Experiência de viagem: a arte de caçar arte urbana


Cada louco com a sua mania, e a minha é fotografia. A paixão é tanta que até me formei em Fotografia e aprendi algumas técnicas para produzir uma foto mais elaborada, mas ainda gosto muito daquelas fotos descompromissadas de viagem. Obviamente tudo o que aprendi na teoria acaba refletindo mesmo nessa categoria, porém o mais legal é perceber que não precisa de um curso superior para se perceber olhando o mundo com outros olhos. É como se diz, vivendo e aprendendo. Mas o que você anda aprendendo com o mundo?

Todos já ouviram falar do painel do Kobra na Boulevard Olímpica, mas será que já pararam para ver como ela interage com a própria rua?

Já tinha mencionado aqui em outro post sobre minha mania de fotografar estátuas, um exercício simples e divertido de observação e criatividade, mas recentemente descobri mais uma: caçar arte urbana. Foi bem por acaso que essa mania começou. Eu tinha acabado de realizar o sonho de conhecer Londres e sentia saudades da cidade enquanto terminava minhas férias em Paris (isso lá em 2012; imagina a saudade agora?) e fiquei meio “de bode”. Não gostava de nada, tudo me irritava, não queria estar lá. Que pessoa mais idiota, né? Pois eu estava nesse espírito quando peguei um ônibus panorâmico para conhecer a cidade. Eu odeio admitir, mas ali já começou a ruir minha  primeira má impressão da Cidade-Luz (eu considero visitar Versalhes e o cemitério de Père-Lachaise os divisores de água).

Nem eu acredito que consegui essa fotografia de um ônibus em movimento!

Olhar a cidade do alto, lá do segundo andar e não apenas pela janela dos ônibus, fez diferença. Eu vi coisas que não teria reparado se estivesse à pé. E a foto que tenho que gerou tudo isso é imperfeita: ligeiramente tremida e fora de foco, consegui retratar uma mulher lendo seu jornal pacificamente à beira do Sena, enquanto os carros passavam e um enorme grafiti na outra margem me pareceu um tanto raivoso, como se quisesse acordar a mulher inabalável. Bingo!

Mesmo que eu mesma tenha demorado a perceber o meu próprio comportamento, eu comecei a procurar outras intervenções artísticas que dialogassem com pessoas. Daí a visão evoluiu, e já nem precisavam mais de um elemento humano para me trazer alguma mensagem: a interação com o meio também era interessante – ou até mais, inclusive – e tornou-se uma das coisas mais legais para mim enquanto viajo.

Um detalhe muda a paisagem: vista de cima, a Escadaria Selarón, na Lapa, poderia passar despercebida – mas as Monalisas não deixam!

Eu já gostava de observar arte urbana, principalmente grafites, pelas ruas e as admirava como obras de arte – praticamente como se fossem quadros em um museu a céu aberto. Até então, nunca tinha parado para pensar em como elas podem alterar completamente o sentido da composição da foto. A partir dali eu passei a tentar encaixar as artes que encontrava com o seu entorno – seja interagindo com algo, seja mostrando o quanto ela altera ou se integra ao ambiente que a circunda. Hoje até evito colocar a presença humana nessa brincadeira, um exercício de olhar mesmo. Como fotógrafa, acho que é um hábito adquirido muito precioso para o enriquecimento pessoal.

E você? Já descobriu qual é o tipo de foto que você sempre traz das suas viagens que só repara quando revê ou que mudou seu jeito de encarar novas viagens?

Leia também


About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.