Crítica – Thor: Ragnarok


Nada mais de pompa e circunstância shakespeariana! Embora os conflitos familiares ainda estejam no centro dos conflitos das aventuras do Deus do Trovão da Marvel, Thor: Ragnarok chega com uma roupagem nova do herói asgardiano.

Começamos a trama com Thor (Chris Hemsworth) e Loki (Tom Hiddleston) voltando para a Terra à procura de Odin (Anthony Hopkins) às vésperas da chegada de Hela (Cate Blanchet). A poderosa deusa deve cumprir a profecia do Ragnarok e destruir Asgard. Ela começa banindo Thor para um planeta desconhecido.

Melhor no timing de comédia que como herói de ação, Hemsworth é protagonista de um longa tão assumidamente bem humorado que poderia ser facilmente classificado apenas como comédia. A aventura acerta ao usar o bom humor para construir a relação entre os personagens – a começar pela competitiva amizade entre Thor e Hulk (Mark Rufalo). O gigante verde aqui é mais do que a máquina de destruição monossilábica dos longas anteriores, e a disputa entre a personalidade do monstro e seu “médico” Bruce Banner também dá um passo a frente.

Thor e Hulk: amigões!

Já Loki, um pouco (mas não muito) mais realista depois de algumas derrotas, continua sua evolução de grande vilão para antagonista ambíguo: um anti-herói em construção, sempre apoiado no grande carisma de seu intérprete e na excelente química entre Hiddleston e Hemsworth.

Quem sai perdendo com tanto “bom humor”, no entanto, é a tensão. Se os filmes da Marvel nunca tiveram seu forte nas ameaças e suas consequências, este é o que transmite menos a sensação de ameaça e urgência justamente por causa de seu tom cômico. Por mais imponente e ameaçadora que Hela (Cate Blanchet, “divando”) pareça, a sensação é de que a malvada nunca chega nem perto de atingir o máximo de seu potencial de vilania apesar de matar exércitos inteiros e dizimar um planeta.

Cate + vilania = diva!

O mesmo vale para a relação entre personagens, construída mais por piadas que por sentimentos. A não ser por um breve luto por um personagem morto, ninguém fica realmente triste, preocupado ou com medo sem que uma piadinha interrompa o clima.

De volta aos pontos fortes, o visual vivo e multicolorido (uma referência assumida à Jack Kirby), encaixa perfeitamente com o tom abraçado pela produção, mais ágil e cômico que os dois longas anteriores do herói. O mesmo vale para a trilha sonora que traz de volta Imigrant Song do Led Zeppeling, já acertadamente usada nos trailers, e viaja até A Fantástica Fábrica de Chocolates de 1971, com Pure Imagination para apresentar o “mundo mágico” comandado pelo Grão Mestre de Jeff Goldblum. Colorido, ameaçador, meio lunático e de visual icônico, a referência com Willy Wonka é uma piada divertida para os cinéfilos de carteirinha e uma boa apresentação para o personagem. Apenas a trilha incidental peca em ser intrusiva demais em alguns momento, tentando talvez imprimir uma tensão que a comédia não permite.

Loki e Thor, conflitos familiares continuam

Completam a lista de novos personagens, o pouco memorável Skurge (Karl Urban), o próprio diretor Taika Waititi em uma ponta como Korg (um gladiador de pedra) e uma Valkíria (Tessa Thompson) suprindo a necessidade de “girl power”. Heimdall (Idris Elba) está de volta, e o longa conta com a participação especial do Dr. Estranho (Benedict Cumberbach), como esperado desde a cena pós-créditos do longa do mago. Mas procure também por outras participações especiais inusitadas.

Thor: Ragnarok ainda não está livre da fórmula Marvel, mas descobriu que pode arriscar uma nova roupagem para seus personagens já estabelecidos. Não é perfeito, mas tem mais acertos que erros; é visualmente deslumbrante, diverte e dá novo fôlego às aventuras do Deus do Trovão.

P.S.: Como de costume, não saia antes do fim dos créditos!

Super-equipe? Não de verdade!

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About Fabiane Bastos

Jornalista especializada em cultura, viciada em filmes, séries e livros não necessariamente nesta ordem. Adoraria poder visitar os mundos que só conhecemos pelas páginas e telas, ou chegar o mais próximo disso possível!