O que fazer em Buenos Aires: roteiro sugerido de 4 dias na capital argentina


Montar um roteiro de viagem é sempre um quebra-cabeça delicioso: no início, quero abraçar o mundo e, quanto mais pesquiso, mais lugares quero visitar e incluir no planejamento. Na minha segunda vez em Buenos Aires, pude me dar uma folga em relação a muitos pontos obrigatórios para arrumar espaço para conhecer outros cartões-postais da cidade, além de atrações menos conhecidas, que ia encaixando aqui e ali.

Desta vez tive três dias e meio (de quinta a domingo à tarde, quando saía meu voo de volta para o Brasil), mas deu para aproveitar bastante coisa – sempre andando a pé e de transporte público. Ainda ficou muita coisa legal de fora! Não vejo a hora de voltar aqui para compartilhar um roteiro mais alternativo pela capital argentina quando for lá novamente. E espero que desta vez não demore tanto para voltar!

Abaixo, segue nosso roteiro detalhado – e tem mapinha lá no final, pra ajudar a se organizar 🙂

Dia 1 – Puerto Madero, Retiro e Recoleta

Puerto Madero: estátua de Juan Manuel Fangio, Paseo de la Historieta, Fuente de las Nereidas

Puerto Madero: estátua de Juan Manuel Fangio, Paseo de la Historieta, Fuente de las Nereidas

Meu primeiro dia foi dedicado a explorar dois pedaços da cidade que ainda não conhecia. Hospedada no Centro, fui a pé até Puerto Madero, onde passei uma manhã bem agradável. Caminhando em direção à Reserva Ecológica Costanera Sur – grande área verde utilizada pelos locais para lazer e esportes -, cruzei com estátuas famosas pelo caminho, como a do piloto de fórmula-1 Juan Manuel Fangio com sua Mercedes-Benz W196, conhecida como Flecha de Prata (esquina de Juana Manso e Azucena Villaflor), e algumas esculturas do Paseo de la Historieta.

Chegando à Fuente de las Nereidas (chafariz originalmente concebido para a Plaza de Mayo, mas considerado indecoroso demais para isso), contornei o Paseo de la Gloria, um corredor que celebra os atletas mais célebres do país, como a tenista Gabriela Sabatini e os craques Lionel Messi e Diego Maradona.

Puerto Madero: Museu do Humor, barraquinhas na Costanera Sur e Fragata Sarmiento

Puerto Madero: Museu do Humor, barraquinhas na Costanera Sur e Fragata Sarmiento

Em seguida, foi a vez de conhecer o lindo prédio do Museu do Humor. Tive que esperar um funcionário chegar para abrir, já depois das 11 horas. Fiz a visita praticamente sozinha e acabei nem pagando entrada, porque a máquina de imprimir o ingresso deu defeito. De qualquer forma, é um programa baratinho (30 pesos) e que tem entrada gratuita de segunda a quarta.

Segui a dica do blog Aires Buenos e escolhi um choripán (sanduíche de linguiça) em uma das barraquinhas da Costanera Sur para o almoço (Av. Macacha Guemes com Av. de los Italianos). Adoro comida de rua! Além de barata, é prática, informal e dá a chance de sentir um pouco o dia a dia da cidade, sem o enfeite para turistas.

Dali, fui fazendo o caminho de volta, já visitando algumas das locações de filmes gravados na cidadeNove Rainhas, com Ricardo Darín, teve várias cenas rodadas no hotel Hilton, já na parte mais conhecida de Puerto Madero. Depois de cruzar a fotogênica Puente de la Mujer, foi a vez de visitar a Fragata Sarmiento, outro museu que indiquei aqui no nosso post de programas baratos em Buenos Aires. Vale muito passar uma horinha desbravando todos os compartimentos da embarcação.

Retiro: Plaza San Martín, Torre Monumental, Edifício Kavannagh

Retiro: Plaza San Martín, Torre Monumental, Edifício Kavannagh

Dali, era hora de seguir para outro bairro, o Retiro. Quem quiser, já pode se perder pelo Centro, mas eu deixei propositadamente para outro dia por um motivo simples: a Casa Rosada tem visitas guiadas apenas nos fins de semana. Então, hora de pegar o metrô e desembarcar na linda estação do Retiro, cenário de O Segredo dos Seus Olhos. Bem em frente a ela, fica a fofa Torre Monumental, que você pode dar a sorte de subir se ela estiver na programação do programa Miradores de Buenos Aires, promovido pela prefeitura. Sorte porque são datas específicas em determinados pontos de observação na cidade, e é preciso se cadastrar por e-mail.

Se não for o caso, não tem problema, eu me encantei tanto com a Plaza San Martín que nem fiquei chateada de não ter conseguido vaga. Não sei se foi o fato de ela estar toda florida, de tantas pessoas passeando com seus cachorros, tantas crianças brincando… Sei que eu não queria ir embora – é um ótimo lugar para relaxar ouvindo música, lendo um livro, tomando um sorvete… Dali é possível avistar o famoso Edifício Kavannagh, visto em Medianeras, e caminhar até a bela Basílica do Santíssimo Sacramento.

Recoleta: empanadas no El Sanjuanino, fachada do Alvear Palace Hotel e Plaza de Cataluña, cenário do filme Medianeras

Recoleta: empanadas no El Sanjuanino, fachada do Alvear Palace Hotel e Plaza de Cataluña, cenário do filme Medianeras

Dali, encerrei meu dia no bairro da Recoleta, onde cacei algumas locações de Medianeras, como a Plaza de Cataluña, e provei saborosas empanadas no El Sanjuanino. Mas o bairro tem muito a oferecer – tanto que talvez seja bom reservar boa parte do dia para ele, se você tiver mais tempo pela cidade. No meu caminho, passei em frente ao célebre hotel Alvear, que oferece um chique chá da tarde, se você estiver disposto a gastar uma boa quantidade de pesos (o Destemperados tem um post bem completo sobre a experiência).

Mas a Recoleta é uma ótima pedida mesmo se o orçamento estiver apertado: dá para visitar o enorme Museu Nacional de Belas Artes, a Floralis Genérica, a linda livraria El Ateneo e o cemitério da Recoleta, onde está enterrada Eva Perón (é possível agendar uma visita guiada). Tudo sem gastar nada!

Dia 2 – Palermo

Parque Tres de Febrero: Rosedal e Planetário Galileu Galilei

Parque Tres de Febrero: Rosedal e Planetário Galileu Galilei

Meu segundo dia em Buenos Aires foi no meu cantinho preferido da cidade: Palermo. Na minha primeira estadia, segui algumas recomendações e resolvi inclusive ficar hospedada por lá, mas não achei muito prático por ser bem afastado do centro e não ter metrô perto. Mas, desta vez, resolvi dedicar um dia inteiro ao bairro – o dia mais relaxante de todos, em meio a todo o verde do Parque Tres de Febrero, também conhecido como bosques de Palermo.

Comecei o dia pelo lindo El Rosedal, que tem entrada livre e cantinhos bem charmosos, como o Pátio Andaluz e a vista do lago fazendo contraste com a cidade ao fundo. Difícil sair de lá, mas ainda tinha muita coisa pela frente: a próxima atração seria o Planetário Galileu Galilei, que foi mais divertido do que imaginei. Perdi por pouco uma das sessões de filmes que acontecem no domo, mas aproveitei bastante a visita normal, que tem uma hora de duração.

Os painéis interativos são ótimos, o Galibot, o robô que nos recebe, roubou meu coração por mostrar que sabe até cantar, e os simuladores são incríveis. Fiquei com vontade de voltar num dia de observação astronômica (que acontece aos sábados e domingos, das 19h30 às 21h), inclusive para ver o prédio, que já é lindo, todo iluminado. Programão para quem vai com crianças também.

Palermo: Jardim Japonês e Malba

Palermo: Jardim Japonês e Malba

De lá, não resisti um retorno ao Jardim Japonês, um dos meus lugares favoritos em Buenos Aires. Desta vez, antes de me render à beleza do jardim propriamente dito, me demorei uns minutinhos no Salón Kagoshima, que é um espaço de exposição de elementos importantes da cultura japonesa. E a vista da sacada é ótima! Há muito que explorar por lá: sala de leitura, um viveiro, uma casa de chá, um restaurante… (de segunda a sexta, é possível fazer uma visita guiada). Mas o ponto alto é mesmo circular sem pressa (a palavra aqui é zen) pelo jardim, inaugurado em 1967, com a presença do então príncipe herdeiro e atual imperador do Japão, Akihito.

Dali, segui para o Malba, algumas quadras mais adiante. Não dei sorte de ver o Abaporu de perto – emprestado, à época da minha visita, para uma mostra de Tarsila do Amaral no MoMa, em Nova York. E olha que quando o quadro veio ao Rio, durante as Olimpíadas de 2016, eu estava viajando, ou seja… Novo desencontro, fazer o quê. Fiquei um pouco menos chateada de encontrar obras de Frida Kahlo e Diego Rivera, entre outros artistas mexicanos, na exposição temporária México Moderno – Vanguardia y revolución, além de pinturas e esculturas impressionantes da coleção permanente do museu.

Como só havia beliscado besteiras o dia inteiro, já estava na hora de fazer uma refeição decente. Segui o conselho de uma senhorinha que pegou o ônibus junto comigo e aproveitei para fazer uma refeição mais em conta ali ao lado, no Shopping Alcorta – a Recoleta não é um bairro barato, lembra? Mas quem quiser esticar a noite, tem uma boa opção nos bares e restaurantes dos arredores da Plaza Serrano (é esticar mesmo, não fica tão perto assim). Aliás, a praça tem uma ótima feirinha aos fins de semana.

 

Dia 3 – Microcentro

Microcentro: Café Tortoni, Casa Rosada e Catedral Metropolitana

Microcentro: Café Tortoni, Casa Rosada e Catedral Metropolitana

Agora sim, dia de percorrer algumas das atrações mais conhecidas de Buenos Aires com toda a calma do mundo. Se você não fizer questão do café da manhã do hotel, o Café Tortoni pode ser um ótimo ponto para começar seu dia. Aliás, em qualquer momento do seu dia: tomei por lá um chá da tarde delicioso e bem em conta, e já li recomendações sobre o show de tango da casa. Qualquer dia, quem sabe, volto para conferir.

E aí o nosso motivo de esse dia do roteiro cair num sábado ou domingo: a visita guiada à Casa Rosada. É gratuito e fácil de agendar, pelo site oficial, a partir de 15 dias de antecedência da data desejada (o tour é feito em espanhol ou inglês). Durante uma hora de tour, é possível visitar espaços como a Galeria dos Patriotas Latinoamericanos do Bicentenário, a Sala Presidencial e o Salão Eva Perón, entre outros.

Dali, é impossível não contemplar a Plaza de Mayo – que, mesmo no meu caso, em obras, continuava emanando uma energia de resistência que não tem igual. Palco das principais manifestações políticas do país, a praça é cercada de inscrições e dizeres em cartazes ou até no chão que nos lembram que é ali, na rua, a verdadeira sede do poder argentino. Bem em frente, fica outro ponto turístico importante, a Catedral Metropolitana, que tem o túmulo do general San Martín.

Microcentro: Teatro Colón e a vista do Palacio Barolo (dir.)

Microcentro: Teatro Colón e a vista do Palacio Barolo (dir.)

Dali, o roteiro segue naturalmente pela Calle Florida, com seu vaivém de gente (e cambistas) comum às principais vias de grandes cidades, mas que às vezes nos surpreende com um músico de rua animando uns bailarinos amadores ao som de Despacito.  Depois de uma rápida passada pelas Galerias Pacífico e uma pausa para o almoço, segui rumo à segunda visita guiada do dia: o Teatro Colón.

Na minha primeira vez na cidade, não pude conhecê-lo por dentro, ele ainda passava por reformas. Valeu a pena esperar para ver por dentro o local onde já se apresentaram Maria Callas, Plácido Domingo, Luciano Pavarotti e Mikhail Baryshnikov, entre outros. De uma outra vez, a intenção é assistir a um espetáculo por lá!

Bem atrás do teatro, fica o Palácio de Justiça, outro cenário de O Segredo de Seus Olhos, e a duas quadras, o Obelisco, outro clássico dos turistas. Fotos tiradas, hora de seguir para o terceiro e último tour do dia, já quase de volta no nosso ponto inicial. O Palácio Barolo é outro lugar memorável da capital portenha, por sua arquitetura, inspirada em A Divina Comédia, de Dante Alighieri. Acompanhar as histórias contadas pela guia é tão divertido quanto subir (muuuitos degraus) até o topo de seu farol. A vista de Buenos Aires compensa o esforço.

 

Dia 4 – San Telmo e Caminito

Feira de San Telmo

Feira de San Telmo

No meu último dia na cidade, era dia, finalmente, de conhecer a famosa Feira de San Telmo. Primeiro, porque visitar feiras e mercados de rua é uma das minhas manias de viagem. Segundo, para a obrigatória foto com a Mafalda, claro. Foi um passeio que estava “devendo”: da outra vez, caiu um dilúvio em pleno domingo, inviabilizando o programa.

Desta vez, o tempo também fechou, mas São Pedro ajudou. Consegui passear pelas barraquinhas com calma e, apesar de achar que não tinha nada tão original assim, curti mais os souvenirs por lá do que na Florida, onde todos pareciam cópias de si mesmos.

Caminito

Caminito

Não deu muito mais tempo de explorar o bairro antes da minha volta para o Brasil, mas dali a opção pode seguir (de táxi) para o emblemático Caminito, com suas casinhas coloridas e seus artistas de rua. Só vale ficar atento ao caminhar pelas redondezas, que costuma ser meio erma.

Os fãs de futebol tem ali ao lado a célebre La Bombonera, o estádio do Boca Juniors. Você pode visitar o Museo de la Pasión Boquense e fazer um tour pelas arquibancadas. E, se for dia de jogo, por que não conferir todo esse amor dos hermanos pelo time ao vivo?

Este roteiro sugerido de quatro dias em Buenos Aires cobre muita coisa, mas está longe de ser completo – atrações não faltam na capital argentina! O que mais você incluiria nessa viagem? E qual desses lugares você mais gostou de conhecer? Conta para a gente nos comentários!

Acompanhe tudo que publicamos sobre a capital argentina aqui no blog.

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About Giselle de Almeida

Carioca, jornalista, estudante de cinema, gauche na vida. Pareço legal, mas tento convencer os amigos a verem minhas séries favoritas