Não curte viajar só com mala de bordo? Você não está sozinho


Se você é antenado no tema viagem já deve ter notado que viajar apenas com mala de bordo é o sonho de consumo de todo viajante. Você viaja mais leve, não precisa despachar bagagem, e seus pertences estão sempre com você, livres do risco de serem extraviados, perdidos ou furtados. Somem-se aí as novas regras de cobrança pela bagagem e a mala de bordo deixa de ser um “estilo” ou preferência e passa a ser uma necessidade.

Ainda assim, há quem não se sinta tão confortável e leve ao viajar apenas com uma malinha pequena. E apesar dos que os milhares de textos online dizem sobre as maravilhas de se viajar assim, não há problemas em não ser um adepto do estilo. E digo mais, o incômodo vai muito além do espaço e pesos limitados – posso afirmar isso porque sou uma dessas pessoas! Fiz o teste: viajei apenas com mala de bordo e aponto aqui as razões de preferir ficar no grupo menos descolado sempre que for possível.

Não é apenas uma questão de espaço

Antes que você pense que a limitação do tamanho da mala foi o que incomodou, esteja ciente de que a mala que geralmente despacho também é pequena – por poucos centímetros não passa nas medidas para subir a bordo com ela. Sou metódica; logo, antes de viajar, confiro a previsão do tempo, analiso os programas de cada dia e monto a mala apenas com as peças necessárias, e uma ou outra reserva – isso evita o excesso de bagagem. Por outro lado, essa necessidade de organização também é meu maior empecilho para viajar apenas com mala de bordo.

Mala de bordo e mala pequena, sem enorme diferença de tamanhos!

Nem tudo pode estar na sua bagagem de bordo

Eu gosto de estar preparada; aliás, preciso – especialmente em terras estrangeiras. Isso ajuda a controlar a ansiedade e enfrentar os problemas de forma mais sensata. Logo, farmacinha, cosméticos e outros “não pode” da mala de bordo acabam atrapalhando a experiência de “viajar leve”.

Quer um exemplo? CCXP vem aí e analgésicos e lanchinhos são obrigatórios para sobreviver aos quatro dias de nerdice, andança e lanches caros. – Mas Fabi, você pode comprar tudo isso quando chegar lá! Posso mesmo? Nos últimos anos cheguei no dia do evento, larguei as malas no hotel e fui direto para o pavilhão. Às vezes nossa agenda não comporta pausas para procurar lojas, farmácias, lavanderias, etc. Em um país estrangeiro a coisa complica ainda mais, já que os produtos têm marcas e especificações diferentes.

Hora de passar para os cosméticos! Sim, você pode usar o kit de amenidades do hotel, quando disponíveis (não é todo lugar que tem). Sim, você pode usar frascos de 100 ml para carregar seus próprios produtos. Mas, isso varia de acordo com a duração da viagem e as necessidades de cada um. Vai ser longo? Vai ter praia? Você vai andar muito no sol? E repelente, precisa? Tem um cabelo comprido e exigente (alô, colegas cacheadas!). Todos e cada um destes fatores podem fazer com que você ultrapasse o limite de líquidos, que são diferentes em vôos nacionais e internacionais.

Precisar levar mais do que essa quantia limitada, não significa necessariamente que você não sabe trabalhar o desapego ou mensurar seus gastos – pode ser que você apenas conheça suas necessidades e não quer deixar de curtir a praia para procurar onde comprar um protetor solar ou passar a viagem incomodada com a falta de algo. Como aconteceu em nossa viagem ao Uruguai, quando uma amiga passou quase a semana toda com a vista irritada porque o líquido de limpar as lentes de contato fora confiscado no aeroporto e ninguém conseguiu nos explicar que este não era vendido em farmácias como no Brasil, apenas em óticas. Resultado? Só encontramos o produto na véspera de voltar para casa.

Tem ainda a preocupação de comprar coisas durante a viagem e elas não caberem na mala, ou serem confiscadas na inspeção. Pelo menos isso talvez te ajude a economizar, então não vou me ater muito. Agora passemos às consequências mais incômodas, na minha opinião, de se viajar com mala de bordo.

Não tem espaço para todo mundo!

O espaço dos bagageiros é limitado, não dá para todo mundo levar apenas uma mala mais uma bolsa de mão. E com a cobrança pelo despacho de bagagens, essa é a primeira opção de todo mundo. Logo, não se espante se ouvir os funcionários da companhia aérea oferecendo despacho grátis porque os bagageiros estão cheios. Se os voluntários forem poucos e continuar faltando espaço, sua mala pode ser despachada mesmo que você não queira (você deixou de levar aquele item e a bagagem foi despachada mesmo assim). Fora isso, às vezes é preciso colocar a mala longe do seu assento se o compartimento acima de você já está cheio. Tente também não tropeçar nas muitas bolsas e mochilas, que agora ficam guardadas debaixo dos já apertados assentos.

O embarque virou bagunça maior ainda!

Somos nós mesmos que colocamos nossos pertences nos bagageiros da aeronave. Fazemos isso de pé, em um corredor minúsculo, na direção de 6 assentos. Fez a conta? Mesmo com o sistema de grupos de embarque (que é um dos piores, diga-se) é impossível evitar a confusão para todos se acomodarem. Mas isso não é o pior: o embarque ainda é feito em grupos, mas o desembarque é o verdadeiro caos, com todos correndo para resgatar suas malas e sair da aeronave o mais rápido possível.

Viajar apenas com mala de bordo tem seus prós e contras

Eu sei, a bagunça do embarque é mais culpa das companhias aéreas que não tem um bom sistema que dos passageiros. Mas se antes de todos optarem por bagagem de mão já era ruim, imagina agora que todo mundo precisa parar no corredor para guardar alguma coisa! Muita gente reclama de chegar cedo e precisar despachar a mala, mas é esse caos para entrar e sair do avião que realmente me irrita. Se tenho tempo, geralmente espero a multidão ansiosa sair, mas se você não está na janela e seus colegas de assento tem pressa, nem sempre é possível.

Essa bagunça, gerada mais pela cobrança que pelo gosto de “viajar leve”, foi o que mais me irritou nessa experiência. É bagunçado, demorado, confuso e com poucas alternativas de melhorar. Fazendo a lista de prós e contras, descobri que prefiro poder levar tudo que preciso e não me preocupar com a possível falta de espaço no bagageiro. Quanto à bagunça, infelizmente não posso fazer muita coisa. Mas isso sou eu.

É claro que minha mala sempre pode ser perdida ou danificada e jogar minha lista de prós por água abaixo. Mas, por hora, saí desta experiência com a convicção de que não preciso me sentir uma viajante exagerada ou culpada por não conseguir seguir a tendência e viajar apenas com mala de bordo. A opção do momento tem muitas vantagens, é verdade, mas não é perfeita. Então, quando possível (inclua $$$ aqui) vou, sim, despachar minha malinha – feliz da vida!

Fica a dica: malão ou bolsinha, viagem como se sentir confortável. E não tenha vergonha disso!

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About Fabiane Bastos

Jornalista especializada em cultura, viciada em filmes, séries e livros não necessariamente nesta ordem. Adoraria poder visitar os mundos que só conhecemos pelas páginas e telas, ou chegar o mais próximo disso possível!

  • Fernanda Scafi

    Legal! Outro problema de viajar só com malas de mão é que vc tem que andar km e km nos aeroportos carregando a mala, que mesmo com mil rodinhas, incomoda. O aeroporto de Viracopos tá gigante e foi o que mais gostei de despachar mala nas minhas últimas 3 viagens – não ter q arrastar a mala pelos corredores do aeroporto!

    • Fabiane Bastos

      Verdade! E quando resolvem que agente vai embarcar ou desembarcar na pista? Lá vamos nós c/ a mala no busão apertado, e arrastando pelo asfalto….