Coisa de novela! 10 cidades que só existem na TV


A expressão “é coisa de novela” é o mesmo que afirmar que aquilo não existe. Mas não é porque não existe que vai deixar de ser bacana, não é? Aproveitando que Vamp (1991), uma novela de Antônio Calmon, acaba de ser adaptada para os palcos – Vamp, O Musical estreia no Rio de Janeiro em 17 de março – listamos as dez cidades que só existem nas novelas, mas que marcaram a história da televisão brasileira – e que a gente adoraria ter como conhecer.

Armação dos Anjos, Vamp (1991)

Sabe aquele clima sombrio e frio, tipicamente estrangeiro, que nós costumamos associar com os vampiros? Esqueça! Vampiros são divertidos, assustadores, e resolveram vir morar no Rio de Janeiro, perto da praia. Na trama, a pacata cidade balneária de Armação dos Anjos torna-se palco de estranhos acontecimentos. A cantora e vampira Natasha (Cláudia Ohana) escolhe o local para a gravação de seu clipe e lá encontra a reencarnação de um amor do passado, o capitão Jonas Rocha (Reginaldo Faria). Mas o Conde Vlad (Ney Latorraca), que transformou Natasha, não irá desistir de sua amada tão facilmente.

Asa Branca, Roque Santeiro (1985)

Um dos motivos para Asa Branca estar nesta lista é ser a cidade do icônico casal Sinhozinho Malta (Lima Duarte) e Viúva Porcina (Regina Duarte). Uma das novelas mais famosas e bem sucedidas do país, Roque Santeiro chegou a ser impedida de ir ao ar em 1975: somente 10 anos depois, com o fim da ditadura no país, é que pode ser veiculada. Usando a cidade como uma metáfora para o país e a situação política numa história em que os políticos e poderosos lutam para ocultar a verdade do povo para não perder os benefícios que obtém com a fama do (falso) santo Roque Santeiro, a novela de Dias Gomes é considerada uma das melhores obras da teledramaturgia brasileira.

Brogodó, Cordel Encantado (2011)

Quando a gente fala de reinos encantados, com direito a princesa que não sabe da sua realeza, logo vem à mente um cenário europeu. Pois em Cordel Encantado, novela de Duca Rachid e Thelma Guedes, Brogodó fica em pleno sertão nordestino. Primeira novela rodada em 24 quadros por segundo (uma técnica de cinema) e com cenários, figurino e fotografia primorosos, o resultado é um deleite para os olhos! Sucesso do horário das 18h, a novela agradou tanto ao público quanto à crítica. A cidade é palco do amor de Jesuíno (Cauã Reymond) e Açucena (Bianca Bin). Eles tem que enfrentar a inveja e o ciúme de Timóteo (Bruno Gagliasso) enquanto lidam com mistérios do passado de ambos que podem por em risco a felicidade do casal.

Greenville, A Indomada (1997)

“Oxente, my God!”. Quem não se lembra da decadente e desvairada Maria Altiva Pereira de Mendonça e Albuquerque e seu impagável bordão? Há ainda muitas outras coisas pra se lembrar, como misterioso Cadeirudo – o terror das moças que andavam sozinhas à noite pela cidade, o anjo Emanoel (Selton Mello), ou ainda das camélias da Casa de Campo de Zenilda (Renata Sorrah).  Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares criaram a cidade que se orgulhava de ser “um pedaço da Inglaterra no Brasil” – e praticamente um novo idioma ao misturar português com sotaque nordestino com inglês, a característica mais marcante da novela. A trama sobre decadência, vingança e amor, girava em torno de Helena (Adriana Esteves), que volta da Inglaterra para cumprir uma promessa de casamento com Teobaldo Faruk (José Mayer) e se vingar daqueles que destruíram sua família.

Pontal D’Areia, Mulheres de Areia (1993)

A versão de 1993 da novela de Ivani Ribeiro se passa na cidade de Pontal D’Areia – e esta foi praticamente a única mudança do enredo em comparação à trama de 1977 (Eva Wilma deu vida às protagonistas, que viviam na também fictícia Itanhaém). A história da disputa entre as gêmeas Ruth e Raquel (Glória Pires) pelo amor de Marcos Assunção (Guilherme Frota) é um clássico popular. Idênticas na aparência e completamente diferentes no caráter, as irmãs passam por todo o tipo de situação (muito por conta das armações de Raquel, a gêmea má) e agitam o calmo povoado pesqueiro que tem as belas praias embelezadas pelas esculturas de areia de Tonho da Lua (Alexandre Frota).

Resplendor, Pedra Sobre Pedra (1992)

Inspirada em Lençóis, BA, a cidade de Resplendor foi criada por Aguinaldo Silva para sedimentar o seu próprio estilo: o do realismo fantástico. Pequena porém nada pacata, a cidade está dividida entre o poder das famílias Pontes e Batista, famílias que se odeiam depois que Pilar Batista (Renata Sorrah) e Murilo Pontes (Lima Duarte) não se acertaram no altar quando jovens. Seus filhos viverão um amor à la Romeu e Julieta, enquanto as mulheres casadas da cidade viverão um pitoresco caso de amor com o fotógrafo e conquistador Jorge Tadeu (Fábio Jr.) – até depois dele morto!

Roseiral, Alma Gêmea (2008)

E para falar de amor através dos tempos, numa fábula de reencarnação, Walcyr Carrasco criou a cidade de Roseiral para abrigar o botânico Rafael (Du Moscovis) e as duas vidas de seu amor verdadeiro. Ao perder sua esposa, a bailarina Luna (Liliana Castro), ele se fecha para o mundo e se dedica ao cultivo das rosas – porém não pode fugir ao destino quando encontra Serena (Priscila Fantin), uma mestiça que desde criança sonha com rosas brancas como as que ele cria. Mas Cristina (Flávia Alessandra), prima de Luna, não está disposta a permitir que sua fortuna e seu amado sejam novamente “roubados” dela. Além da trama principal, quem roubou a cena foi a caipira Mirna (Fernanda Souza), que só queria arrumar um marido, mas tinha que enfrentar a marcação cerrada do irmão ciumento Crispim (Emílio Orciollo Neto) – que não pensava duas vezes antes de atirar os pretendentes dela no chiqueiro!

Sucupira, O Bem-Amado (1973)

Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) é a encarnação do político falastrão e idolatrado pelo povo que ele engana. Na história de Dias Gomes, Sucupira, a cidade da qual ele é prefeito, precisa que se inaugure o cemitério – mas, para infortúnio do prefeito, ninguém morre. Inconformado, ele arma planos dos mais maquiavélicos e mirabolantes para conseguir, enfim, realizar a obra de seu mandato. Como nada dá certo, ele contrata o matador Zeca Diabo (Lima Duarte) – e espera que este possa ajudá-lo na empreitada. Uma ótima alegoria dos políticos que criam problemas para poder resolvê-los, a novela de Dias Gomes deixou galeria de personagens memoráveis – e a própria cidade tornou-se um dos mais importantes.

Tubiacanga, Fera Ferida (1994)

A obra de Lima Barreto foi o ponto de partida para Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Morehtzon criarem a cidadezinha de Tubiacanga. Motivado pela vingança, Feliciano Júnior (Edson Celulari) sob o nome de Raimundo Flamel e tem um segredo que vai movimentar o lugar: alquimista, Flamel alega ser capaz de transformar ossos humanos em ouro. A cidade fica em polvorosa, a cobiça do prefeito Demóstenes (José Wilker) e do Major Bentes (Lima Duarte) levam o forasteiro a acreditar que seu plano vai dar certo, mas tudo pode ir por água abaixo se Linda Inês (Giulia Gam), filha de Demóstenes e seu amor de infância, descobrir sua verdadeira identidade. Como curiosidade, Tubiacanga foi a maior cidade cenográfica criada para uma novela pela Rede Globo: o terreno de 30 mil metros quadrados incluía um rio artificial e uma ponte de ferro; hoje, foi transformado no atual Projac.

Vila de Santa Fé, Meu pedacinho de chão (2014)

A charmosa cidade do interior parecia saída de um conto-de-fadas, com cores chamativas, visuais extravagantes e cenários pitorescos. O visual encantador e quase lúdico da novela chamou a atenção dos telespectadores (e isso em ano de Copa do Mundo aqui no Brasil!) e tornou-se um marco. Escrita por Benedito Ruy Barbosa, foi uma novela curtinha: em apenas 96 capítulos, conta a história da professora Juliana (Bruna Linzmeyer), recém-chegada à Vila de Santa Fé, e como a educação que ela promove revoluciona o lugar e as pessoas que nela vivem. Eu assisti à novela por causa da belíssima e inovadora fotografia, mas confesso que me diverti acompanhando as tramas paralelas. Era fofo demais acompanhar Zelão (Irandhir Santos) apaixonado pela professora, que já estava namorando o doutor Renato (Bruno Fagundes), assim como era divertido ver as brigas do Coronel Epa (Osmar Prado) e seu arquirrival Pedro Falcão (Rodrigo Lombardi) – além de torcer pro casal Gina (Paula Barbosa) e Ferdinando (Johnny Massaro) se entender.

Bônus: Serro Azul

Essa cidade curiosa entra na lista por não estar em nenhuma novela, mas ser citada em várias outras. Teoricamente situada em Minas Gerais, Serro Azul é descrita como a cidade grande “vizinha” de Tubiacanga, Resplendor, Greenville e Porto dos Milagres – todas cenários de novelas de Aguinaldo Siva. Há rumores de que ela seja palco da nova trama do autor, mas só o tempo dirá se ela finalmente será retratada na tv.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.