A “nossa” CCXP 2017


Aqui no blog já demos as dicas, mostramos os melhores clicks, relatamos a experiência de estar na Comic Con genuinamente brasileira e passamos os últimos quatro dias “vivendo o épico” e compartilhando a nerdice em nossas redes sociais. Logo, nada mais justo que, com a convenção encerrada, a gente vá direto ao que interessa, e conte sem grandes rodeiros o melhor e o pior da edição 2017 da Comic Con Experience.

Painéis: foram o ponto fraco desta edição. Além dos cancelamentos em cima da hora, impossíveis de serem substituídos, o tamanho do auditório novamente não acompanhou o crescimento do público. Com praticamente o mesmo tamanho do ano anterior, e uma grande quantidade de assentos reservados para convidados, o Auditório Cinemark deixou muita gente de fora – mesmo aqueles que madrugaram no pavilhão.

Faltou também um formato de arquibancada em parte dos assentos, ou um palco e telas mais altos para torná-lo mais democrático. Também faltou equilíbrio na distribuição dos convidados: enquanto a mistura de popstars lotava o espaço, os painéis de nicho (especialmente quadrinhos) encontravam um monte de cadeiras vazias.

Auditório Cinemark

Estandes e brindes: este ano a brilhante ideia foi forçar “sugerir” que os participantes postassem fotos relacionadas com as atrações do estande usando hashtags específicas. O problema? Nem todas as operadoras de celular tem sinal no pavilhão, e é claro, a iniciativa exclui quem não tem acesso à internet em dispositivos móveis. Poucos ofereceram sinal de wifi para esse fim, mesmo sabendo que na feira não havia um sinal aberto geral, então ficou complicado cumprir com essas tarefas para conseguir os brindes.

As filas também assustaram, chegando a três horas nos dias mais vazios e até cinco (!) durante o fim de semana. Ao menos alguns deles realmente compensavam, como a garra humana para pescar balas Finni, ilustrações feitas na hora no estande da Turma da Mônica e o vídeo 360 graus cheio de efeitos de Game of Thrones na HBO.

Apesar das dificuldades, olha quanta coisa. E não está tudo aí!

Cosplays: novamente são a alegria da feira, mas este ano a presença deles ficou mais diluída em meio ao público “civil” grande demais para o pavilhão. Mesmo assim, a disponibilidade e principalmente paciência eram admiráveis, especialmente com as crianças que acreditam realmente estarem cara a cara com seu ídolo. Como não se encantar com esses pequenos grandes encontros?

E por falar nos padawans, o chão da feira era seu playground. Muitos estandes tinham atrações para a família toda, e a criançada caprichou no visual – havia cosplay-mirim de todas as franquias e universos. Nossos favoritos entraram na nossa galeria/coleção.

Todos querendo posar com a Baby Rey!

Organização: como já mencionamos acima, o maior problema da organização é subestimar o crescimento de público nos corredores (que eram largos), nos estandes, no auditório e no transporte de volta para o metrô. Era gente demais para pouco espaço. Encontramos banheiros sempre limpos e achamos boa a variedade de opções de comida nas praças de alimentação, mas os preços estavam um pouco salgados.

O aplicativo do evento para aparelhos móveis finalmente funcionou bem. E o reforço na segurança nas áreas da CCXP e até nas ruas no entorno era visível, embora o esquema de revista das bolsas antes da entrada não desse conta de todo mundo nas filas.

Formigueiro na entrada.

Novidades: o pacote extra Epic, um meio termo entre o ingresso comum e o Full Experience, foi vendido pela primeira vez, com alguns privilégios. Um deles (que também estava disponível para o pacote mais caro) era entrar no pavilhão uma hora antes da abertura. Infelizmente, ao invés de adiantar a entrada dos pacotes especiais, a organização resolveu atrasar a entrada dos demais. Privilegiou alguns à custa da maioria.

Com isso, para a maioria, a feira começou mais tarde, e terminou mais cedo para todos. Pode acreditar, essas duas horinhas fizeram falta – especialmente para quem só pode participar do evento em um dia. Nós, que tínhamos quatro dias para aproveitar, não fizemos tudo. Ficou, inclusive, a vontade de testar a Spoiler Night, uma prévia de algumas horas para convidados, além de portadores das credenciais Full e Epic, na quarta-feira. Seria um sonho encontrar corredores menos lotados e com menos filas…

Saldo da CCXP 2017: Apesar de ficarmos felizes com o título de “Maior Comic Con do Mundo”, precisamos afirmar: tamanho não é documento, muito menos qualidade. Faltou preparo para organizar tal crescimento, ou bom senso de crescer com cautela. Em 2014, quando começamos essa jornada nerd, o sentimento era de estar em casa encontrando/descobrindo amigos.

Felizes com o maior Sansão do mundo

Este ano, o evento ficou grandioso e acabou perdendo boa parte de sua essência. Aquele espírito de comunidade, que unia pessoas na fila, promovia grandes encontros e iniciava grandes amizades se perdeu pelo caminho, e muitas vezes parecia um grande shopping center para o público nerd. Não foi nossa edição favorita, mas torcemos para que a “experiência” sirva para corrigir os erros e tornar o evento épico novamente!

Nossa jornada na capital paulista, porém, ainda não terminou! Acompanhe nossas redes (Instagram, Facebook, Twitter, G+) para conferir por onde andamos e tentar adivinhar os próximos roteiros.

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About Fabiane Bastos

Jornalista especializada em cultura, viciada em filmes, séries e livros não necessariamente nesta ordem. Adoraria poder visitar os mundos que só conhecemos pelas páginas e telas, ou chegar o mais próximo disso possível!