaíso e Valle Nevado. Mas deserto? Não estava no topo das minhas prioridades. Foi sugestão das amigas, que acatei, mas sem levar tanta fé de que seria um dos lugares mais inesquecíveis que já visitei em todos os tempos.

A rotina lá é puxada, a começar pela brusca variação de temperatura, baixíssima à noite e de madrugada – quando parte a maioria dos passeios. Daí você sai agasalhada, com várias camadas de roupa que vai tirando ao longo do dia para suportar o calor e o suor das caminhadas. Mencionei a dificuldade na respiração com a altitude? Imagine para uma pessoa sedentária como eu. Mas nada disso vem à mente quando eu penso nessa viagem: de cara, eu lembro do ar puro, do céu mais azul (e também o mais estrelado) que eu já vi na vida, dos vulcões cobertos de neve, das lhamas, dos flamingos, da felicidade que eu sentia após cada passeio.

Fizemos nossa base na pequena San Pedro do Atacama para os tours, feitos com agências locais. Há outras opções além das mencionadas neste post (inclusive a combinação do deserto chileno com o Salar de Uyuni, na Bolívia, que hoje me arrependo de não ter incluído entre as alternativas). Portanto, vale a pena estudar bem o destino e as combinações que você pode fazer – tem passeio que sai cedinho pela manhã, outro à noite, outro de dia inteiro… Abaixo, segue um pouquinho do que vi (e senti) por lá. Espero que ajude a inspirar sua viagem e fazer você voltar tão apaixonado quanto eu voltei 🙂

Valle de la Luna e Valle de la Muerte

Valle de la Muerte

Valle de la Luna

Nosso primeiro tour por lá teve o que eu esperava de um deserto: muita areia e muita caminhada. Mas não imaginava que um ambiente assim tão árido pudesse ser tão bonito, com o contraste das dunas e das formações rochosas com o vulcão Licancabur ao fundo. O ar faltou em alguns momentos, em especial no segundo passeio do dia, o Valle de la Luna – foram necessárias muitas pausas para as fotos! Mas o pôr do sol compensou o esforço.

Laguna Cejar, Ojos del Salar e Laguna Tebinquinche

Laguna Cejar

Ojos del Salar

Laguna Tebinquinche

O segundo dia no Atacama foi cercado de… água! Eu juro que até coloquei o biquíni, mas na hora H faltou coragem de mergulhar na Laguna Cejar, que é tão salgada que não deixa ninguém afundar. Mas amarelei com a temperatura gelada. Já nos Ojos del Salar nem me arrisquei, porque não sei nadar e ainda tinha muita viagem pela frente 😛  A hora mágica foi à beira da Laguna Tebinquinche e seu incrível espelho d’água.

Gêiseres del Tatio

Acho que foi nesse dia que eu perguntei para o grupo: por que a gente não escolheu passar as férias no calor do Nordeste? Acordar de madrugada com temperaturas muito abaixo de zero, a 4.300m de altitude, era cruel para uma pessoa como eu, que não funciona de manhã e sofre com um ventinho mais gelado. O lance aqui é menos o visual e mais a experiência: depois de ver os gêiseres em ação, os mais corajosos ainda têm a opção de se banhar numas piscinas de águas termais. Não foi meu caso 🙂

Tour astronômico

Esse é um passeio que eu diria ser imperdível no Atacama. É impossível não se impressionar com o céu estrelado do deserto, mesmo a olho nu. Mas observar aquela beleza toda com as informações de um astrônomo e poder ver a lua assim, num telescópio (a foto acima foi feita com a minha câmera simplezinha, obviamente com auxílio do aparelho), é incrível. Vale encarar o frio, e o bom é que por ser um tour noturno dá para combinar com outro passeio mais curto durante o dia.

Salar de Atacama e Lagunas Altiplânicas

Laguna Chaxa

Laguna Miñiques

Laguna Miscanti

Eu acho que nunca passei tanto frio na vida quanto nessa madrugada. Não estou exagerando: eu tremia sem parar e hesitei em tirar as luvas para conseguir tirar fotos dos flamingos na Laguna Chaxa com medo de que meus dedos congelassem. Tive que esperar o café fazer efeito e o sol elevar um tiquinho a temperatura para conseguir realmente curtir. Mas tudo depois foi festa. Observar as aves foi divertido, mas o melhor ainda estava por vir.

Sabe um lugar que te transmite paz? Foi o que senti no caminho entre a Laguna Miñiques e a Laguna Miscanti – esta última, aliás, uma das paisagens mais lindas que meus olhos já viram na vida. Sério, é mais bonito do que você vê nas fotos e do que eu consigo descrever aqui. Ainda bem que o Atacama entrou no roteiro dessa viagem. E espero voltar qualquer dia 🙂

Já visitou esses lugares? Conta para a gente nos comentários o que achou. Se você ainda não considerou uma ida a esse destino, faça esse favor a si mesmo. Vai valer muito a pena!


About Giselle de Almeida

Carioca, jornalista, estudante de cinema, gauche na vida. Pareço legal, mas tento convencer os amigos a verem minhas séries favoritas