Cariocando: conhecendo Paquetá em um dia


Se a sua praia é relaxar, e você estiver pelo Rio de Janeiro, a dica é visitar Paquetá. Famosa por conta do romance A Moreninha e suas versões para TV e cinema, a ilha tem mais a oferecer. Aliás, só o passeio pela Baía de Guanabara até chegar lá já é uma boa pedida. E é exatamente sobre isso que vamos falar hoje.

Como chegar

A vista da Praça XV é linda, não é?

Reservar um dia de passeio (no mínimo) vai ser bacana, pois o único meio de se chegar até lá é através das barcas que saem da Praça XV. Por causa do longo período de trajeto (cerca de 1h a 1h30 de viagem) e dos horários certos de saída, é bom se programar. Calcule também o tempo de chegada até a Praça XV, ponto de partida da viagem, e inclua o preço da passagem de metrô (estação Carioca é a mais próxima – uns 10 minutos de caminhada) ou do ônibus.

Ainda assim, Paquetá é um destino barato e prático para um feriado ou uma quebra na rotina  – as barcas aceitam o Bilhete Único (cartão de embarque aceito em transportes públicos na cidade do Rio e que fazem desconto na integração com outros meios de transporte) – o que não impede que quem venha de fora venha conhecer a Ilha.

Como se deslocar

A pé, bicicletas ou carrinhos elétricos – você decide!

Após o desembarque, você tem algumas opções de desbravar a Ilha: a pé é a mais barata, mas esteja pronto para uma boa caminhada; de bicicleta (que pode ser alugada para grupos ou individuais, na média de R$20,00 por pessoa) é o mais clássico e divertido – e exige um pouco de condicionamento também, né? – ou as charretes elétricas. Estas são carrinhos tipo os de golfe, com capacidade para até 5 (cinco) passageiros e também cobram a média das bicicletas – substituindo as antigas charretes puxadas a cavalo.

Seja qual for o modelo de transporte, a ilha é bem grande e se divide em dois lados cheios de atrativos. Se seu passeio for de apenas um dia, sugerimos uma volta pela orla (de charrete ou bicicleta) e depois uma caminhada pelos lugares que mais curtir. Se for passar um pernoite lá – há pousadas na região – pode tranquilamente conhecer um lado da ilha num dia e o outro no dia seguinte.

Lado Norte – principais atrativos

Praia dos Tamoios

Logo na saída das barcas, ao virar para a direita já é a praia. Em uma pequena caminhada, vários pontos para ver:

  • A igreja de Bom Jesus do Monte é a primeira atração da lista. Ali tem uma lanchonete que também serve almoço.

Interior da igreja de Bom Jesus do Monte, que fica bem na saída das barcas

  • A praça de Bom Jesus do Monte é uma gracinha: muitas aves marinhas acabam acampando por ali porque sempre tem algum pescador limpando peixe. Portanto, cuidado com as cabeças!

Praça Bom Jesus do Monte

  • O Caramanchão dos Tamoios é lindo: uma pequena pracinha com bancos e flores para apreciar a paisagem e fazer a foto clássica da Moreninha.

O nome é esquisito, mas o Caramanchão dos Tamoios é lindo

  • O canhão de saudação a D. João fica bem nomeio da rua (coisa, aliás, bastante comum pelo bairro – não é permitido o trânsito de veículos motorizados, exceto os oficiais como bombeiros e polícia). Foi usado para honrar a visita do rei à Ilha.

O canhão fica bem no meio da rua!

  • O baobá conhecido como Maria Gorda é um raro exemplo da árvore africana em terras estrangeiras. Existe a lenda de que dá boa sorte beijar a árvore – tem até plaquinha explicando – que é patrimônio cultural do bairro.

Maria Gorda, o baobá carioca

  • O Parque dos Tamoios é uma praça ao fim da praia de mesmo nome, onde há um parquinho com balanço para as crianças se divertirem e é um belo local para uma pausa: arborizado e tranquilo, convida a um descanso antes de continuar a caminhada.

Um cantinho super agradável para uma pausa

Praia e Pedra da Moreninha

Praia da Moreninha

Toda a parte mais famosa da Ilha se encontra aqui: a famosa praia onde foram rodadas cenas das versões de 1965 e 1975 de A Moreninha é uma longa faixa de areia bastante arborizada, com bastante lugar para uma pausa sob a sombra e admirar uma bela vista. Há bares e quiosques por perto, e é ali que muitas pessoas param para aproveitar e tomar sol.

Entrada para a Pedra da Moreninha

A Pedra da Moreninha é, talvez, “o” ponto turístico de Paquetá. Ao fim da praia, uma escada em pedra em duas etapas e uma ponte (meio bamba, diga-se) leva até ao mirante no topo de uma pedra. Há quem diga que essa nem é a verdadeira pedra que aparece nas novelas, mas a galera nem se importa: o legal é a selfie que a gente tira lá.

Praia de São Roque

Praça São Roque fica ao lado da paróquia, da praia e do poço de mesmo nome

A praia, em si, é minúscula, mas vários atrativos históricos estão ali perto. O Poço de São Roque hoje está lacrado e é só um ponto turístico, mas chegou a ser a única fonte de água potável de Paquetá antes do abastecimento regularizado atual. Ali perto, o coreto do bairro e a Paróquia de São Roque dão ainda mais cara de “cidade do interior” ao bairro carioca, e aumenta exponencialmente o charme do lugar.

A Casa de Artes também é um museu sobre o bairro

Um pouco mais à frente tem a Casa de Artes de Paquetá, uma mistura de restaurante, museu e escola de artes. Um lugar super agradável, perfeito para uma pausa no fim de tarde.

Lado Sul – principais atrativos

Casa da Moreninha

A casa que parece de boneca é conhecida como Casa da Moreninha

Se da praça Pedro Bruno (na saída das barcas) você optar pela esquerda, de cara vai encontrar a Praia Grossa e nela, o maior atrativo da Ilha: a Casa da Moreninha. A simpática construção parece uma casinha de bonecas e não está aberta ao público: apesar de ser um atrativo, pois foi utilizada nas gravações das novelas, é propriedade particular. Então, fotos só do lado de fora do portão.

Hotel Farol

Vista do relógio, em frente ao antigo Hotel Farol

A antiga colônia de férias dos trabalhadores da Mesbla (uma gigante do varejo muito popular na década de 1970 e 1980), transformou-se em um hotel – que hoje está abandonado. Bem em frente, um relógio em forma de torre assemelha-se a um farol e foi inspirado no “primo” mais famoso da Central do Brasil.

Cemitério de Pássaros

Cemitério de Pássaros

Único de sua espécie na América Latina (quiçá, do mundo todo), o Cemitério de Pássaros é uma graça. destinado a todos os animais mortos na ilha – e não somente pássaros – fica bem ao lado do cemitério do bairro. Ambos são bastante bonitos e com uma aparência bem diferente do que se tem de um cemitério sombrio. Vale a visita, nem que seja rapidinho e do lado de fora.

Praia da Guarda

Uma das maiores de Paquetá, tem seus atrativos mais para os seus extremos. É fácil encontrar os cisnes de recreação – tipo pedalinhos estilizados, todos coloridos. Infelizmente não tivemos tempo de pegar um desses para curtir um passeio pela Baía de Guanabara, mas pode ser bastante interessante – principalmente para jovens e crianças supervisionadas.

Na direção Norte, ficam a Ponte da Saudade e a Pedra dos Namorados. Dos locais mais bonitos da ilha, são perfeitos para uma foto de recordação. Ali perto ficam também lugares para tomar um banho (caso queira se arriscar e se banhar na Baía – o que nós não recomendamos) e outras lanchonetes.

Entrada do Parque Darke de Matos

Na direção Sul da praia, fica o Parque Darke de Matos. Um lugar com bastante verde e um curioso mirante, é perfeito para passar boa parte do dia e até fazer um piquenique. Aproveite o tempo bom para explorar o lugar: tem uma interessante passagem sob a pedra do mirante e muitos animais silvestres nas árvores, sempre brincando e brigando por comida.

Onde comer

Resolvemos almoçar na Casa das Artes, que serve pratos executivos todos os dias. As opções não são muito variadas, mas a comida é bem gostosa (e não servem 2 pessoas, principalmente se elas estiverem com muita fome – o que era nosso caso). Grupos grandes podem reservar data e horário, um menu diferenciado é oferecido para eles. Porém lá não é o único lugar para comer.

Já pensou almoçar num lugar desses?

Por toda ilha é fácil encontrar lanchonetes, restaurantes e quiosques para todos os tipos de gosto e bolso. Na praça principal é onde tem mais opções, inclusive recomendamos a pipoca enquanto espera o horário de reembarque.

Nosso  passeio foi de um dia, e nós tivemos que quase literalmente correr para ver tudo isso aí – e ainda ficou muita coisa para ver depois. Daí você me pergunta: “poxa, mais um dia inteiro não foi suficiente?”. Não. Ficou faltando aproveitar o bairro, pois corremos bastante para poder ver todos os pontos que interessavam. Talvez seja melhor visita-la em dois dias – há hotéis e pousadas na ilha, perfeitas para um pernoite – porém nem todos dispõem desse tempo.

Ficou mais atraente passar uma tarde aqui agora? (Parque Darke de Matos)

Lembrando que há destinos mais indicados para o banho de mar, Paquetá acaba sendo um destino menos procurado por turistas que gostam de praia – mas é mais tranquilo para passeios em grupos familiares, sendo um roteiro ideal para uma mudança no local do almoço em família. Se recomendamos o passeio? Sim, com certeza. E o melhor é que este é um dos mais adaptáveis roteiros para se fazer pelo Rio. Então, escolha o modo mais adequado ao seu tempo e sua vontade e aproveite.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.

  • Alessandro Rodrigues Nunes

    Excelente post Geisy. Parabéns!!!

    • Geisy Almeida

      Obrigada, Alessandro! Espero que curta nossos outros posts com dias e roteiros! 🙂