Descobrindo o Palácio do Itamaraty e seu Museu Histórico e Diplomático


Muitos cariocas passam por ali todo dia e não fazem ideia: o Palácio do Itamaraty, uma construção de 1851 escondida entre os muitos prédios históricos e oficiais, fica bem no centro do Rio de Janeiro e está aberto à visitação (gratuita). O edifício e seus prédios anexos abrigam, o escritório de representação do Ministério das Relações Exteriores no Rio de Janeiro, o Escritório de Informações das Nações Unidas no Brasil, o Centro de História e Documentação Diplomática da Fundação Alexandre de Gusmão, além dos acervos do Arquivo Histórico, da Mapoteca e o Museu Histórico e Diplomático. É este último que podemos visitar.

O museu fica há uma quadra de distância da Central do Brasil. Saindo da estação de trem (ou a Central do metrô), caminhe por uns cinco minutos pela calçada do Palácio Duque de Caxias. Atravesse uma rua e no quarteirão seguinte você não vai ter dificuldades em reconhecer um palácio em estilo neoclássico com fachada cor de rosa.

A menos você esteja em um grupo grande, não precisa marcar horário para as visitas guiadas, que acontecem entre 11h e 13h.  Também não é obrigatório estar acompanhado de um guia, mas nós recomentamos muito que o faça: já que a procura é pequena, você ganha um “guia exclusivo”, e eles sabem os detalhes mais curiosos da história da casa e das peças expostas nela. Atenciosos e cheios de disposição, eles vão te contar tudinho – se você estiver disposto a ouvir, claro!

Agora aquela pausa para história…

Biblioteca e espelho d’água nos fundos do Palácio. O edifício recebe eventos privados, e estava acontecendo um na manhã de nossa visita.

O prédio foi construído entre 1851 e 1855 por Francisco José da Rocha Leão, conde de Itamarati, para servir como casa de festas da família – e, pasmem, só uma festa foi realizada ali! O projeto é de José Maria Jacinto Rabello, aluno do arquiteto Grandjean de Montigny. Foi sede da Presidência da República entre 1889 e 1897 (quando esta foi transferida para o Palácio do Catete). Depois disso serviu de sede do Ministério das Relações Exteriores até 1970 quando o órgão, que acabou ficando marcado com o nome do palácio, foi transferido para Brasília, e também nomeou o prédio de lá! Com o passar do tempo, também foram construídos edifícios anexos jardins extras e até um espelho d’água.

Apenas algumas áreas do prédio original estão abertas à visitação do público, mas é mais do que suficiente. Além disso, podemos observar os jardins, prédios e os gansos (!) que vivem no tal espelho d’água das muitas janelas da construção.

De volta à exposição…

Uma bela escadaria de pedra sob um teto abobadado é a primeira atração do passeio que levam ao segundo andar onde está a maior parte da exposição. Algumas salas tem a decoração original como a “modesta” sala de espera, coberta de tecido do teto ao chão, ou o luxuoso salão de festas. Daqueles com direito a espelhos e candelabros gigantescos (confere lá na primeira imagem deste texto!).

Salinha de jantar modesta, essa peça luxuosa de ouro aí é para colocar os pratos a serem servidos

Tem também aqueles cômodos que preservam decorações de outros períodos históricos importantes, como a sala em que trabalhou, viveu e morreu (sim, ele dormia e acabou morrendo no escritório) José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco. Além de móveis e objetos do diplomata, a sala tem inscritos nas paredes em todo seu entorno ressaltando o ilustre dono. Impressiona também a sala de jantar nos fundos do prédio que tem paredes ricamente adornadas com pinturas e termina em uma varada com vista para o jardim. Perguntem sobre o elaborado aparador e a mesa expostos lá, tem bastante histórias sobre eles.

Nas outras salas, há uma coleção enorme que inclui, móveis, pinturas, documentos, livros, prataria, louças, cristais, objetos pessoais, retratos, esculturas. A lista é longa! Dentre os itens, o que mais chamou a atenção está no escritório do Barão do Rio Branco: uma réplica  do quadro Paz e Concórdia de Pedro Américo, aquele mesmo do quadro O Grito do Ipiranga (o original está no MASP, mas é muito menor que a versão carioca!). A obra retrata de forma bem rebuscada o fim do império e a chegada da república.

Réplica do quadro de Pedro Américo na sala do Barão do Rio Branco.

E por falar em império, já mencionamos o Palácio do Itamaraty aqui no Roteiro Adaptado. O complexo serviu de locações para o primeiro capítulo da novela Novo Mundo. Confira com mais detalhes neste post!

Infelizmente, o detalhe que mais chamou atenção no passeio foi o estado de conservação do Palácio. Carente de reformas e restaurações, muitas de suas características e peças originais, como os tecidos e pinturas que adornam as paredes, tapetes e cortinas estão se perdendo. Se muita gente nem sequer sabe que o museu existe, menos pessoas ainda estão cientes de sua deterioração. Então termino este post com um convite: vá conhecer o Museu Histórico e Diplomático, conheça suas peças incríveis e espalhe a notícia do que há de interessante por lá e de que mais um de nossos patrimônios precisa de cuidados.

Museu Histórico e Diplomático – Palácio do Itamaraty
Avenida Marechal Floriano, 196 – Centro
Segunda a sexta-feira, das 10h às 17h (visitas guiadas 11h às 13h) – Grátis
Telefones para informações e agendamentos (grupos) – (21) 2253-2828/ 2253-7691

A varanda do Palácio e algumas peças em exposição!

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About Fabiane Bastos

Jornalista especializada em cultura, viciada em filmes, séries e livros não necessariamente nesta ordem. Adoraria poder visitar os mundos que só conhecemos pelas páginas e telas, ou chegar o mais próximo disso possível!