Experimentando a Comic Con Experience


A 3ª Comic Con Experience ficou grande, grande mesmo. Não lembra nem de perto a feira tranquila, e até intimista, que estreou em 2014. Natalie Dormer, a Margaery Tyrell de Game of Thrones saiu convencida de que esta era a maior convenção do gênero. Não sei se os números conferem, mas com certeza esta é a impressão que ficou para todos que frequentaram os quatro dias de nerdice.

Este ano, a experiência foi muito diferente das CCXPs anteriores. É claro que cada edição tem suas particularidades, e a feira é sempre diferente. Desta vez, porém, a escala era impressionante. A feira ficou gigante! E, diferentemente de 2015, a organização parecia estar mais preparada para este crescimento súbito, especialmente em relação ao disputado auditório Cinemark.

Frequentando o Auditório Cinemark

Ok, na quinta-feira faltou informação para quem chegou mais cedo (como esta blogueira que vos escreve) de que haveria uma fila separada para o auditório. Mas, tudo bem, já que o dia é o menos disputado e o erro podia ser remediado. Mais lugares, pulseirinhas numeradas, fila e acesso separados e a entrada antecipada evitaram a confusão e o corre-corre de 2015. A parte chata? Quem resolveu ir no primeiro dia para os painéis ou ainda dedicou sua visita somente a eles só conseguiu ver a feira quando saiu. Dependendo do horário, era só um vislumbre mesmo!

Auditório durante o painel de Ross Marquand, ator de The Walking Dead

Para quem não conseguiu ficar entre os 3.500 primeiros, a opção era pegar a fila comum e entrar na “fila de espera” dentro do pavilhão. Lá, além de observar todo o movimento da feira (e descansar deitado no carpete), quem esperava pôde ver todos os convidados passarem pelo tapete vermelho e fazer muito barulho para cada um deles. Aliás, muito barulho mesmo! O som vazava para o auditório e alguns convidados ficavam se perguntando de onde vinha a algazarra.

E sim, com um pouco de paciência era possível entrar. Apenas no sábado a lotação ficou completa durante todo o dia. Todos queriam ver o painel da Marvel. James Gunn, diretor de Guardiões das Galáxias, não decepcionou a ovação que quase levou a estrutura abaixo. Aos desesperados de plantão, que tentam tocar o terror nos novatos: entrei nos painéis nos dias que queria (quinta-feira, sábado e domingo) sem madrugar, nem dormir na rua. Sábado foi o dia que cheguei mais cedo: 8 da manhã. E 2.861 era a numeração da minha pulseira.

Vá preparado para passar o dia inteiro, como este cara!

Fato curioso: a estrutura do espaço parecia misturar os auditórios dos anos anteriores com uma área plana na frente (2014) e uma arquibancada (2015). A baixinha aqui nem tentou sentar na área plana, pois o palco ainda não era alto o suficiente para conseguirmos vê-lo sem ter que desviar de muitas cabeças.

A altura do palco (para quem queria ficar pertinho), a exclusão das perguntas do público (opção feita provavelmente para manter ordem e segurança) e o restrito cardápio da bombonière (pipoca e cachorro-quente apenas) foram as únicas grandes falhas do espaço. Como fã do evento, fico feliz de ver que eles realmente estejam aprendendo com os erros a cada ano. Painéis assistidos, é hora da feira!

Zanzando no pavilhão

É aqui que minha experiência ficou muito diferente. Apesar da empolgação de conseguir entrar nos painéis todos os dias, acabei aproveitando menos a feira. Menos tempo para as filas, menos brindes, coleção de fotos de cosplays menor… (confira nossa galeria)

Mas toda Comic Con é assim, um exercício de escolhas. E ainda assim eu consegui ver de tudo um pouco, desde participar do maior desenho do mundo, promovido pelo estande da Faber-Castell, até comer na cara praça de alimentação (só um dia né, pois não há bolso que aguente!).

Vai entrar para o livro dos recordes, e tem rabisco meu no maior desenho do mundo!

Os estandes estão cada vez mais caprichados, e a área dedicada aos gamers (de que senti falta ano passado) estava de volta e enorme. A área do Omelete tinha um dragão que soltava fumaça de verdade e ficava pertinho do salto de fé do Assassin’s Creed. Para quem olhava de baixo não parecia tão impressionante, mas tenta subir lá!

Competindo para ser o campeão de atrações, os estandes tinham uma variedade imensa de brincadeiras. Curiosamente, muitos dos brindes eram fotos impressas ou enviadas por e-mail (ainda estou esperando minha foto no Trono de Ferro, HBO!). Por e-mail também vinham participações em vídeo em seu programa favorito – confere só minha visita a Westworld.

Falando em HBO, o canal pago estava estreando no evento, e seu estande foi um de meus favoritos. Além de uma exposição e da réplica dos cenários de Game of Thrones, uma sala de projeção recriava a abertura da série em 3D e deixava o pessoal que encarou a fila de queixo caído e muito satisfeito. Nesta atração era proibido fotografar e filmar, mas o anfitrião de Westworld sendo construído estava disponível para registro.

A Netflix geralmente tem um dos espaços mais disputados, por causa das muitas brincadeiras. Este ano, no entanto, teve os brindes mais fracos, pôsteres repetidos, copos mais simples. E para onde foram as camisetas? Já o famoso karaokê de 2015 teve um retorno triunfal, continuando com a música de Sense8 como o maior hit.

Já a loja oficial de Harry Potter decepcionou. Não pelas já esperadas filas gigantescas, mas pelo estoque pequeno e pela pouca variedade de itens. Nem vou mencionar os preços, mas muito frequentadores encontraram mais vantagem na sacola especial do bruxinho oferecida no estande do Omelete.

Nosso Artists Alley já é o maior do mundo. A aflição aqui é ser incapaz de conhecer, acompanhar e adquirir o trabalho de tanta gente talentosa. Aliás, finalmente o espaço ganhou o destaque que merecia, com corredores largos e situado no coração da feira.

E não importa a sua idade, seu conhecimento sobre cultura japonesa ou animação: se você passou pelo “santuário” criado para as armaduras de ouro dos Cavaleiros do Zodíaco você ficou boquiaberto. Em sua primeira parada fora do Japão, as 12 armaduras ganharam uma ambientação para aumentar ainda mais seu brilho (é até complicado tirar fotos). Elas causaram uma comoção gigantesca que não deixou muita gente perceber que tinha outras peças em exposição no espaço. Impressionantes!

A estrutura do chão da feira também melhorou, com o São Paulo Expo finalmente pronto (quem enfrentou as obras no ano passado?), os banheiros conseguiram comportar o público, bebedouros funcionavam, e as várias praças de alimentação não deixavam ninguém comendo de pé, seja com lanche comprado ou trazido de casa.

A saída é o único grande enigma a ser resolvido para o próximo ano. Com todo mundo indo embora no mesmo horário (quem quer sair mais cedo?), o engarrafamento de táxis, carros particulares, ônibus gratuitos e caravanas levava horas! Muita gente (inclusive eu) optou por caminhar até o metrô. Quinze minutos ladeira acima!

Sim, a galera gritava até na hora de posar para esta foto!

O resto da festa ficou por conta do público, que caprichou no cosplay (quem não viu o casal de vovôs de Coragem, o Cão Covarde?), levou a criançada, dançava nos corredores e acabou com a garganta gritando para os convidados. O grito de #VivaOÉpico aparentemente não empolgou tanto quanto o #VaiSerÉpico. Juro que senti falta do coro.

Adorei esta edição, mas confesso: a primeira ainda é minha favorita por diversos motivos, mas isso é assunto para outro post. Grandes mudanças, dificuldades e cansaço (sim, ainda estou exausta) à parte, tudo é festa!

Que venha a CCXP 2017! Enquanto isso, confira nossa galeria de fotos do evento, com uma sessão dedicada aos cosplayers (será que você está lá?).

CCXP2016 (37)

Homem-Aranha por um dia

Leia também


About Fabiane Bastos

Jornalista especializada em cultura, viciada em filmes, séries e livros não necessariamente nesta ordem. Adoraria poder visitar os mundos que só conhecemos pelas páginas e telas, ou chegar o mais próximo disso possível!