O que fazer em Porto Alegre: roteiro de 2 dias na capital gaúcha


Foi só na minha segunda vez em Porto Alegre que consegui conhecer de verdade a capital gaúcha. Novamente na cidade a trabalho, desta vez consegui esticar um fim de semana para sair do trajeto hotel-aeroporto e finalmente visitar os pontos turísticos locais.

E não é que os principais deles cabem direitinho em dois dias? Uma boa opção, inclusive, para quem está a caminho da Serra Gaúcha neste inverno!

Abaixo, você confere o nosso roteiro sugerido de Porto Alegre, com descrição das atrações visitadas – a grande maioria gratuita!

Dia 1 – Centro histórico

Nada melhor que uma caminhada para conhecer melhor uma cidade – e, no caso de visitar Porto Alegre em julho, para espantar o frio! Aproveitando um dia de sol (tímido, é verdade), a pedida foi explorar a região do centro histórico a pé.

A ambientação começou em grupo, com o tour do Free Walk POA, que promove o passeio semanalmente, aos sábados, às 11h. Foi ótimo passar duas horinhas ouvindo as histórias dos bem-humorados guias, que contam causos curiosos, como o caso do chamado primeiro serial killer brasileiro, e apresentam lugares um pouco menos conhecidos, como a extinta Livraria do Globo, hoje ocupada por uma loja de departamentos, mas preservada na fachada e num pequeno memorial. É também uma ótima forma de descobrir um pouco da história da capital gaúcha.

O ponto de encontro é em frente ao Chalé da Praça XV, e passa por pontos como o Mercado Público, a Rua da Praia e a Praça da Alfândega, antes de chegar à Casa de Cultura Mario Quintana, onde o grupo se despede. Depois do tour, já vale passar um tempo explorando as exposições do centro, visitando o quarto do poeta Mario Quintana, a sala em homenagem à cantora Elis Regina e o Jardim Lutzenberger. E só a arquitetura do edifício, dividido em duas alas, já é uma atração à parte – ali funcionava o antigo Hotel Majestic, fundado em 1918.

Em seguida, na mesma Rua dos Andradas, fica a Igreja Nossa Senhora das Dores, a mais antiga de Porto Alegre e tombada pelo Patrimônio Federal em 1938.

Com uma pequena caminhada, chega-se à Usina do Gasômetro, centro cultural (temporariamente fechado) que fica à beira do lago Guaíba. Dali partem passeios de barco, mas o local é um ótimo ponto até para se gastar um tempo apenas vendo a vida passar. Se você é como eu, que adora fazer refeições ao ar livre, observando o vaivém das pessoas, esse é o lugar: leve seu sanduíche – ou compre uns belisquetes nas barraquinhas ali ao lado – e seja feliz!

Depois de um tempinho me aquecendo ao sol (que praticamente sumiu durante o restante do fim de semana), era hora de retornar com mais calma a alguns pontos visitados durante o tour. Na Praça da Alfândega, os amantes das artes têm três opções gratuitas: o Santander Cultural, o MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul e o Memorial do Rio Grande do Sul, que funciona no antigo (e lindo!) prédio dos Correios. Vale conferir no sites oficiais horários e programação.

O passeio, ladeira acima, segue em direção à Praça da Matriz, onde ficam prédios importantes da cidade, como o Theatro São Pedro (que, além da programação, tem um memorial aberto a visitação), o Palácio de Justiça (cujo Memorial do Judiciário funciona nos dias úteis), a Assembleia Legislativa (que aceita visitas sob agendamento), o Palácio Piratini (sede do Poder Executivo do estado, que temporariamente tem a visita suspensa) e a Catedral Metropolitana de Porto Alegre. Ali ao lado, é possível avistar o movimento da Avenida Borges de Medeiros de cima, a partir do Viaduto Otávio Rocha.

Descendo de volta em direção à Rua da Praia, que é exclusiva de pedestres e um importante centro comercial da cidade, continuei a caminhada até o Mercado Público, que fica bem em frente ao belo prédio da prefeitura. Ali, as opções gastronômicas vão desde os famosos sorvetes da Banca 40 (deixei para outro dia menos frio…) até refeições mais próprias para o inverno como mocotó, também bastante procurado por lá. Mas, mesmo que você escolha algo mais leve, não deixe de experimentar as provas da Cachaçaria do Mercado – a de limão é uma delícia!

 

Dia 2 – parques e orla do Guaíba

Eu confesso que não sou muito adepta dos ônibus turísticos – nada contra, apenas prefiro desbravar as cidades que visito usando transporte público. No caso de Porto Alegre, que não tem metrô, o deslocamento por conta própria seria mais complicado. O Uber funciona bem na cidade, mas já que ia percorrer distâncias maiores, por que não utilizar o serviço da linha de turismo? Lembro que, numa viagem a Curitiba, há alguns anos, o esquema hop-on/hop-off, em que você desembarca em qualquer parada e pega o próximo ônibus, tinha sido uma mão na roda. Então, decisão tomada, comprei o bilhete (R$ 30) na Secretaria de Turismo, bem em frente ao ponto de saída do veículo, que parte a cada uma hora (nos finais de semana, há horários diferenciados).

Cinco minutos depois, desci na primeira parada, o Parque Redenção (ou Farroupilha), tombado em 1997 como Patrimônio Histórico e Cultural da  cidade. Aos domingos, rola o Brique da Redenção, um feira de antiguidades que deixa o lugar bem animado. Louças, revistas, vinis, videogames – vende-se de tudo ali, além, é claro, de artesanato, roupas e bijuterias. O parque em si não é um passeio demorado, mas o ambiente é gostoso, especialmente se fizer tempo bom. Vale andar de bicicleta ou levar um chimarrão para se sentir entrosado com os locais ou um belo livro pra ler. Se a fome apertar, dá para escolher entre as várias barraquinhas na feira ou as lanchonetes e restaurantes no entorno.

Dali, hora de seguir para outra área verde famosa da capital: o Parque Moinhos de Vento, também conhecido como Parcão. É menor que o anterior e tem um clima bem família, com área de recreação para as crianças e áreas de lazer destinadas a esportes, além de um “cachorródromo” (embora a maioria dos bichos circule livremente por todo o espaço). A maior atração é a réplica de um moinho açoriano – para os adultos, melhor dizendo, já que os pequenos ficam mais entretidos com os patos e os cágados do laguinho. Tem também uma minifeira e opções gastronômicas, com uma cara mais gourmet (além de opções de redes fast food no entorno).

As próximas paradas do ônibus são no centro histórico e na Usina do Gasômetro (uma boa opção para aproveitar as atrações que ficaram faltando do dia anterior). Mas meu objetivo era explorar um pouco mais da orla do Guaíba, mesmo com o dia nublado e o vento, que não dava trégua! Com o tempo ensolarado, deve ser uma delícia fazer esse trajeto a pé ou de bicicleta.

Para os fãs de futebol, é possível programar uma visita ao estádio Beira-Rio, sede do Internacional, para onde segue a linha de turismo. Além de loja e museu, o local conta ainda com um tour guiado, a Visita Colorada (e você confere preços e horários aqui). Aliás, cabe um parêntese aos gremistas: a Arena do Grêmio também é aberta a visitas, mas não é acessível pelo ônibus panorâmico.

A penúltima parada é em frente à Fundação Iberê Camargo, que preserva a obra do artista, além de abrigar mostras e oficinas diversas (e o melhor, a entrada é gratuita!). Depois disso, o passeio se encerra em frente ao BarraShopping Sul, de onde começa o caminho de volta. Mesmo num domingo, houve trechos de engarrafamento, que acabaram atrasando um pouco a viagem.

Além das atrações principais, é legal percorrer algumas ruas mais residenciais de Porto Alegre e observar um pouco da vida cotidiana e da arquitetura da cidade. Além disso, as informações históricas e curiosidades narradas durante o trajeto (que tem um total estimado de duas horas, sem paradas) ajudam o visitante a descobrir um pouco mais sobre outros tempos da capital gaúcha. Achei que valeu a pena a experiência, o segredo é programar direitinho quanto tempo ficar em cada atração e pegar o ônibus cedo, já que os últimos horários de retorno são por volta das 17h.

 

E você, o que achou do nosso roteiro de um fim de semana em Porto Alegre? Conhece outras atrações ou programas imperdíveis da capital gaúcha? Conte para a gente nós comentários!

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About Giselle de Almeida

Carioca, jornalista, estudante de cinema, gauche na vida. Pareço legal, mas tento convencer os amigos a verem minhas séries favoritas