Fotografia de viagem: o que fazer com minha câmera?


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Sabe quando você começa a planejar a viagem dos sonhos e, pesquisando sobre o local, encontra fotos incríveis do lugar; então você se planeja, viaja, registra tudo e quando vê, nenhuma foto ficou igual às que fizeram você se apaixonar por aquele destino? Não se espante. As fotos bonitas de viagem quase sempre foram feitas por profissionais, para armazenamento em banco de fotos na internet.

“Ah, mas meu amigo foi lá dois meses depois e voltou com fotos incríveis!” Existem várias possibilidades: ele pode ter ido na melhor época para fotos, tinha mais conhecimento sobre fotografia ou um equipamento melhor que o seu. Agora, vem a pergunta mais importante: o que você quer nas suas fotos? Um lugar bonito, de fazer inveja aos seus amigos que não viajaram, ou coisas que daqui a 20 anos vão lhe trazer recordações específicas dos dias que você passou naquele lugar? Um pouco dos dois?

Qualquer resposta é aceitável. O que se deve fazer, no entanto, é se programar para não se frustrar. Portanto, se você quiser fotos profissionais, vai ter que estudar um pouquinho antes do embarque e talvez investir em um equipamento melhor. Mas se não tem tempo ou condições de investir, também dá para aproveitar sua viagem e fazer boas fotos: o segredo é conhecer a sua câmera.

Fugindo do guia básico de dicas de fotografia e do guia especializado em câmeras, resolvi listar os tipos de câmera que a gente encontra no mercado (ou no armário) e o que a gente pode fazer ao levar essas belezinhas para passear.

divulgação - internet

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DSLR
Conhecidas pelos mortais como “profissionais”ou “semi profissionais”, são câmera com mais recursos e que tem a possibilidade de trocar as lentes. Com mais opções de ajustes manuais, controles mais complexos e gama de lentes, esses equipamentos são mais caros e, para que sejam melhor aproveitados, exigem mais técnica e experiência. Não é proibido usar a câmera no automático só porque ela tem mais recursos manuais, mas eu sinceramente considero que seria um peso (e uma preocupação) a mais na mochila se você realmente não for utilizar todo o potencial que ela oferece.

“Ok, estou disposto a me dedicar”. Muito bem: saiba que vai ter que carregar peso. Mochila com câmera, acessórios, lentes, tripés e iluminação (além de outros brinquedos, se você quiser experimentar algo) consomem espaço na mala, energia durante o dia e paciência até acertar a foto. Achar a melhor luz, encontrar o ângulo perfeito, acertar o ISO, escolher a lente certa, conferir o balanço de branco, posicionar os objetos em cena… Tudo requer tempo, especialmente se você é iniciante. Se estiver em grupo e você é o único disposto a buscar a “foto perfeita”, esteja preparado para 1) fazer uma parte do percurso sozinho, 2) negociar o tempo com quem estiver contigo ou 3) escolher viajar sozinho para explorar/aprender.

Todo o processo pode parecer desestimulador, mas quando a foto aparece na tela e ela é exatamente o que você esperava… Não tem preço! Portanto, a dica mais importante é confira seu equipamento antes de sair e certifique-se de que não esqueceu os cartões de memória (ter ao menos mais um para emergências é item obrigatório), pilhas e baterias carregadas (e, se possível, as reservas também) e capas e protetores de câmera e lentes, se a aventura for mais radical. Depois, é só persistir.

*dica extra: estude o terreno onde você vai estar antes de focar no visor ou na composição da foto. Pedras, buracos e, principalmente, poças (ou qualquer lugar que tenha água) e saliências podem causar acidentes desagradáveis, que podem arruinar sua experiência.

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COMPACTAS
São câmeras com menos recursos que as DSLR (algumas nem são tão limitadas assim, como as superzoom ou as mirrorless), porém ganham na praticidade de estarem sempre à mão, serem menores, mais leves e com bons pre-settings que facilitam a vida dos viajantes.

Imagine o cenário: viajando para uma cidade no inverno e está nevando, a paisagem está linda porém seus dedos estão congelando. É só correr no botão de “fotos na neve” e deixe a câmera se ajustar sozinha. Bem mais simples do que lutar com todas as variáveis que estavam no item anterior, não? Também tem outro cenário: você está naqueles ônibus panorâmicos, fazendo um city tour pela cidade e o dia não está tão ensolarado. O trânsito está ótimo, então o motorista resolve acelerar um pouquinho. Daí os monumentos vão passando muito rápido, e você não consegue se firmar para apontar a câmera. Pre-setting de foto em movimento e, voilà!, não serão só borrões nos seus arquivos.

Outra coisa bacana da câmera compacta é que você fica automaticamente mais despreocupado. Às vezes vai bater aquela vontade de parar e produzir um pouquinho mais a foto, mas esse não vai ser o foco principal. As compactas tem mais recurso que câmeras de celular, mas são bem mais descomplicadas que as profissionais. Fotografar com compactas pode ser um pouco frustrante para quem tem mais experiência, mas para quem está apenas querendo relaxar e voltar com algumas fotos de recordação, elas são uma ótima pedida – principalmente pelo custo benefício.

Lembrando que a maioria das pessoas não costuma imprimir mais do que 30% das fotos de viagem (dados nada estatísticos, apenas experiência própria) e que o formato mais utilizado nessas impressões é o famoso 10×15 (um formato pequeno), os arquivos gerados por essas câmeras são bem mais leves – ocupando menos espaço de memória – e resultam em impressões de qualidade satisfatória.

A dica de ouro é conferir se baterias e pilhas estão carregadas, além de ter um carregador na mala – a maioria dos modelos são compatíveis com carregadores de celular (menos um item na bagagem). Outra observação minha é que compactas são um ótimo divertimento para crianças e idosos, que ficam felizes de poder registrar o que mais lhes chamam a atenção sem ter que “atrapalhar” os outros. Se estiver viajando em família, experimente deixar uma câmera dessas com eles e veja os resultados depois num almoço de domingo.

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INSTANTÂNEAS
Essas câmeras eram populares há alguns anos, mas a digitalização acabou por transformá-las em raridades. Modelos antigos foram esquecidos, e pouco se produz para alimentá-las. As fotos produzidas por essas câmeras não eram de qualidade (desbotavam muito rápido), mas eram uma grande sensação. Hoje existe uma nova demanda por esse tipo de fotografia, e ela funciona mais como uma curiosidade do que como um registro efetivo da viagem. Se você procura diversão, esse pode ser um ótimo jeito de criar memórias das suas férias.

As câmeras instantâneas não tem um custo-benefício muito atrativo. Os packs de papel fotográfico específicos são caros por conta da limitação da quantidade de fotos – se compararmos preço versus quantidade de fotos entre um pack e um cartão de memória, as instantâneas perdem de lavada. Porém, as imagens instantâneas são divertidas e tem um apelo emocional que as digitais não tem. É curioso ver a imagem se formar aos poucos no papel, ali, bem diante dos seus olhos. Informais e muitas vezes coloridas, parecem brinquedo – e trazem de volta a informalidade de brincar com o momento. Existem vários tipos de acessórios para essa câmeras que as deixam mais interessantes: câmeras que imprimem em formato de paisagem, lentes coloridas, bolsas diferentes. As fotos impressas também podem estimular a imaginação na hora de guardá-las ou expô-las.

Mas, atenção! Cuidado para não ficar sem papel durante a sua viagem, ou pode haver aquela frustração por não ter mais como registrar seus momentos. Dependendo do seu destino, pode ser difícil encontrar uma loja que tenha o pack para o seu modelo e você pode acabar com um “peso morto” na bagagem. Certifique-se de que comprou packs suficientes para o tempo de viagem, cuidado com a exposição deles ao sol – evite trocar o refil na rua, as chances de algum desastre aumentam consideravelmente – e tente controlar o número de cliques (minha dica é deixar para registrar “aquele momento” da viagem, ou “aquele detalhe” maravilhoso). Deixe as tentativas de selfie para o nosso próximo item da lista.

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CELULAR & TABLET
Quem é que vai viajar e deixa o celular em casa? Bem, eu sei que esses desapegados existem, mas ainda não esbarrei em nenhum deles. Não importa marca nem modelo, qualquer smartphone hoje tem ao menos uma câmera. E se não tem nenhuma outra câmera melhor por perto…

Outra coisa que faz as câmeras de celular e tablets imbatíveis e queridinhas dos viajantes é a internet. Um clique, uma legenda, uma rede conectada. Pronto! Sua viagem está sendo registrada e salva online, sem risco de você (e os seus amigos) perderem aquele momento. As redes sociais são inundadas por fotos assim todos os dias, e eu até acho bacana ver as fotos que os colegas fazem sobre lugares que eu ainda não fui – e os que fui também, afinal eles podem ter ido em um trecho que eu não conheci.

Nesse quesito, acho que muita gente pensa que é um “vale-tudo”: de foto de comida a detalhe de lembrancinha, chovem fotos na rede. O que ninguém lembra é que, justamente pela facilidade, ninguém se preocupa com a quantidade de fotos lotando a memória do celular. Então, antes de viajar, lembre-se de fazer um backup (na nuvem ou hd, onde preferir) e limpe a memória e o cartão de memória, se houver. Garantir espaço nunca é demais.

Outra dica válida é saber mexer na configuração da câmera do seu celular/tablet. Os menus geralmente são simples, mas pequenos ajustes podem ser a diferença entre um borrão colorido e uma foto digna de perfil do Facebook. Filtros de cor e efeitos também são facilmente encontrados em outros aplicativos, e brincar com eles também é divertido – se você souber o que está fazendo. Sempre se pergunte “será que vale a pena estragar esse pôr-do-sol lindo com esse filtro azul?” ou “esse céu fica mesmo mais interessante se eu colocar em preto e branco?” – na dúvida, experimente os filtros e os outros ajustes. Sem dúvidas, dá para treinar o olhar fotográfico também nesses pequenos detalhes.

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CÂMERAS ANALÓGICAS
Essas são raridades. Poucos são os viajantes que se preocupam em comprar ou usar essas câmeras em viagens. A começar pela dificuldade de encontrar artigos para essas máquinas – filmes, lentes, assistência técnica, laboratórios de revelação – elas caíram em desuso. Apenas os mais apaixonados ainda se programam para sair de casa com elas. Eu fiz isso uma vez, e pretendo fazer sempre.

Nos acostumamos tanto a fotografar e logo em seguida olhar para o visor, ver aquilo que a gente registrou e possivelmente corrigir algum erro, que chega a ser estranho fotografar e não saber o que “aconteceu” ali. Não importa se o seu modelo é compacto ou de lentes intercambiáveis, fotografar com câmera analógica exige mais conhecimento de fotografia do que uma compacta digital – e, às vezes, até mais que de uma DSLR profissional. Tudo começa com a escolha do tipo de filme que você vai usar e qual a sua intenção com ele. Saber que não dá para trocar de filme a qualquer hora e ambiente também é fundamental: o ISO800, por exemplo, não é o mais indicado para um roteiro de praias; mas se quiser fotos noturnas da cidade, você vai precisar dele – e se os dois objetivos estiverem na sua programação do dia, você vai ter que aprender a lidar com isso.

Uma dica interessante para quem quer descobrir o processo analógico é usar uma câmera digital de apoio. Use-a no modo manual e ajuste as informações básicas dela (ISO, diafragma e obturador) como um guia, repetindo as informações da analógica – ou vice-versa. Teste na digital: se o resultado ficou bom, repita o processo na analógica. Procure saber sobre tipos de filme (coloridos, preto e branco, infra-vermelhos, negativos, positivos) e processos de revelação – alguns podem até ser feitos em casa.

Outra coisa importante: antes de viajar, revise sua câmera. Por serem pouco utilizadas, são mais propensas a ter acumulados sujeira e fungos, o que pode danificar o equipamento. Não importa se sua câmera analógica é profissional ou aquela que sua mãe tinha esquecida na mala em cima do armário, vale a pena levar a um especialista ou loja do ramo para ter certeza de que ela funciona bem e que os resultados na impressão serão minimamente satisfatórios.

No fim das contas, a dica geral é revisar sempre seu equipamento e ver se não esqueceu nada: câmera, lente, cartão de memória, pilha ou bateria, os elementos reserva, acessórios, filmes, protetor de chuva, limpador de lente. Verifique se você precisa mesmo disso tudo na sua mala ou se você pode reduzir ao mínimo necessário. Pese prós e contras de se ter tal equipamento consigo, se vale a pena o esforço ou se você não não se incomoda com o processo.

E se depois de ler este post com dicas não-ortodoxas sobre fotografia de viagem você se sentiu com vontade de sair com uma de cada na mochila na sua próxima viagem, eu fiz o meu trabalho bem feito. Não se engane, essa é a minha maior vontade! Mas, logicamente, não é necessário que isso aconteça. Mais importante do que saber o que você vai levar na sua mala é saber exatamente o que quer trazer de volta na bagagem. Fotos bonitas, que contam estórias, que durarão para sempre – porque sabemos que elas desbotarão com o tempo, mas as memórias permanecerão intactas.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.

  • Fabiane Bastos

    Adorei as dicas!