Experimentando – Exposição “Diálogos no Escuro”


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É claro, não é possível tirar foto da atividade. Mas a “selfie” na entrada está garantida!

Se você passar pela cidade do Rio de Janeiro até o dia 30/10 desse ano, arrume um espaço na sua agenda para visitar a exposição “Diálogos no escuro” no Museu Histórico Nacional (fica entre o Aeroporto Tom Jobim e a Praça XV). Uma exposição interativa inesperada e inclusiva, que te leva a explorar a empatia.

Na proposta, somos convidados a experimentar o mundo sem nossa visão. Para aqueles que enxergam, o mundo é repleto de informação e estímulos, que nos fascinam e até saturam. Mas como o mundo é percebido sem esse sentido? São esses desafios que nós descobrimos lá dentro.

Em um ambiente completamente escuro, sem nenhuma fonte de luz, o grupo é guiado por três ambientes que representam situações cotidianas. O simples fato de se locomover quando não há nenhuma referencial físico visível por perto já é uma aventura embora estejamos plenamente seguros – além da bengala que nos é fornecida na entrada, estamos acompanhados o tempo inteiro por um guia cego.

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A visita termina com uma iniciação ao Braile.

É bastante interessante explorar os outros sentidos para se orientar e também descobrir o quanto somos dependentes de nossa visão. Para nós, que gostamos de ver filmes e lugares interessantes por meio de fotos e vídeos, pode ser bastante aflitivo não ter como ver. É até comum que se fechem os olhos durante o processo – mesmo em meio ao breu total – porque se os olhos estiverem abertos, nó estaremos o tempo inteiro tentando formar a imagem do que não podemos ver.

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Diálogos no Escuro

E assim, sentindo na pele as dificuldades dos transeuntes cegos, nós começamos a refletir: será que nossas cidades estão preparadas para que esses turistas especiais nos conheçam? Sim, porque eles também querem explorar o mundo – eles só o percebem de forma diferente. Se tomarmos por exemplo nossa cidade, o Rio de Janeiro, não. É somente quando precisamos das orientações táteis sob nossos pés nos avisando que o ambiente dentro da instalação vai mudar, que nos damos conta do quão importante é ter essa ajuda no dia a dia. Um bate-papo ao fim da experiência nos apresenta ao nosso guia, enquanto estamos nos readaptando à luz.

Quanto à mim, a experiência de estar em um ambiente completamente escuro não era novidade. Por quatro anos eu trabalhei em um laboratório analógico de fotografia, onde qualquer vazamento de luz pode arruinar o trabalho de revelação fotográfico. Para quem não conhece o processo, o filme não pode ser exposto à luz novamente antes de passar pelos banhos químicos ou as fotos serão afetadas. A diferença que senti entre as duas experiências foi bastante intensa: no laboratório, eu tinha total domínio do meu espaço, e apesar de eu precisar realizar atividades sensíveis ao tato (enrolar um filme na espiral não é tão fácil assim), mas nada parece mais desafiador do que realmente explorar um ambiente desconhecido sem poder prever alguma coisa.

Não saber o que te espera no próximo passo acaba ativando nosso instinto de perigo, é nosso medo de simplesmente estender a mão para os lados pode ser assustador. Eu estava mais curiosa do que medrosa, e a cada objeto e superfície que eu descobria eu vibrava com minha vitória. As dificuldades de se orientar pelo som e pelos cheiros, de “ler” as coisas no escuro… Eu achei muito divertido e interessante, mas não é tão fácil se adaptar a essa nova realidade mesmo que seja por um curto período.

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Imagem: Divulgação

Há a opção de se agendar uma visita para grupos maiores, porém os visitantes de última hora poderão ser encaixados no horário disponível mais próximo. Os tours guiados começam a cada 15 minutos e duram cerca de 1h. Uma experiência única, para praticar a empatia. Mais um jeito de descobrir e explorar o mundo. Essas são as duas últimas semanas para aproveitar o projeto. Não perca!

A atividade também está acontecendo em São Paulo na Unibes Cultural, até 24 de outubro.

Diálogos no Escuro – até 29/10/2016
Museu Histórico Nacional (Praça Mal. Câmara S/Nº – Centro, Rio de Janeiro, RJ)
Terças a Sextas: Das 10h às 17h30 horas (última entrada 16h30) – Preço: R$ 12
Sábados e Domingos: Das 14h às 18h horas (última entrada 17h) – Preço: R$ 20
Meia entrada para estudantes e idosos.
Mais informações no site Diálogos no Escuro

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.