Além de Gramado e Canela: um roteiro sugerido na Serra Gaúcha


Gramado e Canela são a dobradinha clássica que logo vem à mente quando se fala de viagem à Serra Gaúcha. Mas a região (que você pode combinar tranquilamente com um fim de semana em Porto Alegre) oferece bem mais.

Com uma semana, já é possível explorar também os encantos do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, ou contemplar os cânions de Aparados da Serra, com base em Cambará do Sul. Mas Garibaldi e Nova Petrópolis são tão fofas e ficam tão perto… Por que não unir tudo isso no mesmo roteiro? Foi exatamente isso que fiz – e que sugiro fortemente que você faça se tiver disponibilidade.

E, claro, circular pela região de carro é bem mais prático, mas, mesmo se esse não for esse o caso (não era o meu), não há nenhum impedimento: fiz todos esses trajetos por conta própria, de ônibus, ou passeios com agências de viagem. Só exige um pouquinho mais de planejamento. Então, partiu subir a serra?

Leia também:

Para inspirar a viagem: filmes e novelas gravados em cidades gaúchas

O que fazer em Porto Alegre: roteiro de 2 dias na capital gaúcha

Uma seleção de roteiros pelo Brasil

Bento Gonçalves

Fiquei hospedada no centro da cidade, por ser mais perto da rodoviária e de onde poderia fazer os passeios com agências nos dias seguintes. Outra opção é escolher uma hospedagem em pleno Vale dos Vinhedos – onde o deslocamento de carro facilita a vida.

Em uma tarde, é possível conhecer as principais atrações no centro. A Igreja de Santo Antônio, padroeiro da cidade, a Praça Via del Vino, com uma fonte que imita vinho, a Igreja Matriz Cristo Rei e o famoso Pórtico de Bento Gonçalves em formato de barril que é marca registrada do local.

Na volta, decidi assistir a uma apresentação do Parque Temático Epopeia Italiana. Esperava um pouco mais da atração: quando li que era uma dramatização, esperava um espetáculo de teatro retratando a vinda dos imigrantes para o Brasil, mas na verdade a visita é guiada por um único ator que conduz o público por alguns cenários que representam momentos chave da travessia. A maior parte da história é contada em vídeos.

Geralmente, quem faz o tradicional passeio da maria fumaça emenda os dois programas. Mas não estava nos meus planos investir na viagem de trem, que é cara e dizem que não tem o mais bonito dos trajetos (com parada final em Carlos Barbosa). Nada impede que você vá até a estação da maria fumaça para as fotos de praxe…  Aproveitei para visitar a lojinha da estação atrás dos meus souvenires, já que não vi muitas opções no centro.

Sentiu falta de vinho no nosso roteiro? Ele é o protagonista do próximo ponto do nosso itinerário: uma visita guiada à Vinícola Aurora, que é bastante informativa e tem entrada gratuita. Cheguei bem na hora que um grupo estava se formando. Depois de um breve vídeo sobre a empresa – que ao contrário de várias vinícolas da região não pertence a uma única família e segue o modelo de cooperativa -, seguimos para as caves, onde a guia dava detalhes sobre cada etapa do processo de fabricação. Para fechar, uma breve degustação.

Sobrou tempo? Ótimo! Dá para conhecer ainda a Igreja São Pedro e o Monumento aos Imigrantes, que fica na mesma praça. Um pouco mais adiante, ficam o Museu do Imigrante e a Fundação Casa das Artes, um bem próximo do outro. Mas atenção: essas atrações fecham entre 11h30 e 13h30, o que significa que eu dei de cara na porta, porque não sabia desse detalhe. Não foi dessa vez que eu frequentei o cinema de O Filme da Minha Vida.

O dia seguinte foi dedicado a um passeio de dia inteiro que gostei bastante e indico a todo mundo que for visitar a região: os Caminhos de Pedra. O que achei mais legal é a variedade de atrações no roteiro, e você pode escolher onde quer parar e ficar mais tempo. Eu estava num grupo de senhoras animadas, que queriam visitar o máximo possível, quer coisa melhor? Debaixo de chuva, fizemos nossa primeira parada na Casa do Tomate, onde a guia dá um breve histórico das construções desse roteiro. Depois, uma degustação de produtos feitos a base de tomate, um mais gostoso que o outro!

Dali, partimos para a Casa das Ovelhas, onde assistir à tosa dos animais e alimentar os filhotes com mamadeiras são algumas das atrações possíveis. Confesso que saí de lá apaixonada pelos bichinhos. Depois do almoço, foi a vez de uma breve passagem pela Casa da Tecelagem e pela Casa das Massas.

Em seguida, as vinícolas. A primeira foi a Cantina Strapazzon, que já contamos aqui que foi cenário do filme O Quatrilho, e depois a Salvati & Sirena, que tem a degustação mais divertida de todas e vinhos deliciosos! Encerramos o tour na Casa da Erva-Mate Ferrari, onde provei (e não curti) a bebida e onde se observa o processo de fabricação do chimarrão tão querido pelos gaúchos. E voltei feliz para o hotel depois de provar uma das delícias da Casa das Cucas Vitiaceri.

O dia seguinte, também num grupo de agência, foi dedicado aos vinhos, e misturou uma vinícola da rota Cantinas Históricas e outras do famoso Vale dos Vinhedos: era tanta degustação que no fim das contas tinha que me esforçar para lembrar dos favoritos que provei. Antes do almoço foi a vez de conhecer a Cristofoli e a Almaúnica (cuja degustação completa é cara, mas é possível experimentar uns dois rótulos sem custo).

À tarde fomos à Casa Vadulga, que, além de uma cave linda, tem uma visita bem completa e que vale muito a pena. O valor do ingresso inclui a taça que fica de brinde. Encerrando o dia, a Pizzato. Fiquei com muita vontade de estudar um pouco mais sobre o assunto – não sou nenhuma especialista na bebida, mas gosto de vinho e achei o máximo perceber que rótulos baseados no mesmo tipo de uva podem ter sabores bem diferentes.

Existem outros passeios na região que fiquei com vontade de conhecer em outra ocasião, como o restante da rota Cantinas Históricas e o Vale das Antas. Embora eu sempre tenha associado Serra Gaúcha ao inverno, descobri que não preciso me limitar a essa estação: aliás, espero voltar no verão, época da colheita, para ver os parreirais cheios. Carnaval é alta temporada, mas uma guia deu a dica preciosa, que faço questão de dividir: em janeiro, tem-se o melhor dos cenários sem a muvuca.

Garibaldi

Outro roteiro possível a partir de Bento Gonçalves é a Rota dos Espumantes, em Garibaldi. Mas eu estava disposta a visitar a cidade por conta própria: tão fácil, rápida e barata uma viagem de ônibus… Minha ideia inicial era fazer um bate-volta, mas tive uns contratempos e acabei atrasando minha ida para Gramado e fiz uma parada de algumas horas na cidade. Acabou sendo um pouco corrido, mas achei que valeu a pena.

O que Garibaldi tem de pequenininha tem de fofa. Fui admirando a arquitetura dos prédios históricos da Rua Buarque de Macedo, todos com plaquinhas preservando a memória do lugar, dei uma espiadinha na Igreja da Matriz, que estava fechada para obras, e visitei alguns dos cenários de filmes rodados na cidade, também devidamente identificados, para alegria deste blog. O mais famoso deles, a estação de trem – e a maria fumaça estava lá, esperando para sair nas minhas fotos…

Dali, a intenção era chegar à vinícola Peterlongo a tempo de uma das visitas guiadas pela propriedade (que também inclui a degustação, mas esta também pode ser feita à parte), mas um grupo tinha acabado de sair e o seguinte não terminaria a tempo de eu conseguir pegar meu ônibus para Gramado. Se o seu itinerário estiver mais folgado, é uma boa opção. Ainda no centro é possível conhecer a vinícola Garibaldi (acabei só visitando a lojinha, adivinhem, atrás dos meus preciosos souvenires) e, um pouco mais adiante, o Passeio da Barragem, cenário de Tempo de Amar.

Gramado

Cheguei a Gramado no início da noite debaixo de uma neblina fortíssima. O dia seguinte amanheceu nublado, choveu no meio da tarde, e depois abriu um sol. Ou seja, estejam preparados para tudo nessa cidade! Ela é mesmo uma graça como dizem, mas também um tanto artificial. Gostei de conhecer, mas depois de visitar os principais pontos turísticos (coisa que você resolve em um dia), as opções são comer e comprar. Eu ouvi chocolate? Pois é, até eu que sou viajante econômica gastei mais reais do que planejava com essa tentação (deliciosa).

Tentei planejar bem os itinerários para economizar com transporte. Resolvi fazer tudo a pé no primeiro dia e deixei as atrações mais distantes para os seguintes, onde combinei ônibus e táxi e usei o ônibus turístico. Estava hospedada bem perto da Rua Coberta, então já aproveitei para conhecer o Palácio dos Festivais, sede do Festival de Gramado, a Igreja Matriz, a Fonte do Amor Eterno, a Rua Torta, a Praça das Etnias.

Dali, segui para a Rótula das Bandeiras, onde fica a famosa estátua do Kikito, passei pelo Lago Joaquina Rita Bier, e continuei até o Mini Mundo, que tinha uma pequena fila na entrada em pleno sábado. Continuei minha caminhada (desta vez maior e mais íngreme) até o célebre Lago Negro. Claro que o passeio ficou bem mais agradável depois que a chuva deu espaço para o sol: o clima é bem família, e o ambiente é gostoso, tanto pelo visual quanto pelo movimento das pessoas e as performances dos artistas no local. À noite, quis conhecer o Palácio dos Festivais.

Domingo foi dia de pegar um ônibus até o município de Três Coroas para conhecer o centro budista que fica na região. Da rodoviária, é preciso pegar um carro: eu pedi um Uber e tentei combinar para ele me buscar na volta, mas o motorista não podia. Ele sugeriu que eu pegasse uma carona para descer até a estrada, mas eu confiei que conseguiria outro carro para o trajeto. Tolinha.

A visita foi ótima, e o templo é lindo e bem cuidado. Cheguei durante uma palestra para iniciantes, que terminou com uma pequena meditação. Depois fiquei um bom tempo observando e fotografando cada detalhe das construções do espaço. Dá um trabalhinho chegar lá, mas acho um passeio incrível especialmente para os interessados no budismo. E a volta? Bem, não consegui mesmo sinal, então segui o conselho do motorista e consegui carona com um casal gaúcho que estava de saída.

Na volta, desembarquei na entrada da cidade para a clássica foto com um dos charmosos pórticos de Gramado. Dali, o plano era seguir até o Le Jardin Parque de Lavanda. Mas avistei um ônibus de linha e descobri que ele servia. Que beleza! Mesmo não sendo época de lavandas, o parque (que tem entrada gratuita) é um passeio bem agradável. Depois de visitar o jardim, gaste um tempinho curtindo o aroma da lojinha e um strudel de maçã na lanchonete. Para retornar ao centro, recorri novamente ao Uber, que funciona bem nas áreas urbanas.

Canela

O terceiro dia com base em Gramado foi todo dedicado a Canela. Peguei o primeiro horário saindo da Praça Major Nicoletti, mas só depois percebi que foi uma perda de tempo: o coletivo passa por vários lugares que eu já havia visitado antes de pegar realmente o caminho para a cidade vizinha. Uma possibilidade é embarcar na parada da Praça das Etnias para economizar esse trecho.

A partir daí, o itinerário é com o freguês: fiz minha primeira parada na fábrica de chocolates Prawer, que oferece uma visita gratuita com degustação. Eu ouvi chocolate? Depois de abastecida, peguei o próximo ônibus em direção ao Mundo a Vapor. Eu confesso que achava que a temática era só trens, mas as miniaturas sobre várias engenhocas movidas a vapor (o que mais seria?) são ótimas, em especial as que reproduzem a fabricação de tijolos e de papel. Para os pequenos, ainda há um passeio de minitrem (é uma voltinha pequena, não espere muita coisa).

Dali, segui para o centro de Canela, onde visitei a famosa Catedral de Pedra e planejava almoçar nas redondezas. Mas preferi descer até o entorno da Praça João Corrêa, que tem atrações como o Espaço Cultural Casa de Pedra e a Associação Canelense de Artesãos. De volta ao ônibus, era hora de ir ao Parque do Caracol. Eu adoro um parque e caminhar no meio de um espaço verde me fez bem. Gostaria de ter ficado mais tempo lá, pensando na vida (e por isso não curto muito ter hora marcada para fazer tudo). Depois da visita ao mirante para ver a Cascata do Caracol, queria ter descido até a base, mas a escadaria (de mais de 700 degraus) estava fechada para manutenção. Quem preferir pode ver a queda d’água de outro ângulo, a partir do observatório, que cobra ingresso à parte. Mas já que era para desembolsar uns reais a mais, preferi deixar para a entrada dos Bondinhos Aéreos, a próxima parada do ônibus turístico. É de onde se tem a vista mais bonita para a cascata.

A ideia era fazer uma parada final no Castelinho Caracol, mas o horário do ônibus não permitiu. Fica para outra vez, quando também gostaria de visitar o Parque da Ferradura. Esse não tem um acesso tão fácil para quem está a pé, já que o ônibus turístico não vai até lá e não dá para arriscar ir de Uber e não ter sinal para voltar.

Nova Petrópolis

Durante as minhas pesquisas sobre a Serra Gaúcha, vi muitas indicações sobre a cidade e decidi incluí-la no roteiro. É bastante viável ir até lá de ônibus – e foi o que eu fiz, especialmente porque os passeios de agência que a incluíam vendiam um tour de compras que não me interessava. Mas essa opção também me deu menos mobilidade para conhecer atrativos que estão fora do centro, como o Esculturas Parque Pedras do Silêncio e o Ninho das Águias.

Concentrei então minha visita à Praça das Flores e seu Labirinto Verde (que é um passatempo divertido), à Paróquia São José Operário (sim, eu adoro conhecer uma igreja) e ao Parque Aldeia do Imigrante, que, além de uma grande área verde, incluindo lago com pedalinhos, tem uma aldeia temática que preserva a memória dos imigrantes alemães que colonizaram a cidade.

Lamentei duas coisas: que o passeio de jardineira pela cidade não exista mais e que eu tenha chegado lá dois dias depois do fim do Festival do Folclore, um evento tradicional que tem apresentações de dança, música e outras manifestações artísticas durante todo o dia. Vale a pena ficar de olho nas datas quando estiver de viagem marcada!

Cambará do Sul

Minha última parada em terras gaúchas foi em Cambará do Sul, que me recebeu com um frio congelante de 2 graus! Aqui, era loteria: o que me levou a cidade foi a beleza dos cânions Itaimbezinho e Fortaleza. O primeiro, muita gente conhece em um bate-volta a partir de Gramado, mas dizem que o segundo é mais bonito. Eu queria conhecer os dois e ainda fazer um passeio a alguma outra atração natural da região no restante do meu um dia e meio por lá.

Fiz tudo como mando o figurino: pernoitei lá para reservar uma manhã o Fortaleza (é o período com maior chance de visibilidade). Era inverno. E ainda assim não consegui ver nada dele. Primeiro, foi uma saga conseguir um passeio com agência. Era início de agosto, quando as férias escolares já haviam acabado, e o movimento cai. Ninguém se recusou a me levar, mas o programa ficaria muito mais caro. Já estava achando que tinha ido para lá à toa.

Aos 45 do segundo tempo, uma outra pessoa se interessou pelo Itaimbezinho, e aí fomos nós (com preço pela metade, imagina). Demos sorte, o céu limpo, ótimo guia, bela paisagem. A segunda trilha, que dá de frente para as cachoeiras, é bem bonita também. Mas eu só pensava: e se eu tivesse vindo de Gramado só para isso e fosse só neblina? Talvez valha a pena, mas é bom estar ciente do risco.

Só à noite consegui confirmar um grupo para visitar o Fortaleza na manhã seguinte. Fui cheia de expectativa e… que desilusão. Não dava para enxergar absolutamente nada, só neblina. Era até engraçado o guia apontando o que a gente deveria estar vendo: “aqui é o cartão-postal do cânion”. Se ele diz, deve ser verdade… Até desistimos da segunda trilha do passeio. Mas prometi que vou voltar – e estender a visita aos cânions de São José dos Ausentes.

Fiquei com a tarde livre, já que não havia outro passeio disponível nas agências. Para não ficar à toa, segui a indicação de uma guia e decidi caminhar até a Cachoeira do Tio França. São cerca de 3km desde o centro da cidade e, naquele frio, eu nem ia poder me refrescar depois da andança, mas, né, eu não estava fazendo nada. Ia fazer exercício (depois de consumir tanto chocolate) e me distrair. Como a cachoeira fica numa propriedade privada, é preciso pagar uma taxa para a visita. Ganhei de presente a companhia dos cachorros do local, que parecem até treinados para guiar quem chega até a queda d’água.

No dia seguinte, era dia de madrugar para voltar a Porto Alegre (só existem dois horários de ônibus até São Francisco de Paula, de onde sai o coletivo para a capital). Mas dia também de prometer voltar para conhecer tanta coisa que ficou faltando no Rio Grande do Sul.

O que achou do nosso roteiro? Já visitou algum desses lugares ou tem vontade de conhecê-los? Conta para a gente nos comentários!

Leia também


About Giselle de Almeida

Carioca, jornalista, estudante de cinema, gauche na vida. Pareço legal, mas tento convencer os amigos a verem minhas séries favoritas