Como (sobre)viver nos blocos de Carnaval do Rio


Já pintou o verão, aquele calor no coração, e a magia colorida do carnaval começa, oficialmente, nos próximos dias – mesmo a gente já tendo queimado a largada e começado a curtir um pouco antes. Esse é aquele momento em que as ruas, calçadas e praças viram o palco dos blocos e das pessoas.

Tem certa magica no carnaval e essa é minha época preferida do ano. A cidade vibra numa energia diferente, é bonito ver as pessoas indo para as ruas cheias de brilho e com o sorriso solto em meio a tantos e tantos problemas que temos na vida – fora que tocar em bloco é a coisa mais deliciosa do mundo, uma troca de energia inexplicável com o público. Se existe algo mais arrepiante que aquele povo todo cantando junto com a bateria de um bloco, desconheço! Eu recomendo a todo mundo que experimente, pelo menos uma vez, entrar em uma oficina de percussão de algum bloquinho de carnaval para entender tamanha emoção e a satisfação que tudo isso proporciona.

Desfile do Multibloco no carnaval de 2016 – Foto: PH de Noronha

Como já tô nessa de viver a folia do carnaval há um tempo, a pedido das meninas do Roteiro Adaptado vim aqui deixar algumas dicas de sobrevivência pra que você aproveite todos os momentos dos blocos do Rio sem passar nenhum perrengue.

1 – Alimente-se bem

Parece besteira e “coisa de mãe” dizer isso, mas, na agitação de correr pro bloco, muitas vezes saímos sem comer direito ou deixamos pra comer no caminho. Nessa época do ano faz um sol pra cada um, os blocos são muito cheios e começamos a beber muito cedo. Logo a pressão cai e… Teto preto!

Para não passar mal, tome um belo café da manhã antes de sair de casa ou passe naquela padaria maneira do bairro porque, provavelmente, você vai ficar muito tempo sem comer entre um bloco e outro – ou vai esquecer de comer (né, quem nunca?).

2 – Faça um “Waze dos Blocos”

Se programar direitinho, todo mundo curte quantos blocos quiser. Faça uma lista dos blocos que você quer ir e compartilhe com os amigos. Peça para eles acrescentarem as opções deles, também, e no final façam um filtro daqueles em que realmente vocês pretendem ir. Uma coisa que ajuda bastante é criar grupos no WhatsApp ou Facebook para dividir os horários e itinerários dos blocos, assim todo mundo fica ligado nas boas do dia sem ter ruído de comunicação.

Uma outra dica é usar os aplicativos com guia de blocos disponíveis na App Store/Google Play. Normalmente os horários são certinhos e a rota deles estará sempre à mão. Ah!, e outra coisa: se o bloco tá bom, não saia dele. O tempo perdido no deslocamento é um tempo precioso em meio a tanta coisa acontecendo no mesmo horário.

Cordão do Boitatá – Um dos cordões mais tradicionais do carnaval carioca

3 – Fique ligado nas redes sociais

Já tem um tempinho que tem rolado uns “blocos secretos” no carnaval do Rio: a divulgação é feita boca a boca e o local e horário em que vão sair são um segredo. A grande maioria, se não todos, não possuem autorização da prefeitura para sair pelas ruas e, por isso, se comportam dessa forma para não dar confusão.

Blocos como o Vem Cá Minha Flor, Bunytos de Corpo, Viemos do Egyto e VamoET costumam divulgar os horários de concentração e cortejo em suas redes oficiais em cima da hora, estejam atentos.

4 – Menos roupa, mais brilho

Escolham fantasias fresquinhas e ABUSEM da purpurina. Dá muito trabalho usar roupa pesada no calor, é confuso para ir ao banheiro, a chance de esquecer uma parte da fantasia perdida em algum canto é maior… Então, assim: menos é mais.

*Aliás, xixi só no banheiro, viu? Além de render uma multa cara, ainda ajudamos a manter as ruas limpinhas.

Curtindo a folia sem preocupações!

5 – O bloco somos nozes

Deixei esse por último porque é bem importante. Sem público não há bloco de carnaval que exista. Cada umzinho presente ali faz parte do bloco, se torna o bloco. Seja gentil, pense no coletivo e tenha em mente que quem faz o bloco é o folião. Para que o carnaval seja lindo, é imprescindível que tenhamos em mente o seguinte:

  • Nunca, jamais, EM HIPÓTESE ALGUMA, pule a corda que separa a bateria do bloco do público. A corda não é área VIP e serve tanto para proteger os ritmistas de foliões um pouco mais alterados pelo calor e a cerveja, quanto para protegê-los de um possível acidente com algum instrumento – e acreditem, eles rendem machucados bem feios.
  • Os músicos precisam de espaço para tocar e ter gente caminhando entre eles pode desandar a música e o próprio bloco. Quer ficar mais próximo? Ajude fazendo uma corda humana, esse é o verdadeiro camarote do bloco.
  • Falando em músicos, muitos deles tocam durante muito tempo sem parar e o risco de desidratação nesse calorão é enorme – e, às vezes, uma realidade. Ofereça uma água, uma cerveja ou qualquer bebida a eles, se puder. Músico hidratado é músico feliz e bem disposto pra continuar tocando por mais tempo.
  • Olhe pro lado, olhe pro outro e olhe pro alto: muitos blocos possuem alas de pernas-de-pau. Cuidado com os pernaltas, dê passagem e não faça brincadeiras próximo a eles, o tombo lá de cima é bem feio.

    Pernaltas nos blocos cariocas, festa em todas as alturas!

  • Consideramos justa toda forma de amor, e toda forma de amor vale a pena. É isso.
  • “Não” sempre vai significar “não”. Só beija a gente quem A GENTE quiser. Ponto.
  • Respeite as mina, as mona e os mano. Respeito é bom e todos nós gostamos.
  • Lugar de lixo é no lixo. E evite garrafas de vidro – o descarte delas é mais difícil e, se jogadas na rua, podem machucar quem está curtindo.

No mais, acho que é isso. Sejam felizes, leves, purpurinados e conscientes. Espalhem sorrisos e cores, o carnaval é para todos. E segue o bloco.

Bom carnaval!

Escrito por:

Mariana Poppins

Publicitária por profissão, batuqueira de coração.


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