Excursão, pacote ou viajar por conta própria?


Recentemente acompanhei uma tia em uma excursão que, apesar de render bons posts para o blog (leia aqui), me deixou com uma dúvida: será que excursões não são mais a minha praia? Compreenda: quando pequena sempre viajei nesse formato, era a opção da minha mãe. Em idade adulta já utilizei pacotes e programei viagens por conta própria. Quando finalmente voltei ao formato de excursão descobri que não funcionava bem para mim.

Mas a questão que trago aqui para o Roteiro Adaptado é outra: já descobriu qual deles funciona melhor para você? Neste post vamos tentar esclarecer os prós e contras de cada formato e te ajudar a programar os próximos roteiros.

Excursão

Você contrata uma agência de viagens e ela programa tudo para você:  passagens, hospedagem, traslados, ingressos para atrações e até restaurantes. É a opção perfeita para quem não quer ter muito trabalho planejando cada minuto da viagem, pois até o itinerário diário é previamente programado. Até os detalhes das atrações são apontados e explicados pelos guias, que podem ser sua âncora em lugares com culturas e idiomas muito diferentes.

Guia, comodidade e segurança: junto com a tia na excursão!

Os preços podem ser mais atraentes, já que as agências conseguem descontos por reservar grandes quantidades. Também é bom para quem viaja sozinho e gostaria de companhia, para crianças e idosos que precisam de um certo nível de segurança, ou ainda quem simplesmente gosta de conhecer gente nova, já que você vai passar um bom tempo com o mesmo grupo de viajantes.

Curiosamente os prós de uma excursão também podem ser seus contras. Você vai conviver com um grupo de estranhos de personalidades distintas, quer você queira ou não. Se o intuito era realmente passar um tempo sozinho, pode esquecer.

Sim, o guia é a salvação em alguns momentos em lugares estranhos. Mas seguir sempre a sua sombra pode fazer com que você nunca saia de sua zona de conforto e deixe de experimentar a fundo a cultura da região. É provável que a pesquisa do guia não inclua uma informação que te interesse, dando lugar a uma enxurrada de dados que você vai esquecer antes mesmo da próxima atração. Nós, por exemplo, sempre queremos saber se o local foi cenário de alguma aventura das telas ou das páginas. Infelizmente nem sempre é o que os demais viajantes querem saber.

O mesmo vale para o itinerário. Está perfeitamente programado com o tempo médio que o público em geral gasta em cada atração. Mas quem disse que você é como todo mundo? Pode ser que você prefira gastar mais tempo de sua viagem em um lugar ou até dispensar outro.

Minha versão de 8 anos em sua primeira grande aventura. Sim, você já viu esta foto em nosso Instagram, se não viu segue a gente lá!

Agora que escrevi isso, puxando pela memória, me recordo que em minha primeira grande excursão (aos 8 anos), minha mãe e eu fugimos do Playcenter para o Parque da Mônica, junto com outros passageiros. Abandonamos o grupo da excursão sem hesitar (avisamos aos guias, claro), pois com tão pouca idade não podíamos apreciar a maioria dos brinquedos do extinto parque de diversões paulista. Talvez excursões fossem apenas a opção mais conveniente na época.

Pacote

É quase uma meia-excursão – geralmente oferecem transporte, hospedagem e traslado, mas deixam o itinerário livre para o viajante decidir. É perfeito para quem deixou estes detalhes para a última hora ou prefere se preocupar apenas quando já estiver no destino. Os preços também podem ser mais atraentes, já que, assim como em excursões, as agências conseguem descontos por fazer grandes reservas.

Chegando lá, aí sim o turista vai correr atrás do que mais lhe interessa: passear a pé mesmo, reservar um carro ou ainda garantir pacotes de passeio. Os hotéis geralmente têm disponíveis informações das agências que fazem este serviço. Quando vistamos o Uruguai (algumas aventuras você pode ler aqui) fizemos um pouco de tudo. Andamos a pé pelos arredores, embarcamos em ônibus de linha para ir a outros bairros de Montevidéu e compramos pacotes para atrações em cidades vizinhas. Devo admitir, funcionou bem, saímos com a sensação de que aproveitamos o máximo que podíamos. Mas podia não ter funcionado!

Mapa na mão e disposição, curtindo a flexibilidade dos pacotes de viagem!

Apenas quando estávamos em solo uruguaio descobrimos que um café da manhã farto não é regra nos hotéis de lá como aqui. Nem sequer pesquisamos sobre isso, pegamos o hotel com melhor preço e simplesmente demos sorte. Era temporada de férias e poderíamos não ter conseguido vagas nos passeios, ou ainda mais grave, não nos entender com o Google Maps e ficar perdidas pela cidade, sem guia, sem intérprete. Ok, algumas de nós falavam espanhol, e portunhol é sempre uma opção, mas e se fosse outro idioma? E se não estivéssemos acompanhadas?

Viajar por conta própria

Admito, nesta última modalidade não sou das mais experientes. Mas vou usar a sabedoria de minhas colegas de blog como exemplo. Este é de longe o formato mais trabalhoso, mas também é o mais fácil de atender às suas expectativas. Afinal, só depende de você. Ok, você pode contar com a ajuda de um agente, mas no geral vai escolher tudo por conta própria.

Pesquisar preços, fazer reservas, escolher o hotel, decidir o itinerário, o meio de transporte para chegar às atrações, o tempo que vai passar em cada lugar. É tudo tarefa sua! Felizmente, com a internet, é possível e bem mais simples que antigamente. Você pode pesquisar sobre os destinos e fazer compras e reservas previamente on-line, além de usar mapas e tradutores em seu celular para se virar sozinho durante a viagem. Isto é, se você se lembrar de encontrar um plano de celular bom para você no destino em questão. E controlar para que tudo fique em seu orçamento.

Se, por um lado, esta modalidade exige dedicação, organização e paciência do viajante, por outro, é o formato mais flexível e adaptável. Um lugar não era tão legal ou não ocupava o tempo que você esperava? Basta ir para outro, e quem sabe fazer uma nova descoberta nas redondezas. O clima não está bom para determinada atração? Inverta o itinerário. Gostou muito de um lugar? Fique mais tempo por lá. Molde a experiência ao seu gosto.

Viajar por conta própria e a liberdade de ir onde a vontade levar: Giselle em Lisboa

Nesse formato também é mais fácil sair da sua zona de conforto, experimentar coisas novas, conhecer pessoas, fazer amizades. Mesmo se viajar acompanhado, fica a cargo de vocês escolherem o que fazer, com quem interagir, por quanto tempo. A liberdade é total. Mas, com grande liberdade, vêm grandes responsabilidades.

Não se engane, haverá contratempos. E é você quem vai ter que resolver, especialmente se estiver viajando sozinho. Mas, se você se planejou, e for capaz de manter a calma e paciência vai resolver, ou no mínimo focar na parte divertida e ganhar experiência para a próxima aventura. Quer um exemplo? Leia este relato de como é viajar sozinha e por conta própria da Giselle, também autora deste blog. Segundo ela, a sensação de liberdade compensa um ou outro contratempo e o trabalho para se programar.
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E estes foram os prós e contras de viajar por conta própria, escolher um pacote ou excursão. Mas, Fabi, você não falou quase nada sobre preços! Verdade, porque não essa não era mesmo minha intenção.

O custo da viagem é um fator importantíssimo, eu sei. Mas não adianta nada você embarcar na viagem mais barata e sair insatisfeito da experiência. Antes é preciso descobrir que tipo de viagem é melhor para você, de acordo com sua personalidade, o destino e as atrações que pretende visitar. Aí, sim você começa a pesquisar os preços. Além disso, com uma boa pesquisa é possível encontrar preços que atendam à suas necessidades nos três formatos de viagem.

Curioso, né?! Mesmo no formato mais cômodo uma pesquisazinha é sempre bem-vinda. Ao menos já esclarecemos parte das dúvidas para você. Agora é só começar a programar seus roteiros para 2017!

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About Fabiane Bastos

Jornalista especializada em cultura, viciada em filmes, séries e livros não necessariamente nesta ordem. Adoraria poder visitar os mundos que só conhecemos pelas páginas e telas, ou chegar o mais próximo disso possível!