Aproveitando a Praça da Liberdade, em BH – visitamos o Memorial Minas Vale


Belo Horizonte me surpreendeu por muitos motivos, e é um destino que eu pretendo explorar mais vezes. Descobrir lugares assim, tão parte do cotidiano da cidade que se perdem na rotina, é uma das coisas que mais gosto de fazer quando viajo – e é quase impossível conhecer tudo de uma vez só. Por isso que eu não consegui explorar o Circuito Liberdade (uma programação de eventos nos muitos museus e espaços culturais do entorno da Praça da Liberdade) como deveria – mas nem por isso deixei de ir visitar a praça e pelo menos um dos museus que fazem parte do projeto.

Memorial Minas Vale - Belo Horizonte/MG

Mas como eu descobri a praça e o memorial? Foi conversando com um dos mediadores do Museu de Artes e Ofícios que eu recebi a dica, e que, como meu tempo na cidade era curto, o Museu Memorial Minas Gerais Vale, ou Memorial Minas Vale, era o imperdível. Pois segui o conselho, não me arrependi e ainda repasso: mesmo para quem tem pouco tempo livre na cidade, vale conhecer o lugar que conta de maneira bastante interativa a história de Minas Gerais e suas tradições.

Leia mais sobre o Museu de Artes e Ofícios aqui

Uma breve história do Memorial

É importante ressaltar que o Memorial é um Museu de Experiência, ou seja, tem muita interatividade com o visitante. Só isso já é um diferencial, pois em cada ala é possível interagir com a História de um jeito diferente: usando de ambientes reais e instalações virtuais, há muita tecnologia para reverenciar o passado da cidade de Belo Horizonte e, claro, valorizar o trabalho da empresa patrocinadora (a companhia Vale).

Memorial Minas Vale - Belo Horizonte/MG

Inserida no contexto e nas obras, a tecnologia ajuda o visitante a interagir com o conteúdo

Sediado em um belíssimo prédio do século 19 (que serviu de sede para a Secretaria de Fazenda do estado antes de se tornar um centro cultural) tombado pelo Instituto estadual do patrimônio Histórico de Minas, desde 2010 funciona como o Memorial Minas Vale. A ideia do projeto é unir passado e presente, contando a história da formação da cidade e do Estado de forma lúdica, interativa e divertida.

O que encontro lá?

São várias salas com bastante interatividade que buscam retratar a identidade mineira. Divididos em três pisos, não tem um roteiro específico para seguir – e esbarrar em diferentes aspectos sobre a vida mineira é bem interessante. Recomendo seguir por pavimento, que dá um panorama mais ou menos uniforme, mas você pode escolher ir direto ao terceiro e descer (e aproveitar a saída  para ficar um tempo no Café do Memorial, que é ricamente decorado com garrafas de cachaça do chão ao teto) ou fazer o caminho inverso.

No primeiro piso, há a recepção e o um guarda-volumes, onde é possível encontrar também folhetos explicativos do museu e o Kit das Crianças, com atividades interativas para os pequenos (informe-se sobre como obtê-lo na recepção). Aqui estão as salas em homenagem aos grandes nomes da cultura mineira, como os escritores Guimarães Rosa, o fotógrafo Sebastião Salgado e a artista plástica Lygia Clark.

Memorial Minas Vale - Belo Horizonte/MG

Salas inteiras dedicadas à obra dos grandes nomes mineiros – esta é uma mostra do espaço em homenagem ao fotógrafo Sebastião Salgado

segundo piso é dedicado às heranças históricas e faz referências ao passado de Minas Gerais (e quando a então Vila Rica era o coração financeiro do país), os biomas e geografia encontrados ao longo do extenso estado, os costumes antigos da aristocracia e da gente simples. São ambientes cenográficos que reproduzem desde uma pequena casa de ópera e uma igreja barroca à pinturas rupestres nas cavernas da região e uma nem-tão-típica fazenda mineira do século 19). Uma das partes mais legais é a que fala das antigas lendas da aristocracia, onde os efeitos especiais podem pegar os visitantes de surpresa e até assustar aos mais “sensíveis” (se é que me entendem). Ah, e aqui fica uma enorme maquete de uma vila barroca em escala, com iluminação que simula a transição do dia para a noite. Guardadas as devidas proporções, é bem como a Hogwarts que eu vi lá em Londres – e eu fiquei boba do mesmo jeito quando a vi.

Memorial Minas Vale - Belo Horizonte/MG

O último andar é o olhar o mais miscigenado e também mais moderno. Apesar da grande exposição de celebrações culturais e religiosas e de um espaço dedicado à arte do Vale do Jequitinhonha, é ali onde estão o auditório (usado também para pequenos espetáculos de teatro e música), a sala de exposição temporária, o modernismo mineiro e a Sala Vale, onde o visitante tem uma ideia do quanto a empresa patrocinadora investe em tecnologia e em como isso interfere no nosso cotidiano. Se quiser fazer parte do acervo do museu, essa é sua chance: aqui você pode tirar uma foto aqui para ficar exposta permanentemente por lá, ou se divertir ao criar sua própria música em um interessante (e um tantinho complicado) aparelho eletrônico.

Espaço dedicado às manifestações culturais-religiosas mineiras

O espaço também inclui uma midiateca também interativa e o Espaço Ler + Ver (uma biblioteca à disposição dos visitantes, oferecendo periódicos e alguns livros para leitura no local). Além das interessantes exposições permanentes, há espaço para uma intensa agenda cultural, além de atividades culturais e educativas. Não deixe de consultar a programação no site oficial.

Usando de tecnologia para costurar o passado e o futuro, a experiência de visitar um museu tão interativo e com tanto conteúdo é muito marcante e divertida. Se você pensa em explorar o lugar com a família, há atividades educativas para os pequenos. Então, já sabe: passando por BH, não deixe de visitar o Memorial Minas Vale, que também faz parte do Circuito Liberdade – um projeto que engloba os museus e centros culturais do entorno da Praça da Liberdade, um local super agradável para passar o tempo e que se tornou um pólo cultural importante de Belo Horizonte.

Memorial Minas Vale –  Praça da Liberdade, 640 (esquina com Rua Gonçalves Dias). Belo Horizonte, Minas Gerais/MG

Horário de funcionamento:Terças, quartas, sextas-feiras e sábados, das 10h às 17h30 (com permanência até 18h). Quintas, das 10h às 21h30 (com permanência até 22h). Domingos, das 10h às 15h30 (com permanência até 16h). Entrada franca.

Agendamento de grupos através do telefone (31) 3308-4000.Mais informações no site oficial: memorialvale.com.br

 

*Em tempo: depois da tragédia inestimável que foi a perda de 90% do acervo e a destruição do prédio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro (ano passado a gente foi lá conferir a atração e fizemos um post especial para ele), é mais do que legítimo lembrar às pessoas que os museus não são só “velharias históricas”. É a História em si, fragmentos únicos da cultura de uma nação, expostos para a visitação de quem quiser aprender. São recortes da imensa colcha de retalhos que recolhem, preservam e estudam o passado para construir um futuro. São instituições que unem Folclore, Arte, Filosofia, Antropologia, Arqueologia, História, Geografia e tantas outras ciências e expressões culturais e a transformam em Conhecimento.

As cidades brasileiras são repletas deles, alguns maiores, outros menores; de iniciativas públicas ou privadas. Mas eles não resistem se não houver quem esteja interessado em visitá-los: em tempos de caos político e financeiro, como ressaltar a importância de algo se não for através de números? Lá fora, alguns museus são capazes de atrair milhões de visitantes – aqui, a margem dos milhares já é um sonho. Ao viajar para fora, muitos visitam os grandes museus – mas se perguntar quantos já visitou em sua própria cidade ou quantas vezes deixou de ir à praia para curtir um passeio cultural, dificilmente irá encontrar quem os faça com frequência.

Portanto, fica o lembrete: visite museus quantas vezes puder, recomende-os para os amigos. Leve as crianças para passeios instrutivos (não é só obrigação da escola), tire um tempo da rotina cansativa do trabalho para relaxar e ampliar seu horizonte. Tendemos a achar que o que está ali resistiu tanto tempo que estará lá para sempre, que podemos voltar outro dia. Infelizmente, descobrimos que não é bem assim. Aproveite o máximo que puder, e surpreenda-se com o quão prazeroso pode ser uma simples ida a um museu.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.