Como você visita museus?


Este post nasceu de curiosas observações feitas ao longo deste último ano em que aumentamos muito nossa frequência em museus (palmas para nós!). É uma situação recorrente que notamos, mas para ilustrar melhor, vou contar o caso que mais nos chamou atenção:

Então, estávamos Geisy Almeida e eu aproveitando nossa visita ao Museu Nacional, entretidas com uma das múmias quando uma moça entrou na sala que estávamos. Entrou, se posicionou na frente da múmia, bateu uma foto e saiu enquanto apontava para nós que aquele era o melhor ângulo para fazer a imagem da relíquia (também estávamos com câmeras na mão, para fazer este post aqui!). A passagem da moça durou menos de sessenta segundos, continuamos nosso passeio e não tornamos a vê-la. Ficou a curiosidade: será que ela foi lá só para tirar a foto da múmia?

A tal múmia, o ângulo da moça não redeu uma boa foto não!

Nunca descobrimos para onde a moça foi, ou o que mais ela fotografou por lá. Mas um detalhe curioso que já havíamos notado se tornou gritante e difícil de ignorar: as pessoas parecem estar mais interessadas em mostrar que estiveram nos museus, do que de fato visita-los. Nada contra tirar fotos (quando permitido), e contar para todo mundo nas redes que você esteve em um lugar legal (afinal a gente vive disso), desde que você tenha aproveitado o que realmente há de legal por lá. Certo?

Cada vez mais temos nos encontrados com os “velocistas” de museus, aquele pessoal que apenas passa por cada exposição, eventualmente parando para tirar fotos comprovadoras de sua passagem, mas sem de fato se ater a nada exposto. Eu sei, às vezes o tempo é curto e precisamos fazer ajustes na velocidade para compensar o passeio, nem tudo que está exposto é necessariamente do seu interesse, mas a quantidade de pessoas nesta “modalidade” chamou nossa atenção. Quando vemos a situação acontecer com famílias pequenos grupos (os grandes estão sempre presos à horários), tudo fica mais intrigante: será que ninguém ali é aquele primo curioso?

Sim fazemos selfies cliché, desde que o cenário compense!

Se resolvermos pensar na compulsão por registrar tudo então a coisa fica mais curiosa: passam mais tempo clicando que olhando. Será que vão reviver o passeio através das fotos? Não seria melhor aproveitar o agora? Ok, admito a gente também tira muitas fotos, afinal compartilhamos tudo aqui no blog. Mas confesso, as vezes a vontade é só visitar, sem parar para clicar tudo. Além disso, é impossível não lembrar dos incidentes em que visitantes ávidos por uma selfie acabam derrubando e danificando obras e se imaginar nessa situação.

Depois dessa breve reflexão fica a pergunta: como você visita museus?

Sempre podemos oferecer dicas de etiqueta:
1 – Não toque nas obras. A menos que se trate de uma exposição interativa;
2 – Só faça fotos se permitido, e geralmente o flash é proibido;
3 – Não fale alto. Mas também não precisa ter vergonha de debater uma obra de arte só porque não é um “entendido”;
4 – Se acha que não vai saber como explorar procure um panfleto informativo, áudio-guia ou uma visita guiada;
5 – Atenção às crianças, elas não escondem nem economizam o entusiasmo;
6 – Não monopolize as obras, seja admirando ou fotografando;

Produzindo conteúdo… antes passei cinco minutos brincando com a interatividade!

Mas não podemos dizer como você deve aproveitar o tempo que você passa em exposições. Também admitimos, que nós talvez demoremos demais (geralmente não queremos ir embora). Por isso só sugerimos, já que se dispôs a ir até lá, tente tirar o melhor proveito desse tempo e não apenas cumprir a lista do “já fui”. Talvez descubra algo que não esperava.

E aí? Como você visita museus?

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About Fabiane Bastos

Jornalista especializada em cultura, viciada em filmes, séries e livros não necessariamente nesta ordem. Adoraria poder visitar os mundos que só conhecemos pelas páginas e telas, ou chegar o mais próximo disso possível!