“Meia-Noite em Paris”: um roteiro clássico pela capital francesa com Woody Allen


Owen Wilson é Gil, protagonista de Meia-Noite em Paris

O clipe inicial de Meia-Noite em Paris dá a dica: Woody Allen na capital francesa é sinônimo de clássico. Tratando-se da Cidade Luz, nem acho um pecado. Dá para ser feliz flanando por lá, admirando a arquitetura, as paisagens, curtindo os museus e os cafés, sendo bem clichê. Não me espanta nem um pouco Gil (Owen Wilson, que encarna com perfeição a persona do roteirista e diretor) fantasiar viver por lá.

Ele, roteirista e aspirante a escritor, e eu, jornalista e estudante de cinema, temos algumas coisas em comum. Se é pra viver de arte, onde mais, certo? Ainda não arrumei um estúdio por lá (e dispenso a tuberculose, como sugerida pelo arrogante Paul) e me contento com refazer alguns passos do protagonista para matar a saudade…

Uma das minhas primeiras paradas na cidade foi a igreja Saint-Étienne-du-Mont (ver galeria abaixo), cuja escada serve de ponto de encontro entre Gil e os misteriosos passageiros do carro que o leva direto para os anos 20. Também fiz questão de passar em frente ao restaurante Polidor, que também fica nos arredores. Sinto informar que não encontrei nenhum Hemingway por lá.

Os dois foram passeios fáceis, pois eu estava hospedada no Quartier Latin, um pedaço da cidade bastante agradável, que me permitia conhecer durante minhas caminhadas o Panthéon, a universidade de Sorbonne e o Jardim de Luxemburgo, além da bela Mesquita de Paris e o interessantíssimo Instituto do Mundo Árabe. Escolhi o bairro pelo custo-benefício (era onde havia hospedagem um pouco mais em conta nesse destino caríssimo!), mas curti muito a estada por lá e recomendo.

Boa parte da Paris mostrada no filme é mesmo de pontos turísticos, como o Museu Rodin, que por conta de alguns contratempos deixei para o último dia e… dei de cara na porta. Meu maior arrependimento da viagem, mas vocês sabem, tudo é desculpa para voltar…

Cena de Meia-Noite em Paris no Museu L’Orangerie

É em outro museu que, depois de conhecer alguns de seus ídolos e Adriana (Marion Cotillard), Gil é capaz de discutir arte de igual para igual com Paul: enquanto este cita o que leu nos livros, o escritor se dá conta de que sua experiência inusitada também é conhecimento. O divertido diálogo acontece no Museu L’Orangerie, que abriga a série Nymphéas, de Claude Monet. Aproveitei para visitá-lo numa tarde chuvosa, depois de aproveitar o dia ainda claro pelo Jardim Tuileries, bem pertinho do célebre Louvre.

Gil e Adriana adentram pela noite parisiense numa caminhada que passa, entre outros lugares, perto da fofíssima Basílica de Sacre-Coeur, em Montmartre. Após a visita, gratuita, demore-se pela escadaria, curta Paris vista do alto e leve o tempo que for observando o movimento de músicos, desenhistas e performers que fazem acrobacias impressionantes pendurados nos postes.

Já se encaminhando para o desfecho, o filme retrata a ponte Alexandre III, que fica perto do Grand Palais e do Petit Palais e a uma distância razoável da badalada Champs-Elysées. É lá onde o protagonista reencontra Gabrielle (Léa Seydoux), a vendedora que conheceu no Mercado das Pulgas de Saint-Ouen (outro desfalque imperdoável da minha lista).

O clipe de abertura ainda mostra outros cartões-postais da cidade, como o Arco do Triunfo, o rio Sena e a Torre Eiffel, além da Place de la Concorde e a Ponte de Bir-Hakeim, entre outros.

Eu tentando me camuflar à paisagem nos jardins de Monet, em Giverny

Nos arredores de Paris

Tecnicamente, dois locais que aparecem no filme não são em Paris, mas ficam nos arredores e funcionam como boa opção de bate-volta para quem tem a agenda mais folgada.

Um deles é o clássico Palácio de Versalhes, que é deslumbrante e já foi palco de vários filmes, como relatado aqui no blog. Seus jardins aparecem bem no início do longa, quando Inez (Rachel McAdams) conta, com desdém, para o casal de amigos, sobre o livro que o noivo está escrevendo. Já a Galeria dos Espelhos é mostrada bem perto do fim, quando o detetive que segue Gil “se perde”. Mas só mesmo na ficção para estar vazia assim!

Outra visita que vale muito para quem é apaixonado por arte é ir até Giverny e conhecer a casa e os jardins onde Claude Monet pintou alguns de seus quadros mais famosos. É uma viagem curta de trem, mas a visita exige certo planejamento: ele fica fechado no inverno. Portanto, lembre-se de conferir no site o período de visitação, que em 2017 é de 24 de março a 1º de novembro. Andar por lá é se sentir dentro de um quadro, e em pouco tempo contemplando a beleza e a tranquilidade do lugar dá para entender de onde vinha tanta inspiração…

Os endereços menos famosos deste roteiro encontrei no Movie Locations, site bem útil também para outras pesquisas aqui do blog. Fica a dica – e a torcida para fazer o tour Meia-Noite em Paris completo em breve!

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About Giselle de Almeida

Carioca, jornalista, estudante de cinema, gauche na vida. Pareço legal, mas tento convencer os amigos a verem minhas séries favoritas