80 anos do Museu Nacional de Belas Artes


A informação a seguir provavelmente não é muito boa para nossa reputação blogueira, mas admitimos: foi por puro acaso que escolhemos visitar o Museu Nacional de Belas Artes às vésperas de seu octogésimo aniversário. Isso mesmo: o MNBA completa 80 dia 13 de janeiro de 2017, na próxima sexta-feira.

Panorâmica da fachada do museu

Por isso, vamos deixar nossa busca por locações de histórias incríveis de lado por um momento para falar um pouco da incrível história deste museu, que é ponto turístico obrigatório para visitantes e moradores do Rio de Janeiro. Claro, também vamos contar o que você pode ver por lá hoje em dia.

Um pouco de história

As primeiras peças da coleção, que um dia pertenceriam ao museu, foram trazidas por D. João VI de Portugal, em 1808. Anos mais tarde, a coleção reunida por Joachin Lebreton, que chefiou a chamada Missão Artística Francesa ampliou o acervo, que continuou crescendo ao longo dos séculos XIX e XX. Em 1908, com a construção da nova sede da Escola Nacional de Belas Artes (o endereço atual, na Avenida Rio Branco), estas obras passaram a ocupar parte do prédio.

Hall de entrada

O museu, no entanto, foi criado apenas em 1937 e aberto ao público no ano seguinte. Com o passar do tempo, a escola foi se modificando e acabou sendo incorporada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1976 todas as aulas foram transferidas para a Ilha do Fundão, e o acervo, dividido. A agora chamada “Escola de Belas Artes” ficaria apenas com as obras de cunho didático e o museu, com a maior parte da coleção e a sede.

O edifício de arquitetura eclética projetado em 1908 por Adolfo Morales de los Rios foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 24 de maio de 1973. E desde 2003 abriga o Museu Nacional de Belas Artes em sua totalidade.

Nos dias de hoje

Galeria de Arte Brasileira do século XIX

O museu possui a maior e mais importante coleção de arte brasileira do século XIX. Seu acervo tem cerca de setenta mil itens, entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, objetos, documentos e livros. Em outras palavras, obviamente não conseguimos ver todo o museu naquela tarde em que decidimos entrar por acaso e descobrimos um aniversariante oitentão. Em vez disso, nos concentramos na Galeria de Arte Brasileira do século XIX e na Galeria de Moldagens, ambas exposições do acervo permanente.

A coleção de Arte Brasileira do século XIX é a galeria de arte permanente mais antiga do Rio de Janeiro, e provavelmente a maior do país. Sozinha ocuparia seu dia inteiro facilmente, com 230 trabalhos, entre pinturas, esculturas, arte sobre papel e mobiliário. Muitos deles são marcos das artes plásticas que você cansou de ver em livros escolares, mas, ainda sim, vai ficar impactado com a magnitude das obras verdadeiras.

Primeira Missa no Brasil. Sim, você conhece dos seus livros de História

A galeria tem 2000m² e um pé direito de 8m. Só assim para abrigar obras como a Primeira Missa no Brasil (Vitor Meireles, 1860), aquela mesma que obrigatoriamente ilustrava seu livro de história no capítulo do descobrimento. Batalha dos Guararapes (1879), também de Meireles, e a Batalha do Avahy, de Pedro Américo (1872 / 1877), igualmente impressionam pela grandeza e pela riqueza de detalhes. Outras, como Cristo e a mulher adúltera, de Rodolfo Bernadelli (1888), chamam atenção pela sua dramaticidade. Mas eu poderia passar horas descrevendo cada uma das obras e nunca conseguir passar a sensação de vê-las de verdade. Logo, recomendo que as visite assim que puder, e enquanto isso confira algumas delas em nossa galeria no fim deste post.

Já as duas Galerias de Moldagens são aquelas que você provavelmente já viu em novelas, filmes e cartões-postais. Nelas estão mais de 150 obras em gesso moldadas sobre originais do período helenístico, romano, e do grego clássico. Para quem não ligou o período à arte, é possível admirar as formas da Vênus de Milo, o Apolo do Belvedere, Vitória de Samotrácia, entre outras obras famosas de museus de todo o mundo. A maioria das réplicas foi criada entre 1860 e 1928 na França e eram utilizadas como objeto de estudo para os alunos da Escola de Belas Artes.

Galeria de Moldagens

Os 80 anos

A comemoração das oito décadas da instituição prevê diversos projetos ao longo do ano. Entre eles, a abertura do Circuito de Arte Estrangeira; a adoção e revitalização da Rua Heitor de Mello; a reabertura de espaços de convivência, como a cafeteria e loja e a restauração das cúpulas que coroam o prédio do Museu.

Além do acervo permanente, o museu recebe exposições temporárias durante todo o ano. Para comemorar o 80° aniversário, nesta sexta (13/01) será inaugurado a mostra Grandjean de Montigny e Rio de Janeiro no século XIX – Planos e projetos de um arquiteto francês para uma metrópole em construção. Disponível até 13 de março.

Museu Nacional de Belas Artes
Avenida Rio Branco, 199 – Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ
Funcionamento: Terça a sexta-feira das 10 às 18h, Sábados, domingos e feriados das 13 às 18h
Ingressos: R$ 8 inteira, R$ 4 meia entrada. Ingresso família (para até quatro membros de uma mesma família) a R$ 8. Grátis aos domingos. Audioguias: R$ 8. Venda de ingressos e entrada de visitantes até 30 min antes do fechamento do museu.
Telefone: (21) 3299-0600 – http://mnba.gov.br/portal/

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About Fabiane Bastos

Jornalista especializada em cultura, viciada em filmes, séries e livros não necessariamente nesta ordem. Adoraria poder visitar os mundos que só conhecemos pelas páginas e telas, ou chegar o mais próximo disso possível!