Do Ópera à torre Eiffel: uma caminhada pelos principais destaques de Paris


Há tantas coisas para se ver e viver em Paris que fica complicado ver tudo mesmo. Parte de se construir um bom roteiro de viagem é exatamente decidir o que fazer. Mas e aquela emoção de descobrir um lugar simplesmente por andar por aí? O cansaço da viagem inteira já havia me encontrado, mas mesmo assim eu resisti: ainda tinha muito o que ver. O hotel onde estava ficava muito perto da Ópera de Paris, e dali para a Place Vandôme ou o museu do Louvre não demorava nadinha. Como já havia rodado a cidade de ônibus panorâmico e tinha um mapa em mãos, sabia que muitos pontos de interesse turísticos estavam ali perto. Foi quando tive a brilhante ideia de ir do hotel até a torre Eiffel a pé.

Bienvenue! Vouz êtes en France!

Eu só esqueci de dois detalhes: eu sou sedentária e estava acompanhada por duas senhoras idosas. Mas, ao contar para elas o plano, elas se animaram. E como devagar se vai ao longe, a loucura rendeu um dia para nunca esquecer: aprendi que distância é algo bastante relativo, o verão francês pode ter dias bem quentes, carregar muitas câmeras para um passeio tão longo é um sacrifício danado (mas vale a pena!) e tudo é recompensado quando a gente, enfim, chega à torre e ela se acende. Conheçam agora o meu infalível mapa da canseira, digo, meu roteiro improvisado.

Ópera de Paris

O Palais Garnier hospeda a Ópera de Paris (Academia de Ópera, instituição de arte) desde 1875. Depois da inauguração da Ópera da Bastilha, passou a ser chamado também de Ópera Garnier, mas seu nome mais famoso ainda é “Ópera de Paris” ou simplesmente “L’Ópera”. Se você se lembrou do romance “O fantasma da ópera”, saiba que foi inspirado na história da construção desse prédio que nasceu a clássica obra.

Ópera Garnier: o início da jornada

Do meu hotel até ali, foram menos de cinco minutos de caminhada. Nem reclamei, porque no caminho paramos numa lanchonete e reforçamos o café da manhã com croissants deliciosos. Depois de posar para a foto clássica à frente do belíssimo prédio, pegamos a Rue de la Paix para a Praça Vendôme (Place Vendome).

Praça Vendôme

Praça Vendôme: a praça mais luxuosa de Paris

Uma praça quadrada cercada por prédios cujas fachadas são classificadas como monumento histórico e, bem no centro, a Coluna de Austerlitz homenageia a vitória de Napoleão Bonaparte na cidade suíça de mesmo nome. Apesar da história, a grande atração mesmo são mesmo as lojas. Além das muitas joalherias e hotéis de luxo, marcas como Dior, Cartier, Rolex, Louis Vitton, Tiffany & Co. e Chanel tem espaçosas e luxuosas lojas nos prédios da pequena praça e nas ruas do entorno. Para todo lado, muito luxo. Devo avisar que passear por ali pode causar sensação de pobreza – mas dá para sobreviver. Seguindo em frente pela Rue de Castillione e chegamos ao Jardim das Tulherias.

Jardim das Tulherias

Jardim de Tulheria: parque público perfeito para fugir do calor

Pode ser implicância minha, mas eu prefiro a pronúncia francesa: jardin des Tuilerie (algo como “jardã de tuiêrrí”). Independente da forma como você chamar, o lugar é lindo! Bem em frente ao museu do Louvre, estende-se desde o museu até a Praça da Concórdia (Place de la Concorde) e da Rue de Rivoli até o rio Sena. Este foi o primeiro jardim público da cidade. Dá para perder um tempinho ali, apenas andando e admirando a paisagem, aproveitando a sombra das árvores, mas nós tínhamos em mente um passeio mais longo. Como já tínhamos aproveitado o jardim no dia da visita ao Louvre, cruzamos o jardim e fomos até a margem do rio Sena.

Rio Sena

O rio Sena é o mais importante e famoso da França

Um dos maiores orgulhos da França, o rio em si é um capítulo à parte na história do país. Parte dos seus 776km cruzam a cidade e fazem parte do cotidiano e cenário parisienses. Passeios de barco são facilmente encontrados para contratação para felicidade dos turistas, mas dá para notar que os próprios cidadãos aproveitam o lugar à sua maneira: as margens pavimentadas servem de passeio público, e é comum ver pessoas passeando com cachorros e bicicletas por ali. As várias pontes também tem lugar de destaque, especialmente a ponte Léopold Sedar Senghor, internacionalmente conhecida como a Ponte dos Cadeados.

Ponte dos Cadeados

Ponte dos Cadeados: lugar romântico (e rentável)

Reza a lenda que os amantes que passarem pelo local e prenderem um cadeado à ponte com seus nomes ou iniciais gravados nele, devem jogar a chave no rio para garantir o amor eterno. Se a mandinga dá certo, eu não sei. Mas é muito bonito de ver todos aqueles mimos presos à grade.

Há quem goste do romantismo, há quem critique a atitude. O certo é que os apaixonados continuam indo lá e prendendo seus cadeados. Às margens do rio Sena e perto do Louvre, logo do outro lado da ponte encontra-se o segundo mais importante museu de Paris: o museu D’Orsay.

Museu D’Orsay

Museu D’Orsay: o museu das obras impressionistas

Originalmente uma estação ferroviária, transformou-se em museu em 1898. É famoso por abrigar algumas das mais famosas obras de arte, principalmente do estilo impressionista. No dia de minha visita, as filas estavam gigantescas por conta de uma exposição em cartaz, e optamos por não ficar. Particularmente, considero essa decisão como uma desculpa inconsciente para voltar a Paris para um roteiro só de “coisas que eu dei mancada e não vi quando estive aqui antes”. Com o coração apertado, deixei o museu para trás e desci a Quai Anatole France seguindo a margem do Sena até a Ponte Alexandre III.

Ponte Alexandre III

Nós decidimos atravessar o Sena através dela por um simples motivo: por desembocar na Avenida Winston Churchill, nos levaria direto a outras duas joias francesas conhecidas como Grand e Petit Palais.

A linda Ponte Alexandre III sob a vigilância da onipresente Torre Eiffel

Mais do que só um meio de chegar mais rápido aos dois museus, foi gratificante ver pessoas passeando tranquilamente em meio a um gramado bem cuidado e altas árvores, circulando pela ciclovia e aproveitando o sol para uma caminhada saudável. A essa altura, eu já estava precisando de uma pausa para um pouco de sombra e água fresca. E o salvador da pátria estava ali pertinho.

Grand Palais e Petit Palais

Petit Palais: espaço de visitação gratuito

No Petit Palais encontrei um banheiro e bebedouro para reabastecer, além de um ambiente refrigerado. Perdoem-me se essa foi a primeira coisa que reparei, mas só fui notar a beleza do lugar depois que me refresquei. A entrada é gratuita, e o simpático museu é lindamente construído e decorado. Fazendo parte de um conjunto arquitetônico junto com o Grand Palais e a Ponte Alexandre III, merece uma visita mais atenta (dica devidamente anotada por mim também).

Grand Palais: palco de grande exposições

Quase como irmãos gêmeos inseparáveis, ficam um em frente ao outro: basta atravessar a rua e chegamos ao Grand Palais. Construído para a Grande Exposição de 1900, orgulha-se de ser uma ode ao estilo Beaux-Arts (Belas-Artes). Dedicado à exposições temporárias, o encontramos fechado: havia acabado de encerrar uma grande exposição de fotografia, e o museu não teria visitações atésegunda ordem.

Champs-Élisées

Champs-Élisées: a avenida mais famosa (e charmosa) de Paris

Apenas a mais famosa avenida de Paris (e aqueles cenários que a gente tem certeza de conhecer porque já cansou de ver em filmes), quiçá do mundo. Extensa, a charmosa via é bastante arborizada e cheia de pedestres, sejam turistas passeando, sejam cidadãos indo e vindo do trabalho. O trânsito, aliás, é bem intenso. Vários cafés e lojinhas dedicadas aos turistas estão ali, misturadas à vida cotidiana dos parisienses. De lá, é impossível não ver outro monumento marcante: bem no meio da rua, se destaca o Arco do Triunfo.

Arco do Triunfo

No meio da Praça Charles de Gaule, também conhecida como “a maior encruzilhada que você respeita”, ergue-se o impressionante arco. Criado em comemoração às vitórias militares de Napoleão, levou 30 anos para ficar pronto. Tem 50 metros de altura, 45 metros de largura e 22 metros de profundidade. Aberto a visitação, tem acesso subterrâneo – já que seria arriscado achar uma brecha entre os carros para atravessar – e uma estação do metrô logo abaixo. Do topo é possível uma vista panorâmica da cidade. As avenidas que saem da praça circular seguem para todas as direções de Paris. Se olhar no mapa, o arco está no centro de um pequeno sol que irradia para todos os lados.

Arco do Triunfo: no coração da praça Charles de Gaule

A essa altura, eu já estava começando a repensar minha estratégia. A noite já estava chegando, porém já tínhamos ido tão longe… Não era hora de desistir. Fotos feitas, chegamos, finalmente, na parte final da saga. Mas ainda tinha muito chão pela frente. Seguimos pela (enorme!) Avenida Kléber até o Trocadéro – não sem antes dar uma parada num café para aquietar o estômago e descansar as pernas.

Trocadéro

Esplanada do Trocadéro: em frente à torre, o lugar também tem seu charme

É engraçado andar pela região e ter a Torre vigiando a gente o tempo todo, mas chega-se à praça do Trocadéro e ainda somos surpreendidos pela visão dela. Nos jardins abaixo, há um enorme e lindo chafariz cercado por dois prédios curvos, simetricamente dispostos, que formam o Palácio de Chaillot: um conjunto de vários pequenos museus, como o Museu da Marinha e o Museu dos Monumentos Franceses, além de um acesso ao Aquário de Paris. Juro que teria aproveitado para conhecer esses lugares se eu tivesse ido de metrô, mas eu mal me aguentava em pé. Então parei na Esplanada mesmo e sentei, aproveitando os restinhos de força para registrar a paisagem mais fotografada do mundo enquanto esperava a hora de visitar o monumento mais famoso da França.

Torre Eiffel

A torre metálica é o monumento pago mais visitado do mundo. Construída em 1889 e restaurada para seu centenário, o projeto de Gustave Eiffel é a segunda estrutura mais alta da França (tem 324 metros de altura, ficando até 15cm mais alta durante o verão por conta da dilatação do ferro) e tornou-se símbolo da França. Dentro da estrutura é possível subir em três níveis, e há lojinhas de conveniência e restaurante além dos telescópios para a vista única da cidade. Agende a sua visita e evite perder tempo na fila para comprar ingresso: vai ter fila para entrar do mesmo jeito, então economize tempo comprando seu ingresso com antecedência. Depois é só escolher: você pode subir de escadas (mais de 300 degraus só para chegar ao primeiro nível) ou de elevador – se quiser chegar ao terceiro, aí é só por elevador mesmo.

Nem precisa de legenda, não é?

Compramos ingresso para a noite esperando ver o espetáculo noturno. Luzes piscantes dançam por alguns minutos no exterior da torre já iluminada e emocionam os milhares de visitantes que estão lá em cima e os lá de baixo também. Dizem, aliás, que a vista desse espetáculo do Campo de Marte (o enorme gramado à frente da torre) é ainda mais bonita – mas eu estava feliz de vê-la tão de pertinho. Com a altura e a noite alta, as temperaturas baixaram rápido. Aproveitei a brisa gelada observando a Cidade-Luz do alto. Tudo parecia muito calmo lá embaixo, embora as luzes indicassem que ninguém dormia. A cidade cinza durante o dia torna-se dourada com as luzes dos postes e cores vibrantes brilham dos letreiros em neon, coroando a joia como pedras preciosas. Simplesmente lindo. Apesar do cansaço extremo, eu ainda sorri.

Torre Eiffel iluminada: um show à parte

No fim do dia, já com o ânimo recuperado (apesar de esgotada fisicamente), veio a última aventura do dia: voltar para o hotel de tuc-tuc! Era uma opção mais barata que um táxi e mais confortável do que ter que andar novamente até o metrô. Como o serviço funciona de um ponto turístico a outro, optei por voltar até a Ópera de Paris. Levamos menos de 15 minutos no trajeto que levamos um dia inteiro para fazer a pé.

Cansada e descabelada com a aventura, mas feliz e sonhadora.

Saldo operacional: foi cansativo e talvez improdutivo, sendo que poderíamos ter poupado tempo (e pernas!) para visitar os museus ao invés de só passar na frente deles. Mas a experiência foi tão marcante que mesmo hoje, quase cinco anos após essa viagem, eu ainda lembro do trajeto, do calor, das paradas refrescantes, da emoção de finalmente chegar lá. É, valeu muito a pena.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.

  • Ah, menina, adoroooo roteiros a pé. Quando em Paris, eu adoto a estratégia de ficar sempre dentro do mesmo arrondissement. Chego de metrô até lá e parto. Cheguei até a ver um dia, saindo do Museu Rodin, o tal tuc tuc. Mas achei meio carinho… haahah (sou mão de vaca demais… kkkk). Em relação ao táxi, com certeza, é uma boa saída. 😛

    • Geisy Almeida

      Adorei a estratégia, Dayana! Vou adotá-la da próxima vez que voltar lá (Deus é pai! Rs). Essa foi minha primeira viagem internacional, e eu realmente não tinha prática ou experiência para montar roteiros – então foi na base dos erros (como essa canseira que tomei e relatei aqui) que aprendi.

      O tuc-tuc foi uma experiência à parte: dependendo, pode sair caro – mas nosso trajeto era curto e dividimos a corrida por 3 pagantes, então foi possível. E foi muito divertido! Nosso motorista foi simpático (coisa que achei difícil de dizer dos franceses, diga-se) e a corrida foi bastante emocionante: o vento na cara, Paris à noite e a estranheza de estar num veículo nem moto, nem carro! Inesquecível! 😉