“Anjos e Demônios” e “Inferno”: seguindo as pistas de Dan Brown


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Pantheon, Roma

Aqui, uma confissão: Anjos e Demônios entrou no roteiro da viagem deste ano por conveniência. Mesmo não sendo fã de Dan Brown, o fato de muitos lugares citados serem pontos turísticos pesou. E quem resiste a uma história de detetive com a capital italiana como cenário?

Mas foi completamente por acaso que Inferno, a mais recente aventura de Robert Langdon (Tom Hanks) no cinema, foi adicionado à conta. Foi somente em Florença que soube, tardiamente, que a história se passava na cidade. Com a ajuda da nossa blogueira Fabiane, que mergulhou na fonte original e leu o livro, descobri que havia ainda uma passagem pela mágica Veneza. Filmes e Itália, que combinação perfeita.

Anjos e Demônios – Roma

Antes de tudo, um esclarecimento: o Vaticano que você no filme é um misto de estúdio e locação bem distante de Roma. Trata-se do Palácio Real de Caserta, na região da Campanha. Mas, se você estiver na capital, dá para sentir um gostinho do filme na praça São Pedro (veja galeria abaixo), onde Langdon e Vittoria (Ayelet Zurer) presenciam um assassinato em meio à multidão que aguarda o anúncio do novo papa.

Foi graças ao filme que, debaixo de um sol escaldante, resolvi prestar atenção à Rosa dos Ventos (bem literal, com os ventos mostrando os pontos cardeais). Provavelmente eu passaria reto em busca de uma sombra depois de um dia inteiro no Vaticano – sim, não me cansei dos incríveis museus (reserve pela internet!), da basílica (gratuita) e da vista desde a cúpula (paga e com direito a elevador que encurta a subida, mas não evita muitos degraus).

Outros pontos religiosos são vistos no filme, como o impressionante Pantheon, que não parece, mas abriga uma igreja, a basílica de S. Maria dei Martiri, onde se encontra o tumulto do pintor Rafael. Tem sempre um funcionário lá dentro lembrando que é lugar de silêncio.

Piazza Navona, Roma

Piazza Navona, Roma

A capela Chigi (que não visitei) fica na famosa Piazza del Popolo, bem ao fim da Via del Corso, importante rua de comércio de Roma. Já a igreja de Santa Maria della Vittoria, que tem a escultura Êxtase de Santa Teresa, de Bernini, fica um pouco fora da rota mais turística, embora esteja razoavelmente perto da Piazza della Repubblica.

Completam a lista a clássica Piazza Navona (meu primeiro ponto turístico na cidade, que achei ao acaso, porque estava completamente perdida. Só Roma faz isso por você) e o Castel Sant’Angel, que desta vez só conheci por fora, mas dizem oferecer uma vista linda da cidade. Também não consegui entrar na Biblioteca Angelica, na Piazza di Sant’Agostino, que faz as vezes de biblioteca do Vaticano no filme. Dei de cara na porta, já que o local estava fechado em agosto, como muitos estabelecimentos na cidade durante o verão.

Inferno – Florença e Veneza

Como minha visita a Florença não tinha Inferno na lista até então, deixei de lado a Torre da Badia, lugar onde começa a história: é de lá que Bertrand Zonrist (Ben Foster) se atira, dando início ao jogo. E também perdi a oportunidade de ir até a Porta Romana, mas não deixei escapar uma volta ao Jardim de Boboli, na vizinhança. Era um dia de calor infernal (com o perdão do trocadilho) e não dei conta de ver tudo. É uma boa pedida de passeio do lado de lá do rio Arno, depois de você se dar por satisfeito com toda a arte que essa cidade incrível oferece.

Ponte Vecchio, Florença

Ponte Vecchio, Florença

O livro menciona uma passagem entre a Gruta de Buontalenti, no Jardim de Boboli, e o Corredor Vasari, que liga o Palazzo Pitti ao Palazzo Vecchio, passando sobre a ponte mais famosa da cidade, a Ponte Vecchio. Para visitar a coleção de quadros que fica nesse corredor, é preciso agendar uma visita por telefone.

O Palazzo Vecchio, aliás, é outra parada do roteiro: a investigação de Langdon e Sienna (Felicity Jones) passa pela sala do Cinquecento, pelo salão dos mapas geográficos e pela máscara de Dante, claro. Do lado de fora, na agradável Piazza della Signoria, algumas estátuas descritas por Dan Brown, como a réplica do Davi, de Michelangelo, e a Fontana de Netuno, de Ammannati.

Ali ao lado, na Loggia de Lanzi, bem pertinho da entrada da Galleria degli Uffizi (museu imperdível da cidade), outras obras expostas a céu aberto impressionam: minha favorita é “Perseu segurando a cabeça da Medusa”, de Cellini. Quando estive por lá, estava rolando um show na praça que fez a tarde ficar ainda mais perfeita.

Numa outra visita à capital da Toscana, confiro se o Museu Casa di Dante e a Chiesa de Santa Margherita dei Cerchi valem mesmo o ingresso, assim como o Batistério de San Giovanni. Das inúmeras vezes que passei pela Piazza del Duomo, só parei uma vez, para visitar o interior da catedral. O conjunto de catedral, batistério e Torre de Giotto, no entanto, é algo único: eu não conseguia parar de admirar, embora não tenha decidido ainda se gostava daquelas cores…

Vista da Ponte dos Suspiros, em Veneza

Vista da Ponte dos Suspiros, em Veneza

Em Veneza, a indefectível Piazza San Marco e seus pombos implacáveis (fui uma das vítimas) são cenário para a ação do livro e do filme, assim como a basílica, lugar onde Langdon e Sienna procuram por um túmulo.

A dupla ainda faz outro passeio obrigatório pelo Canal Grande – chegando ou saindo da cidade, é bem provável que você passe por ali usando o vaporetto, transporte aquático público, bem mais em conta que as famosas e caríssimas gôndolas (80 a 100 valiosos euros por uma voltinha pelos canais).

Outro ponto famoso, o Palazzo Ducale, residência dos antigos governantes de Veneza (os doges), é apenas mencionado no livro, assim como a Ponte dos Suspiros.

O ingresso do palácio dá direito a visitar as principais salas, mas algumas partes reservadas, incluindo a ponte, fazem parte do tour Itinerários Secretos, que precisa ser agendado com antecedência (em italiano, inglês e francês). Vale muito a pena.

É possível ter a mesma visão que os presos da época (Giacomo Casanova foi um deles) tinham ao serem transportados para suas celas. Daí os suspiros que geraram o apelido. Imagina não poder estar ao ar livre nessa cidade!

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About Giselle de Almeida

Carioca, jornalista, estudante de cinema, gauche na vida. Pareço legal, mas tento convencer os amigos a verem minhas séries favoritas