Minha paixão londrina: os Kensington Gardens


Fim de ano, depois do Natal e às vésperas do Ano Novo… É quase impossível não bater aquela preguiça gostosa! Mas sempre tem aqueles que já estão preparando as malas para outra viagem, já fazendo planos para o ano que se inicia. No meu caso, o que me bateu foi nostalgia.
Estátua da Rainha Vitória, um dos lindos monumentos do parque

Estátua da Rainha Vitória, um dos lindos monumentos do parque

A minha viagem à Europa em 2012 foi mágica por vários motivos, e nem de perto foi como eu sonhava. Apenas o fato de eu ter viajado – e não só imaginado como seria estar lá – já era motivo suficiente de alegria. E mesmo eu tendo imaginado visitar alguns lugares famosos, eu não esperava me encantar por um pequeno pedaço de terra chamado Kensington Gardens. Localizado perto da região central da Cidade de Londres, com acesso fácil por meio de metrô e ônibus, os jardins de Kensington fazem parte do parques reais – área privadas pertencentes à Coroa Britânica cuja visitação é aberta ao público (até os prédios locais podem ser visitados, desde que os nobres residentes não estejam em casa).
A minha chegada já começou deslumbrante quando, de dentro do aeroporto, eu peguei um trem até a estação de Paddington – achei lindo, chique e, principalmente, prático (e me obriguei a não comparar com o deslocamento complicado aqui no meu Rio de Janeiro). Dali, uma corrida de táxi curtinha até meu endereço final: na Inverness Terrace, um simpático hotel em meio a uma rua com prédios brancos feito neve. Eu estava cansada das 11h de voo sem escala, com fome, fazia um frio desgraçado (vai ver, nem estava tão frio – mas eu sou carioca, né?) – porém ainda estava claro e eu queria aproveitar. Deixamos as malas no hotel e saímos com dois intuitos: comer e explorar as ruas próximas.
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Pode não parecer, mas eu estava com frio. E fome.

Seguindo em frente, demos de cara com um muro verde, duas cabines telefônicas (as vermelhinhas!) e uma placa me dizendo onde eu estava. Pegamos o caminho somente para pedestres e entramos nos jardins. Era verde que não acabava mais! O estilo dos jardins ingleses, aliás, é famoso pela sensação que causa no observador: parece que ele sempre foi daquele jeito, e não foi pensado para parecer bonito. Os caminhos são todos pavimentados – alguns são naturalmente cobertos pela copa das árvores -, pessoas e animais circulam tranquilamente (e respeitam o espaço um do outro), animais são bem-vindos (tem várias fontes dedicadas aos pets espalhadas pelo parque) e, porque não, até dá para praticar atividades radicais. Meu primeiro crush da viagem estava lá, dando aula de skate para criancinhas fofas.
Como eu viria a descobrir depois, o jardim é muito maior do que eu esperava – tanto que fiz algumas pausa para descanso nessa breve exploração e precisei de mais dois dias para descobri-lo inteiro, e ainda teve coisa que eu não vi pessoalmente. Na minha andança aleatória do primeiro dia, cheguei até a impressionante estátua Physical Energy – estátua homenageando Cecil Rhodes e suas conquistas na África. Dali já era possível ver um ponto dourado ao longe, que eu fui investigar: tratava-se do Memorial Albert, um enorme monumento em homenagem à morte do Rei Albert, marido da Rainha Victoria. Retratado em ouro e rodeado por esculturas representativas do seu apreço pelas artes e por quatro impressionantes conjunto de esculturas em mármore representando os quatro continentes (América, África, Ásia e Europa) habitados, fica bem no limite do jardim e de frente para o Royal Albert Hall – basta atravessar a rua.
Aqui, catioríneo não entra - mas no resto do parque, eles podem se esbaldar!

Aqui, cachorros não entram soltos – mas no resto do parque, eles podem se esbaldar!

Para não nos perdemos, não fomos adiante. Voltamos dali por outro caminho interno: o Flower Walk (Caminho das Flores). Com um nome que não podia ser mais autoexplicativo, todo o trajeto é cercado por canteiros de flores lindas e fofas – e muitos esquilos correndo pra lá e pra cá. Eles, aliás, são rápidos até demais e conseguem deixar a gente tonto! Apesar de haver plaquinhas recomendando que não se deve alimentá-los, alguns transeuntes gostam de oferecer coisinhas para eles chegarem mais perto e fotografá-los.
Passei também em frente a um pequeno prédio, em frente a uma enorme estátua branca de mármore e uma aconchegante vista para o Round Pond (Lagoa Redonda): tratava-se do próprio Kensington Palace – uma construção bastante modesta – se comparado ao Castelo de Windsor, por exemplo, porém bastante charmosa. Usado como residência real desde o século XVII, criado pelo rei William e a Rainha Mary, é uma construção de tijolos (diferente de muitos outros, que foram construídos com pedra) foi pouco aproveitado por eles: ela morreu de varíola pouco depois de se mudar para o palácio e seu marido faleceu algum tempo depois, após ter caído do cavalo. Atualmente, o Duque e a Duquesa de Cambridge residem no local – por aqui, são mais conhecidos como o Príncipe William, filho mais velho de Lady Diana e do Príncipe Charles, e a sua esposa, Kate Middleton.
O Palácio também é aberto a visitação

O Palácio também é aberto a visitação

Conheci também um cantinho muito peculiar dos jardins quando, voltando de um passeio de ônibus panorâmico, saltamos no Marble Arch (Arco de Mármore), próximo ao Hyde Park. Pegamos a Bayswater Road e voltamos a pé, numa caminhada tranquila e em linha reta; então nos deparamos com um belo portão comemorativo: o Victoria Gate (Portão Vitória), que dá acesso ao Italian Garden (Jardim Italiano) e ao Long Water (Água Comprida) – o lago que se estende até o Hyde Park e se transforma no Serpentine. Dessa vez, não deu para aproveitar muito bem o tempo – já estava perto da hora de fecharem os portões (e novamente a fome me apressava). Foi ali que pensei: “preciso mesmo conhecer esse lugar antes de voltar pra casa!”.
No meu último dia de viagem, poucas horas antes de ir para o aeroporto, eu voltei. Fiz questão de aproveitar a última manhã como uma típica cidadã londrina: passeando de bicicleta pelos jardins. Já na entrada, perto do Diana Memorial Playground (um trecho do parque reservado para o divertimento das crianças), encontrei uma estação de aluguel de bicicleta. Paga-se por meio de cartão de crédito (eu usei o meu cartão-viagem, que comprei na agência para não ter que levar muito dinheiro em espécie) e aluguei por um dia. Não iria usar pelo período completo, lógico, mas para evitar pagar multa caso passasse do horário, escolhi esse método. A diferença não seria tão grande. E esse foi o momento mais legal da viagem toda.
Um lugar perfeito para relaxar, e foi isso o que eu fiz

Um lugar perfeito para relaxar, e foi isso o que eu fiz

Não tenho nenhuma foto desse dia em que dei a volta pelo Kensington de bicicleta, fui até o Hyde Park e dei a volta no lago Serpentine antes de me perder achar o caminho de volta. Mas eu lembro do sol brilhando fraco naquela manhã fria, das pessoas correndo de regatinha pra fazer exercício (e eu me perguntando “como eles conseguem, Senhor?”), os cheiro de ar puro e grama verde. Lembro até que eu ouvia Eliza Doolittle no meu mp3 player – até hoje, basta que eu escute uma música do álbum que eu ouvia para automaticamente retornar àquele passeio. E é sobre isso que eu falo tanto: nem sempre fotografar tudo é o melhor jeito de lembrar das coisas.
Bem, esse foi o meu relato sobre um cantinho no mundo que descobri e me apaixonei, mesmo que ele não estivesse em nenhum dos meus roteiros planejados. Mesmo menos badalado que seu irmão gêmeo, os Kensington Gardens ganharam meu coração. Se estiverem pela cidade, o parque merece ao menos uma passadinha rápida – mas quiserem se apaixonar também, saibam que há visitação guiada pelo Palácio e pelo Memorial Albert, além de outras atrações que eu não tive tempo de procurar. Você pode levar seus pimpolhos até o Diana Memorial Playground, seguir os passos do Caminho da Princesa de Gales (que se estende para fora dos jardins), visitar as duas galerias próximas ao Long Water, procurar o Templo da Rainha  ou achar a estátua de Peter Pan (!).
Kensington Gardens – Londres, Inglaterra.
Informações e mapas no site oficial (em inglês)

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.