O dia em que conheci o Natural History Museum de Londres


Se ao ouvir “museu de história natural” você logo associa com o filme do Ben Stiller (se não entendeu a referência, estou falando da trilogia Uma noite no museu), você não está sozinho.  Embora não haja nenhuma fórmula mágica que dê vida aos “habitantes” do museu londrino, ainda assim a visita a esse ponto turístico é quase obrigatória. Tem muita coisa legal para se descobrir lá.

A entrada é gratuita (você pode contribuir voluntariamente, se quiser), ele está aberto diariamente e a localização é perfeita: no entorno há vários outros pontos de visitação famosos, além de ter uma estação de metrô bem próxima, dá para ver pelo menos dois dos mais importantes museus no mesmo dia – o Victoria & Albert é literalmente ali do lado, basta atravessar a rua.

Além das exposições permanentes, sempre tem alguma outra exposição interessante temporária: na época que eu fui, havia uma sobre como eram os animais por dentro. Outra curiosidade são as atrações sazonais nos jardins do museu: durante o verão, abre-se um borboletário e no inverno, um rinque de patinação no gelo. As atrações ficam por tempo limitado e são pagas.

museu

O National History Museum foi o primeiro museu estrangeiro que visitei. Dá para entender porque eu tenho um cantinho no coração reservado para ele, não é? Pode não ser tão grande quanto o Tate Modern (que é realmente gigantesco), mas é uma estrutura impressionante. A enorme fachada de pedra, com janelas altas e várias gárgulas, é linda de morrer. E lá dentro a estrutura também é bastante detalhada, com vários entalhes de pedra, madeira maciça, esculturas em mármore e muita história. Mas não vou me atropelar. Comecemos, então, pela minha descoberta.

A pura verdade é que esbarrei no museu. Saímos do hotel (eu e minha mãe), que era bem perto da estação Bayswater, e cruzamos o Kensington Gardens aleatoriamente. Chegando até o Royal Albert Hall, um palco famosíssimo no mundo inteiro, e logo ali atrás, num imponente prédio vermelho, estava a Royal Music Academy. Continuei circulando pela região (e achei um curioso prédio em curva numa ladeirinha). Continuamos andando e passamos por uma rua onde encontramos o Science Museum, seguido do Geological Survey & Museum (fiquei devendo uma visita aos dois – apenas mais uma desculpa para eu voltar a Londres). Então esbarramos na entrada lateral do museu.

Confesso que fiquei confusa. Num museu que trataria da história do mundo, eu pensava em viagem ao passado. Mas logo de cara a gente encontra passado e futuro misturados: enquanto figuras esculpidas de Atlas e outras figuras mitológicas gregas ladeiam nossa entrada, há uma escada rolante que nos leva para dentro de um planeta e uma figura de astronauta para nos receber. É intrigante e bonito, e revela muito do que vamos ver ali dentro.

Seja bem-vindo!

Basicamente há uma coleção de fósseis enorme, dos mais completos e variados tipos de animais; mas há também espaço para a tecnologia. No pátio, mais adiante (que fica, na verdade, na entrada principal do museu), há uma figura interativa: o fóssil de Dippy, um dinossauro, pode ser iluminado ou acionado para rugir – basta que se façam doações para cada uma das funções. A sessão de dinossauros, aliás, é muito bacana e conta com uma enorme reprodução animatrônica de um T-Rex (tente não ficar arrepiado de medo ao pensar que ele podia ser real). Mesmo eu, que não gosto muito de dinossauros, curti muito esse trecho do museu.
Mas há outros tesouros dentro, como a seção de uma sequoia exposta no hall principal. Nada mais é do que uma tora gigantesca, mas é simplesmente uma parte do maior ser vivo que já habitou nosso planeta. Se só um pedaço, uma fatia quase, já é daquele tamanho, imagina a altura que ela chegou?! É espetacular. Reparando bem, várias coisas são grandiosas no museu – mesmo que ele não seja “O” maior nem o mais famoso.
A parte mineralógica é enorme e traz amostras de todos os tipos de pedras do mundo – inclusive pedras fluorescentes. Se um diamante normal já é lindo, imagina um que brilha no escuro? Além disso, o próprio prédio é uma joia em si. Sua arquitetura é sólida e ricamente decorada, por dentro e por fora, com detalhes em colunas e guarda-corpos de escadas.
Tudo isso é só a parte mineralógica - um pedacinho do museu.

Tudo isso é só a parte mineralógica – favor notar meu cansaço, grata.

Mesmo tendo conhecido rapidamente (eu tinha acabado de chegar de uma viagem de 11h dentro de um avião, Rio-Londres sem escalas), minha visita ficou marcada para sempre na memória. Ali eu descobri que ficar para a história pode ter outra conotação, que a evolução nem sempre é bonita (mas absolutamente necessária), que mesmo a mais insignificante pedrinha tem muita coisa para contar, que nem sempre o mais forte sobrevive. Que não somos ninguém sem nossa história.
A seguir vem uma galeria com algumas das minhas fotos favoritas do lugar, além dos meus suvenires favoritos da viagem: os Cube Books com fotos de paisagem em tamanho reduzido e a lente de aumento portátil (muito útil até hoje!) – todos disponíveis dentro da lojinha do museu, que nem cobrava tão caro pelos presentes vendidos lá. Espero que gostem tanto quanto eu amei estar lá.
Curiosidade: o museu já apareceu em alguns filmes. As aventuras de Paddington (2014) conta a estória de um ícone inglês, o ursinho Paddington, circulando pela cidade (e era óbvio que o museu não poderia ficar de fora), é um dos mais recentes; mas quem já viu A lenda de Tarzan (1984) também pode reconhecer o imponente prédio.
 

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.