La Madeleine: uma igreja parisiense “diferentona”


Paris é uma cidade cheia de museus, jardins e parques para visitar. E como era de se esperar, tem igrejas pra todos os gostos. A Igreja de La Madeleine (ou Igreja da Madalena, ou ainda L’Église de Madaleine) é uma delas, mas não é só mais uma igreja. Menos conhecida que a Catedral de Notre Dame e a Basílica do Sagrado Coração, ela se destaca das outras por vários motivos.

Localização

Da Praça da Concórdia a gente consegue ver a igreja

Entre a Ópera de Paris e a Place de la Concorde (Praça da Concórdia, mas o mais usado é o nome francês mesmo), a igreja fica a poucos minutos de caminhada do Jardim de Tulherias – em frente ao Museu do Louvre – e da avenida Champs-Élysées. A estação de metrô mais próxima é a Madeleine-Tronchet, que atende às linhas 8, 12 e 14. Outra ótima referência é a Fauchon, uma famosíssima confeitaria francesa e onde você pode passar e cometer o pecado da gula sem culpa (eu não me arrependi).

História

A primeira igreja construída no local datava do século XII (!); sendo substituída pelo projeto de Cotant D’Ivry (sob as ordens de Luís XV, que queria uma igreja mais perto de seu palácio – hoje, o Louvre), por volta de 1764. Porém a Revolução chegou, e a construção foi interrompida – o projeto ficou sendo uma espécie de homenagem à glória militar (que foi substituído pelo Arco do Triunfo depois) por conta do forte sentimento antirreligioso da época. A construção só foi reconsagrada como igreja em 1842 e reinaugurada em 1845.

Construção

Fachada da Madeleine: reparem na altura das colunas

Olhando de fora, a igreja mais parece um templo grego do que uma igreja católica. Detalhes na estrutura, porém, te lembram que ela é sim um lugar cristão: os entalhes no pórtico e no majestoso portão de bronze, além das estátuas de santos católicos, ao invés dos deuses gregos, conferem o ar religioso ao estilo neoclássico. Eu visitei a Madeleine quando ela estava passando por uma restauração, e muitas partes do exterior ainda estavam envoltas por andaimes e redes de proteção, mas ainda assim era algo colossal. E se de fora a visão é impressionante, o interior é mais ainda.

Pensa em mármore. Agora em pintura. Agora em madeira. Lá dentro tem muito desses três elementos. Mas muito mesmo! A riqueza do interior é quase palaciana, o que torna a igreja magnífica. O contraste do exterior mais comedido e a explosão de detalhes no interior é fascinante. Há quem vá achar o lugar escuro e fechado demais, mas eu acredito firmemente na simbologia da arquitetura: a única forma de luz a entrar vem das claraboias e das velas, que simbolizam a luz divina e a da fé. Obviamente os candelabros hoje são elétricos, mas pense em como seria significativo esse ambiente iluminado assim no século XIX?

É tanto detalhe que a gente fica tonto: a dramaticidade das esculturas dos santos e do altar, a imensidão dos painéis representando passagens bíblicas e todos os santos possíveis (repare no teto, e tente não babar com a quantidade de trabalho feito ali). Há muito dourado em diversos detalhes, e muitas figuras pintadas por todo o local contando passagens bíblicas. E, pelo amor de Deus (com perdão do trocadilho), não deixe de notar o maravilhoso e imenso órgão da igreja. A igreja é tão sóbria e ao mesmo tempo tão rebuscada, tão única, que virou meu xodó. Deu pra perceber, né? Só de imaginar o trabalho que deu construir e decorar todo aquele espaço…

Da frente do altar, eu me virei e olhei para trás: quase chorei quando vi o órgão

As dimensões são gigantescas, e nós nos sentimos realmente pequenos – mesmo que você tenha mais de 2 metros de altura (o que não é meu caso, diga-se). Fiquei tão admirada com a beleza de lá que só pouco antes de sair notei a falta de janelas, mas alerto: a sensação pode ser bastante incômoda para algumas pessoas mais sensíveis, especialmente as claustrofóbicas.

Deixo vocês com a modesta galeria que eu fiz, e aviso aos viajantes que queiram fotografar: lá dentro é muito escuro, o que pode deixar dificultar um pouco a tarefa de voltar com uma lembrança – especialmente se sua câmera não for avançada. Ajuste sua câmera para o modo noturno ou use o HDR do celular para selfies; se for mais acostumado ao modo manual, tenha uma lente de boa abertura (f/2.8 pelo menos) ou aumente a sensibilidade do ISO.

L’Église de la Madeleine – Place de la Madeleine, Paris.
Aberta todos os dias para visitação, das 9h às 19h.
Horários de missa no site oficial (em francês).
*Curiosidade: descobri que desde de 2002 há uma celebração tipicamente brasileira na Madeleine – a lavagem da igreja (igual a que ocorre na Bahia, na igreja do Senhor do Bonfim). Esse link conta melhor essa história, mas já quero voltar lá pra ver isso!

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.