Crítica – Planeta dos Macacos: A Guerra


Humanidade esta é a chave para dominar o mundo na reinvenção da franquia Planeta dos Macacos. São aqueles que mantém a humanidade apesar das circunstâncias que garantirão o futuro da espécie. Nem preciso dizer, não são os humanos que conseguem tal proeza. Planeta dos Macacos: A Guerra começa alguns anos após os acontecimentos do longa anterior, O Confronto. E na verdade não trata de uma guerra, mas das consequências dela.

Após anos de conflitos constantes, a reconciliação entre humanos e símios parece impossível e ambos os exércitos estão combalidos e desesperançosos. Quando o incansável Coronel (Woody Harrelson) leva à batalha ao extremo, César (Andy Serkis) precisa encarar não apenas as responsabilidades de um líder, mas também o seu desejo de vingança.

Parece uma premissa simples demais, mas não é. Além da luta propriamente dita, o filme avança o arco de César. Mais velho e líder de um povo cansado pela guerra, ele se vê em um dilema entre seus princípios e a dor. É contestado por membros do clã, aconselhados por outros e precisa equilibrar razão e emoção para garantir a sobrevivência da espécie.

Do outro lado da batalha os humanos cheios de ódio pelo que perderam – vale lembrar que a maioria da população foi dizimada pelo vírus símio – tem cada vez menos compaixão e livre arbítrio. Chega a ser curioso observar o exército do comandante urrando e respondendo aos seu comandos automática e sincronizadamente, como uma manada bem treinada.

Andy Serkis com Cesar!

A escolha por desenvolver temas mais complexos, as dificuldades de cada grupo e a jornada de César pode desagradar aqueles que esperavam por um filme majoritariamente de ação. Afinal, além de ter guerra no título, o filme é a sequencia de uma produção que termina com a guerra declarada após um primeiro confronto grandioso. Mas, saltamos todo o período de guerra para acompanhar o desfecho, que vai determinar o futuro de ambas as espécies. E isso é infinitamente mais rico e interessante do que dois grupos digladiando na floresta.

Nada funcionaria no entanto, se os protagonistas não fossem verossímeis. Felizmente a tecnologia já eficiente nos longas anteriores continua evoluindo. Mesmo com poucos humanos em cena – este filme é o mais focado na sociedade símia, até porque a dos homens está em decadência – o realismo da interação é mantido. A pequena Amiah Miller, humana adotada por Maurice (Karin Konoval) parece realmente estar sendo carregada por um orangotango por toda a projeção. Além disso, há o trabalho de ator por trás da computação gráfica, boa parte do elenco retorna do filme anterior, parece confortável com a tecnologia e é eficiente em expressar os sentimentos dos personagens através do CGI. O novato Steve Zahn também chama atenção com seu divertido Bad Ape, o primeiro a usar roupas. O destaque fica é claro, para Serkis, já que a evolução de Cesar exige mais a cada nova aventura.

Karin Konoval e Amiah Miller, efeitos especiais eficientes!

Além da bastante expressiva Amiah Miller o único outro destaque humano é Harrelson. Seu Coronel cheio de rancor tem como único objetivo na vida exterminar os macacos. E embora tenha um motivo não apenas plausível, mas importante para o universo da franquia, justificando todo o ódio do personagem, ele ajuda e muito a aumentar ainda mais nossa empatia com seus alvos. Não que seja preciso ajuda para torcer para os símios, especialmente para aqueles que acompanham o reboot desde que César era um bebê.

Indo na contra-mão das expectativas (no bom sentido), Planeta dos Macacos: A Guerra abre mão do excesso de ação, e de cenas grandiosas que beiram a megalomania dos filme do gênero atualmente, para entregar uma história mais rica. Bons personagens, arcos bem desenvolvidos e explicações plausíveis criam uma origem mais concisa e interessante para o outrora confuso universo da franquia símia. O longa também aponta que “humanidade” pode não está necessariamente atrelada à condição humana e abre caminho para o nascimento sociedade complexa que comanda o Planeta dos Macacos original.

Woody Harrelson: humanos desumanos!

Texto originalmente publicado no blog Ah! E por falar nisso…

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About Fabiane Bastos

Jornalista especializada em cultura, viciada em filmes, séries e livros não necessariamente nesta ordem. Adoraria poder visitar os mundos que só conhecemos pelas páginas e telas, ou chegar o mais próximo disso possível!