Catedral de São Sebastião: roteiro de fé e cultura no Rio de Janeiro


Lar da estátua do padroeiro da cidade, a Catedral de São Sebastião é passagem obrigatória de qualquer turista que venha visitar o Rio de Janeiro. Sua localização, ali pertinho da Lapa e a sua noite animada e da estação final do bondinho de Santa Teresa, a igreja pode passar despercebida pela maioria dos cariocas. O centro financeiro da cidade fica a 10 minutos de caminhada – além de vários prédios de companhias importantes estão no entorno – a visita é quase sempre negligenciada pelos apressados cidadãos que cruzam a Avenida Chile em direção ao trabalho.

Uma breve história do padroeiro

Há certa controvérsia sobre a origem do santo (nascido na Itália, sua data de nascimento e serviço militar são muito distantes da data em que era comum a punição que o martirizou), mas ele é conhecido por ter sido um soldado romano cristão numa época em que estes eram perseguidos pelo Império Romano. Mesmo sendo próximo dos imperadores – fazendo parte, inclusive, da guarda pessoal do imperador – não foi poupado: por sua conduta branda com os cristãos, foi julgado traidor e condenado à execução por flechas. Esta é a marca do santo: representado amarrado a um tronco e ostentando as flechas de seu martírio, ainda assim não morreu. Encontrado vivo, foi curado e continuou a defender os seguidores de Cristo. Condenado novamente, foi açoitado até a morte.  Hoje é conhecido como o Defensor da Igreja e é padroeiro de diversas cidades brasileiras – inclusive está no nome oficial da cidade maravilhosa: São Sebastião do Rio de Janeiro. Comemora-se o seu dia em 20 de Janeiro, e aqui na cidade é feriado. Uma procissão em homenagem ao santo percorre alguns bairros da cidade, com a estátua saindo da Igreja dos Capuchinhos (na Tijuca) até chegar de volta à catedral, onde uma missa é celebrada. Os fiéis costuma usar vermelho, a cor associada a São Sebastião.

A construção

Terminada em 1972 e com missa celebrada no mesmo ano, a Catedral Metropolitana tem seu verdadeiro marco de inauguração em 1979 com a celebração da missa de Dedicação do Templo realizada por D Eugênio Salles. Firmou-se, então, a catedral da cidade – que, até então, usava de outras igrejas como sede. Em estilo moderno, tem formato cônico cuja base tem 106 metros de diâmetros (que comportam até 20 mil fiéis em pé), 75 metros de altura externa e 64 metros de altura interna, e quatro lindos vitrais que sobem pelas paredes do prédio até o teto. De fora, principalmente durante o dia, esses vitrais ficam escondidos dos olhos mais atentos pois se camuflam na estrutura de concreto. À noite, a iluminação especial também dificulta a visualização das quatro obras (lembrando que a ideia de um vitral é justamente causar no fiel a sensação da luz divina, da beleza da fé; portanto, a melhor visualização é de dentro da igreja).

A estátua do papa João Paulo II fica à frente da entrada principal

O formato exótico, projeto do arquiteto Edgar de Oliveira da Fonseca, teria sido inspirado em uma nave espacial; porém há semelhanças também com as pirâmides maia. Como toda arquitetura dedicada à igreja, esta também tem o objetivo de reforçar a fé: a cruz do teto irradia as quatro características da Igreja representados pelos vitrais verde (Una) , vermelho (Santa), amarelo (Católica) e azul (Apostólica); a equidistância de uma base circular significa que todos tem semelhante chance de aproximação de Deus. Interessante, não? A icônica arquitetura é arrematada pela inusitada torre sineira, que é composta por vários anéis empilhados em uma estrutura vazada e as esculturas do papa João Paulo II e de Madre Teresa de Calcutá à entrada.

Dentro da catedral

Após passar pelos belos portões de bronze, a catedral se abre imensa para o visitante. Sua forma circular e sua enormidade deixam pequenas as estátuas de São Francisco de Assis e do Sagrado Coração de Jesus, ambas em bronze, de Humberto Cozzo. A visitação acontece sem problemas mesmo em horário de missa: nossa visita ocorreu num domingo pela manhã, e ouvíamos todo o rito sem que houvesse um padre celebrando no altar principal. Depois de andar e descobrir as belezas do altar, da pia batismal e dos maravilhosos vitrais, percebemos que a missa acontecia na Capela do Santíssimo, localizada logo atrás do gigantesco altar-mor. Uma ideia inteligentíssima para manter a privacidade dos fiéis em oração e atrair o público que não tem interesse de participar da celebração. Há ainda, no subsolo da igreja, um museu de arte sacra. Inaugurado em 2001, conta com mais de 5 mil peças no acervo, entre pinturas, esculturas, utensílios religiosos e até indumentárias.

Os arredores

Chega-se facilmente à catedral: localizada na Avenida Chile, uma das principais vias do Centro do Rio, fica a 5 minutos de caminhada da estação Carioca do metrô. Diversas linhas de ônibus passam pelo local, e basta que se estenda a caminhada por mais alguns quarteirões que se chega à Rua do Lavradio (onde, todo mês, ocorre uma famosa feira de antiguidades), a Cinelândia e a Lapa. O ponto final do bondinho de Santa Teresa também fica ali perto, assim como não é tão distante chegar ao coração financeiro do Rio de Janeiro. Ainda assim, é mais fácil ver turistas chegando para conhecer o monumento do ver cariocas tirando um tempinho do seu cotidiano corrido para visita-lo. Por ter sido uma área por anos abandonada, era compreensível que se torna-se uma região a ser evitada. Porém, após a revitalização do Centro, a área voltou a ser “transitável”. Costuma haver patrulha policial regular, portanto é uma boa pedida para incrementar o seu passeio pela cidade.

A bela iluminação noturna destaca a igreja e a torna reconhecível de qualquer lugar

Em verdade vos digo: não perdeis mais tempo! Se estiveres pelo Rio de Janeiro aproveitando as férias (ou o horário de almoço), vale a pena visitar a impressionante obra. Um lugar silencioso e tranquilo em meio à agitação de trabalho e trânsito intenso, um lugar para a reflexão e admirar a arquitetura e a beleza das obras ali expostas. Independente de acreditar na fé, as igrejas e templos religiosos costumam ser lugares interessantes de se visitar em qualquer cidade. Não se esqueça de preparar um pedido – há uma tradição de se fazer um pedido especial a cada vez que se entra em uma igreja pela primeira vez – e bom passeio!

Galeria de fotos

Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro – Av. Chile, 245 – Centro.
Visitas: todos os dias das 7:00 às 17:00 horas.
Secretaria: Segunda a sexta, das 08h às 12h e das 13h às 17h. Sábados, das 08h às 12h.
Horário de visita ao Museu Arquidiocesano de Arte Sacra. Quartas, das 9h às 12h e das 13h às 16h; sábado e domingo das 9h às 12h. Em outros dias, visitas somente pré-agendadas.
Mais informações no site oficial.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.