Álbum de viagem: um fim de semana em Paraty


A foto inspiradora: um pôr-do-sol em Paraty

Paraty é uma charmosa cidade na chamada Costa Verde do Rio de Janeiro (litoral sul do estado), quase na divisa com São Paulo. De importância histórica (foi um dos maiores portos de escoamento de ouro saído de Minas Gerais), ainda mantém um centro bem preservado com características coloniais embora a cidade tenha crescido e evoluído ao passar dos anos. A poucas horas de viagem das duas maiores metrópoles do país, é um destino rápido para uma viagem curta – embora nem seja um dos mais baratos. Poucos lugares conseguem unir história, cultura e agito como Paraty. Mas hoje eu não vou falar de uma nova viagem para lá: hoje, eu trago a memória de uma das vezes que eu a visitei e que foi, talvez, a viagem mais divertida que eu fiz.

Mari, Gi e Alê: passeamos tranquilas pelo Centro Histórico

Foi em 2013 quando eu, minha irmã Giselle e duas amigas, a Alessandra e a Mariana, resolvemos aproveitar um fim de semana em Paraty. Todas já tínhamos visitado a cidade antes, mas nunca juntas. É a mesma história de sempre, o famoso “vamos marcar” que nunca sai, as férias que nunca combinam datas – mas dessa vez, a gente fez acontecer. Não era a melhor época para visitar a cidade: inverno, nenhum festival à vista, nenhuma festa religiosa, pouca grana sobrando e menos tempo ainda para se ver tudo. Ainda assim, a gente aproveitou – e muito! – a nossa estadia de 3 dias na cidade, relaxando e nos divertimos muito, mesmo sem ter planejado muita coisa.

Giselle representando todas nós naquela hora: vai demorar muito para vir o prato?

Chegamos lá de ônibus, saindo da Rodoviária Novo Rio, já perto da hora do almoço. Nossa primeira escolha certa foi a pousada: mais perto da rodoviária da cidade e um pouco afastada do Centro Histórico, era o meio caminho perfeito para nós. Deixadas as malas no quarto, fomos procurar um lugar para almoçar. Encontramos um restaurante simpático e com preço mais em conta perto da Igreja da Matriz. Depois do almoço, uma volta rápida pelo centro histórico: as ruas de calçamento de pedra em estilo pé-de-moleque, as igrejinhas, os ateliês, o casario de cores brancas e janelas coloridas, a praia. Mas o vento estava frio, e a gente, cansada. Hora do cochilo, porque a noite é uma criança.

Paraty à noite: bares e restaurantes fazem a alegria dos visitantes

À noite, a cidade mudou. Muitas lojinhas de suvenir fecharam, muitos bares abriram. Os moradores e turistas se misturaram para curtir a happy hour. Muitos músicos e artistas na rua, várias carrocinhas de doces apetitosos, um show na pracinha ao lado da igreja. Procuramos um novo lugar para jantar e optamos por não repetir o local onde comemos – um pacto que seguimos até o último dia. Então achamos, meio por acaso, um forró. O movimento ainda estava um pouco fraco, mas tinha muita gente diferente ali: um grupo de surfistas, alguns turistas estrangeiros, uma galera curtindo uma cerveja gelada e o som ali da calçada mesmo. Dançamos um pouco, mas logo voltamos para a pousada – a ideia era acordar cedo no dia seguinte para um passeio marítimo.

Esta sou eu, encantada com a paisagem e a água cristalina do mar (e ainda com sono por causa do forró na noite anterior)

E lá fomos nós! Um dia inteiro na escuna, visitando ilhas, parando para mergulho (pelo menos para as amigas que sabiam nadar, né?). Voltamos tão pilhadas, já no fim do dia, que a hora de se arrumar para sair à noite foi um tanto barulhenta. A gente bem que tentou segurar a emoção, mas infelizmente incomodamos os vizinhos do lado – e levamos um puxão de orelha (em inglês, diga-se) por isso. A lição foi aprendida: agora, só entramos nos hotéis depois de passada a crise de riso! A noite de sábado foi mais animada que a de sexta, mesmo sem forró: nada como comer comida gostosa, botar o papo em dia e aproveitar o clima descontraído na pracinha da cidade para pensar na vida, no universo e tudo mais. A essa hora, já estava batendo uma melancolia de ir embora na tarde seguinte.

O Forte é um pequeno museu, mas o seu “forte” é a vista da paisagem que se tem dali

Depois de voltarmos tranquilamente para a pousada, era hora de preparar o roteiro do dia seguinte. Nada muito elaborado, lógico – a ideia aqui era relaxar. Decidimos ir até o Forte de Paraty (cujo nome real é Forte Defensor Perpétuo), e curtimos a subida e a vista da cidade. De lá, voltamos até o centro histórico e escolhemos um restaurante mais famoso para comer. Os preços foram salgados, mas a comida valeu a pena – e a sobremesa, um carpacciolato napolitano, nunca esqueci! – adoçou a vida e a conta. Dali foi só buscar as malas e partir de volta ao Rio de Janeiro.

A pose clássica de namoradeiras na sacada da pousada: despedida com astral renovado

E foi depois dessa experiência que eu entendi que nem sempre é preciso planejar uma viagem nos mínimos detalhes, que visitar um lugar sem conhecer todos os seus atrativos também pode ser um programa imperdível. Quebrar o cansativo ciclo “casa-trabalho-casa” pode ser tão positivo quanto esperar pelos 30 dias de férias, depois entupir os dias com muitas atividades e acabar voltando para a rotina ainda mais cansado. Viajar também é relaxar, curtir, se divertir, aproveitar a vida do melhor jeito possível. A gente tinha um fim de semana, pouco dinheiro e muita vontade de se ver – e isso foi o suficiente. Daí em diante, esse foi o meu objetivo ao viajar, principalmente se é para revisitar algum lugar. E Paraty é um caso de amor que vai render mais alguns posts e muitas outras novas visitas.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.