Crítica: “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”


A exemplo da saga “Harry Potter”, a franquia “Animais Fantásticos” dá sinais de que melhora com o tempo, não só por intensificar a mitologia criada por J.K. Rowling, mas por conseguir desenvolver tramas mais consistentes e interessantes passada a fase introdutória. Em “Os Crimes de Grindelwald”, as tais criaturas inusitadas a que Newt Scamander (Eddie Redmayne) se dedica com tanto afinco aparecem com mais parcimônia, dando espaço para o desenvolvimento dos personagens, e o roteiro ganha ritmo e cria bons suspenses para os próximos filmes da série.

O fio condutor da narrativa é o cruzamento dos interesses de quatro personagens: Grindelwald (Johnny Depp), apresentado no longa anterior, quer encontrar Credence (Ezra Miller); este, por sua vez, continua sua jornada, agora na Europa, atrás de sua verdadeira origem. Dumbledore (Jude Law) pretende impedir a qualquer custo este encontro potencialmente perigoso, e por isso incentiva o magizoologista a seguir para Paris atrás do jovem, mas Newt está mesmo interessado em se reaproximar de Tina (Katherine Waterston), agora auror e comprometida.

No lado mais sombrio, o bruxo das trevas e seus fiéis seguidores mostram desde o início que passam por cima de quem estiver no seu caminho para alcançarem seu objetivo. Mas, além da força, utilizam também de muita astúcia. Cada passo de Credence é vigiado de perto: exposto como uma criatura exótica num freak show parisiense, ele planeja sua fuga ao lado de Nagini (Claudia Kim), uma mulher-serpente, que está disposta a segui-lo.

O filho adotado de Mary Lou Barebone (Samantha Morton) consegue algumas pistas sobre seu passado, mas ainda está longe de respostas. Já o mistério em torno dela, motivo de curiosidades de muitos fãs de HP, porém, permanece durante todo o filme, dando a entender que sua trama será melhor trabalhada em outra sequência.

Entre os mocinhos, Dumbledore banca uma espécie de Mestre dos Magos, surgindo quando convém e acompanhando a ação apenas de longe. Num primeiro momento, parece se recusar a entrar na luta, mas logo é revelado que há algo mais forte que o impede, e seu envolvimento com Grindelwald está no centro da questão. O desenrolar dos fatos, porém, sugere que o professor de Hogwarts precisará mostrar efetivamente seu poder muito em breve.

Enquanto isso, a jornada de Scamander, acompanhado de Jacob (Dan Fogler) na capital francesa, garante algumas das cenas mais divertidas da história, a começar por seu interesse amoroso por Tina e sua já conhecida dificuldade de se expressar (impossível não rir quando o mais próximo que ele consegue chegar do assunto são… salamandras). Fofo, mas o romance não é nem de longe o foco da narrativa aqui. As questões que o magizoologista enfrenta, aliás, se revelam bem mais complexas do que ele próprio é capaz de prever.

Sua rivalidade com o irmão, Teseu (Callum Turner), e sua profunda ligação com Leta Lestrange (Zoë Kravitz) são postas à prova em momentos cruciais do filme – os mais tensos e também os mais tocantes. Em ambos, há algumas soluções forçadas no roteiro para encaixar todas as peças, mas as descobertas de alguns segredos bem guardados e as surpreendentes decisões de alguns personagens diante de um perigo iminente garantem a dose de emoção necessária para um bom desfecho. E tudo isso promove uma transformação e tanto em Newt, que começa a compreender seu papel diante de uma guerra que se anuncia.

Se o terceiro filme da franquia já contava com pistas suficientes a esta altura, o epílogo guarda uma revelação de peso, daquelas capazes de mobilizar dezenas de teorias entre os fãs: enfim, Credence tem acesso a informações sobre sua origem – ganha um nome e um sobrenome. Seriam eles verdadeiros? Sua fonte é confiável? São perguntas que ecoarão até “Animais Fantásticos 3” (que ainda ter o bônus de ser ambientado no Brasil!).

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About Giselle de Almeida

Carioca, jornalista, estudante de cinema, gauche na vida. Pareço legal, mas tento convencer os amigos a verem minhas séries favoritas