Álbum de Viagem – Selfie no trem de Tiradentes a São João del-Rei/MG


Pois eu estava revirando meu hd, organizando outros arquivos, e encontrei uma pasta que eu achava que tinha perdido: poucas fotos de uma viagem feita há muito tempo atrás (meus óculos contam o tempo, esse foi um dos meus primeiros pares!), antes da gente se habituar a fotografar e postar tudo o que vivia. Aí eu encontrei esta pérola aqui embaixo, um raro autorretrato antes da “era das selfies” – e ela inspirou essa breve reflexão, que decidi transformar em post.

Essa foto aí me traz ótimas lembranças. Foi uma época bacana depois de um longo tempo meio perdida na vida. Mas além das memórias da viagem e das pessoas que estavam comigo, foi uma baita sacudida na minha autoestima. A verdade é que a gente nem percebe o quanto uma viagem faz bem pra nossa alma até ver ali, estampada na nossa cara, os efeitos que ela nos causa. E é sobre isso que penso quando vejo esse meu sorriso aí. Não penso que meu cabelo tava bagunçado, que eu não tava produzida para uma foto bonita, que o ângulo ficou estranho, que os defeitinhos que só a gente repara na gente estão ali: eu só vejo minha alegria. Antes eu evitava me fotografar nos locais que ia, por vergonha mesmo – mas ao perceber que só ter a foto dos locais sem um registro que fosse de mim por lá, dava no mesmo que pegar as fotos de outra pessoa. A partir daí fiz questão de me registrar nos locais que visito (obrigada, tecnologia, por ter aprimorado os celulares com câmeras e pelo pau-de-selfie!). Feita com uma câmera compacta bem modesta (o modelo já era defasado naquela época, imaginem só!), acabou se tornando um bom motivo de reflexão pessoal – por isso o carinho especial por essa foto tão singela. E revisitar a foto é relembrar muita coisa boa.

Igreja de São Francisco de Assis, São João Del-Rei/MG

A turma reunida em frente ao principal monumento de São João del-Rei: a igreja de São Francisco de Assis

Foi em 2007 que uma oportunidade única embarcar em uma excursão de formação de guias de Turismo, acompanhando minha mãe que, à época, fazia o curso. Então, informação sobre História, personalidades, cultura e curiosidades não me faltou. Confesso que hoje já não lembro muita coisa do que foi dito – afinal, faz mais de 10 anos que fiz esse passeio, né? Mas foi essa viagem para as cidades históricas de Minas Gerais que me fizeram apaixonar por viagens culturais – tanto que, dois anos depois, eu também fui fazer o curso (e acabei refazendo a o passeio de Maria-Fumaça, diga-se). O trajeto é curtinho: entre as cidades de Tiradentes e São João del-Rei, são mais ou menos 2h de muito verde, fumaça e história. São duas cidades coloniais muito bem preservadas e visitadas por turistas, e seus casarios e ruas de pedra são um charme só!

Estação Ferroviária, Tiradentes/MG

Olha a Maria-Fumaça, pronta para partir!

Como a excursão que eu fiz emendava vários destinos em um período curto, acabei tendo pouco tempo para aproveitar as cidades. A essa altura do campeonato, eu já estava exausta: depois de passar o dia todo explorando a cidade de Tiradentes em sapatos nada confortáveis (e assim eu aprendi a só viajar usando tênis), ainda tive que voltar um bom trecho a pé dentro da cidade até chegar à estação ferroviária de onde sai o trem para São João. No fim, foi  gostos embarcar em um trem antigo e me sentir voltando no tempo, além de ser divertido ver uma cidadezinha ficando para trás, passar por mata e rio, até chegar em outra cidade tão charmosa quanto a outra – tão diferente de se viajar de ônibus… Aliás, foi depois dessa viagem que fui procurar outras viagens turísticas de trem (sabe-se lá porquê eu achava que não existiam mais…) e anotei vários destinos na minha listinha de “Preciso Fazer Antes de Morrer”. Lógico que eu contarei pra vocês, não é?

Igreja do Rosário e Solar dos Neves, São João Del-Rei/MG

A Igreja de N. Sra. do Rosário e o Solar dos Neves serviram de cenário para o filme “Uma Professora Muito Maluquinha”, de 2011

Uma curiosidade: a cidade de São João del-Rei, meu destino final dessa viagem, serviu de cenário para o filme “Uma Professora Muito Maluquinha”, de César Rodrigues e André Alves Pinto. Baseado na obra homônima do mestre Ziraldo, o filme de 2011 tem Paola Oliveira no papel-título.  O Largo do Rosário tornou-se um dos principais cenários externos: a igreja de Nossa Senhora do Rosário e o Solar dos Neves, revivendo seus tempos de casa paroquial, eram os locais onde os personagens de Chico Anísio e Joaquim Lopes (um monsenhor e um padre) passam a maior parte do tempo. A professora Catarina circula bastante por ali com a sua turminha, pois é caminho para a escola; e um estabelecimento foi caracterizado como um cinema, apesar de não haver um cinema real no local. Até a própria Maria-Fumaça aparece no filme! Pensando bem, acho que está na hora de voltar e fazer um Roteiro Adaptado completo…

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.