Conhecendo a Igreja da Candelária


Igreja da Candelária e seu lindo chafariz ligado

Igreja da Candelária e seu lindo chafariz ligado

Uma das mais antigas famosas igrejas do Rio de Janeiro, cobiçadíssima para casamentos dos sonhos (dizem que é uma das igrejas mais caras, porém glamorosas, para se realizar uma cerimônia), a Igreja da Candelária já foi palco de alguns acontecimentos importantes da História do nosso país: de visita real a massacre de moradores de rua. Mais recentemente, a igreja teve mais um evento para registrar em sua história: a pira olímpica oficial da Rio 2016 fora instalada na praça bem em frente ao monumento.

Localizada no centro comercial da cidade, é uma recordação dos tempos em que aqui era o porto principal do país: criada por viajantes portugueses (que, segundo a lenda, erigiram uma pequena ermida depois de sobreviver à uma tormenta em alto-mar), fora ampliada para receber o então príncipe regente (e futuro rei de Portugal) D. João VI. Uma joia de arquitetura neoclássica, mistura detalhes de outros estilos arquitetônicos em perfeita harmonia. A fachada é colonial e o interior é de estilo neo renascentista italiano, com muito mármore multicolorido, e barroco, com muita madeira e detalhes dourados.

Os murais são assinados por João Zeferino da Costa, professor da Academia Imperial de Belas Artes, e completam a ornamentação as pesadas portas em bronze, vitrais alemães e púlpitos em madeira esculpidos no estilo art nouveau. Disposta de frente para a Baía de Guanabara, sua planta é em formato de cruz latina, com a antiga cúpula da primeira fundação formando o trecho que hoje é a parte central e o altar-mor – logo abaixo da cúpula redonda. Quando da visita de D. João VI, ela já tinha a aparência que preservou até hoje.

Eventos políticos importantes também aconteceram nos arredores da igreja. Em 1984 fora palco de uma das maiores manifestações políticas da nossa breve história: em frente às portas da igreja, organizou-se um comício, que ficou conhecido como Comício da Candelária, onde cerca de 1 milhão de pessoas esteve presente pedindo eleições diretas. Para quem está fora do contexto, a ditadura tinha acabado e esperava-se que fossem instituídas eleições populares. Mas mesmo com a mobilização popular, foi uma eleição parlamentar quem elegeu Tancredo Neves como presidente do país. Em 2015 a população voltou a tomar as ruas em protestos contra a corrupção, e a concentração da mobilização (que se estendeu pela Avenida Presidente Vargas) aconteceu naquela região.

O prédio do CCBB-RJ fica bem pertinho: é só atravessar a rua

O prédio do CCBB-RJ fica bem pertinho: a Igreja fica no encontro das avenidas 1º de Março e Presidente Vargas

A memória mais trágica a respeito da igreja ficou conhecida como a Chacina da Candelária. Em julho de 1993, policiais militares abriram fogo contra moradores de rua que se abrigavam aos pés da escada da igreja. Dois adultos e seis menores foram mortos, e muitos outros adolescentes ficaram feridos. A brutalidade do crime chocou a sociedade, e acabou por ser o berço de outra tragédia que marcou os cariocas: Sandro Barbosa do Nascimento, um dos moradores de rua sobreviventes, foi o responsável pelo sequestro do ônibus 174.

Depois de manter os reféns por mais de 5h dentro do ônibus, abusando de violência e ameaças, a negociação deu errado. A operação que parou a cidade e com farta cobertura jornalística ao vivo terminou com a vítima, a professora Geísa Firmo Gonçalves (que servia de escudo para Sandro), morta. Sandro foi preso, mas chegou morto à delegacia – fora asfixiado na viatura durante o trajeto. O polêmico desfecho virou notícia internacional e ganhou as telonas. O documentário Ônibus 174, de José Padilha, e o longa Última parada 174, de Bruno Barreto, exploram a estória. Além disso, o programa investigativo Linha Direta (sucesso na tv nos anos 2000) teve um episódio dedicado à essa tragédia.

Detalhe da igreja e a pira olímpica

Detalhe da igreja e a pira olímpica

Mais recentemente, a Igreja da Candelária foi escolhida para ser um ponto turístico crucial das Olimpíadas Rio 2016. Bem no centro da Boulevard Olímpica, em frente à igreja, foi instalada a pira olímpica. Uma das poucas piras que ficou fora do estádio olímpico em toda a história dos jogos, o monumento foi um sucesso de público – o acesso, gratuito, garantiu o movimento na região da Zona Portuária recém-renovada. O efeito rotativo de suas hélices, que ampliavam o brilho da chama olímpica, era gerado pelo vento e fazia a alegria dos visitantes.

A Candelária, a pira olímpica, um monte de turistas e eu

A Candelária, a pira olímpica, um monte de turistas e eu

Por sua beleza e por toda a sua história, a Igreja da Candelária vale a visita. Às vezes esquecida pelos próprios cariocas, que cruzam as avenidas importantes que a circundam todos os dias, é uma pérola encrustada no Centro do Rio. Com a revitalização da área e o reforço na segurança local, aproveite para conhecer.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.