Crítica: O Estrangeiro


Uma explosão mata entes queridos de uma pessoa com “habilidades especiais”, que não vai descansar até que a justiça – ou vigança – seja feita. Você provavelmente já assistiu este filme com diferentes astros de ação. A diferença de O Estrangeiro, é que o protagonista habilidoso em questão é vivido por Jackie Chan, em um esforço para mostrar que pode ir além das lutas.

Quan (Jackie Chan) é um dono de restaurante chinês em Londres que vive para cuidar da filha Fan (Katie Leung, a Cho Chang de Harry Potter). Quando a menina é vitima de um atentado organizado por terroristas irlandeses(!), e o trabalho da polícia local se mostra lento de mais, ele sai em busca de respostas e consequentemente de justiça. Dificultando o já complicado trabalho do vice-primeiro ministro irlandês Liam Hennessy (Pierce Brosnan), que tenta abafar o caso enquanto defende seus interesses políticos.

O diretor Martin Campbell (007 – Cassino Royale), equilibra bem busca de Quan e a trama de política. Esta última, bastante elaborada para um filme do gênero, mas que não chega a ser excepcional. É provável que você descubra os culpados lá pelo meio da projeção, mesmo que não compreenda completamente a ligação entre eles. Mas tudo bem, pois é no carisma de Brosnan e principalmente de Chan que o longa se sustenta. E claro, na expectativa do embate entre eles que quando acontece, curiosamente não envolve ação, mas tensão criada por uma boa química.

Enquanto o “ex-007” entrega um político nada charmoso, apesar de sua persona. Chan surpreende ao assumir seus 63 anos, e deixar de lado o humor que víamos até nas lutas para dar vida a um homem que perdeu tudo. Sem mais nada a perder Quan assume uma falta de empatia, que em chega a ser catatônica em alguns momentos. Estado de torpor que desaparece, quando o personagem está em ação dando espaço à uma máquina com objetivos claros.

É uma pena apenas, que Campbell não tenha encontrado uma forma mais fluida de filmar seu astro de ação. A graça de ver Chan é acompanhar seus movimentos, o que a edição com excesso de cortes desfavorece. Por outro lado, talvez o estilo tenha sido adotado devido à idade do ator. Como o próprio longa faz questão de lembrar, o astro já está na faixa dos 60 anos, idade que pode desfavorecer as coreografias de lutas alucinadas, mas com certeza favorece o impacto dos golpes sofridos pelo personagem. Seja por atuação, ou efeito da idade, o sr. Quan, é mais pesado e demora a se levantar em muitos momentos, nos deixando preocupados com o sucesso de sua missão, e seu desfecho.

Baseado no livro The Chinaman de Stephen Leather O Estrangeiro, entrega o que promete e o faz muito bem. Uma pena a produção não ter encontrado um caminho para ir além dos estereótipos de filmes de ação. Mas é um bom exemplar do gênero que deve agradar aos aficionados por lutas, tiros e explosões.

O longa figurou nas listas de curiosidades aqui do blog antes mesmo de estrear! A produção utiliza um dos tradicionais e turísticos ônibus de Londres em uma cena de destaque, por isso entrou no post A versatilidade dos ônibus londrinos nas telas, corre lá para conferir!

Texto publicado originalmente no blog Ah! E por falar nisso…

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About Fabiane Bastos

Jornalista especializada em cultura, viciada em filmes, séries e livros não necessariamente nesta ordem. Adoraria poder visitar os mundos que só conhecemos pelas páginas e telas, ou chegar o mais próximo disso possível!