Guardiões das Galáxias Vol. 2 surpreende: divertido, porém dramático.


Guardiões das Galáxias – Vol. 2 (The Guardians of The Galaxy Vol. 2, 2017) tem um estilo diferente do primeiro, mas mantém as mesmas boas características que garantiram o sucesso do primeiro longa: visual estonteante, milhares de referências, elenco afinado e personagens cativantes – tudo isso temperado com muito bom humor e uma carga extra de emoção e sentimentos.

O longa começa já com bastante adrenalina, numa sequência alucinante (divertida, e fofa também) do grupo combatendo um alienígena asqueroso enquanto protegem Groot (voz de Vin Diesel) – isso durante os créditos de abertura! Depois compreendemos que eles estão, na verdade, trabalhando: defendem a fonte de energia dos Soberanos em troca de recompensas. No caso, o pagamento tem a ver com Gamora (Zoe Saldanha): ela decide resgatar Nebulosa (Karen Gillan) para prendê-la por ter ajudado o vilão Ronan (Lee Pace) a quase destruir Xandar no primeiro longa. Mas as coisas começam a dar errado quando Rocket (voz de Bradley Coooper) decide roubar algumas dessas baterias – o que é considerado uma ofensa gravíssima por Ayesha (Elizabeth Debicki), a Sacerdotisa e líder do povo Soberano.

Ela agora deseja a punição dos traidores, e ordena a perseguição e morte dos Guardiões – porém eles receberão uma ajuda inesperada. Uma nave espacial estranha os ajuda a fugir da perseguição implacável, e logo descobrimos quem os salvou: o homem se identifica como Ego (Kurt Russel), e revela ser o pai de Peter Quill (Chris Pratt). Com a nave completamente destruída, não resta alternativa aos Guardiões: enquanto Rocket fica para reparar a Milano e cuidar de Nebulosa e Groot, Gamora e Drax (Dave Bautista) seguem com Ego e a estranha Mantis (Pom Klementieff) até o planeta de origem dele.

A paz temporária, porém, durará pouco. Yondu (Michael Rooker), o saqueador que sequestrou Peter da Terra, está de volta ao jogo – procurado pela Soberana para acabar com os Guardiões, ele busca também recuperar seu prestígio perante seus homens e a classe saqueadora. Ele já não é mais o mesmo, e essa pode ser sua única chance de recuperar seu prestígio e sua reputação – e ele parece estar disposto a tudo para ser bem sucedido. Além disso, apesar de Peter estar encantado com as descobertas sobre seu pai e as maravilhas que ele lhe mostra, Gamora sente que há algo de errado no ar – mas quando descobrir o que é, pode ser tarde demais.

Mais do que um filme de super-herois, Guardiões das Galáxias – Vol. 2 é um filme que fala sobre relações familiares em todos os níveis. Diferente dos outros de seu gênero, a ação e a trama do arco maior da Marvel (todos sabem que os filmes lançados até agora são peças de um quebra-cabeças gigante, partes de uma grande e única estória, né?) ficam em segundo plano. O fato deles serem seres desgarrados, um bando de excluídos (um tradução bem rasa de outcasts) que se tornam mais do que um grupo de defensores do universo é o foco principal – assim como em uma verdadeira família, todos estão o tempo todo preocupados com o bem-estar do outro, mesmo que não saibam demonstrar isso.

O diretor James Gunn abusa do bom humor quase infantil (aliás, quase todos os personagens tem algo que nos lembra os humores infantis: a teimosia, a inocência, a irresponsabilidade, o medo do abandono) que nos leva a refletir sobre temas bastante pesados, como a definição de família e suas intrincadas relações, com mais leveza. O destaque é fica no ótimo desenrolar da subtrama entre as irmãs Nebulosa e Gamora e no emocionante (e até surpreendente) peso que Yondu ganha nesta sequência. O roteiro, no entanto, poderia ser mais enxuto justamente nesse ponto: em alguns momentos, especialmente na trama principal de Peter e seu pai, nós já sabemos o que vai acontecer e esperamos a ação acontecer. De forma alguma isso arruína o filme; pode ser que alguns momentos soem meio piegas – mas a gente releva porque, veja só!, é isso o que uma família faz.

Com mais drama e menos ação alucinante que o primeiro, Guardiões das Galáxias – Vol. 2 promete agradar a todos os públicos: tem humor e aventura nas doses certas, e o personagens que amamos estão ainda mais cativantes e divertidos. Se você já adorava o Baby Groot ao fim do primeiro longa, prepare-se para morrer com as fofuras (e trapalhadas) dele aqui! Ah, e não saia do cinema tão cedo: são 5 (cinco!) cenas pós-créditos, e elas trazem informações divertidas relativas às consequências desse longa e prometem muitas novidades para o futuro – tem mais alguém aí sofrendo de ansiedade para o novo filme d’Os Vingadores?

Texto originalmente publicado no blog DVD, Sofá e Pipoca

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.