Vivemos o universo do Geek & Game Rio Festival!


Hello Kity customizada: fofura nerd!

Nossa primeira dúvida em relação a um festival que tem os termos geek e games no nome era se o evento não seria restrito demais. Ainda bem que o primeiro Geek & Game Rio Festival, que rolou no Riocentro, no Rio, entre os dias 21 e 23 de abril, mirou nos iniciados, mas deixou as portas abertas para curiosos e gente que não se considera tão expert assim.

É o nosso caso, inclusive, fãs de cultura pop e nerds assumidas, mas nem tão entendidas em videogames e HQs. Foi legal ver que públicos de idades variadas, incluindo famílias inteiras fantasiadas, tiveram uma opção de entretenimento e oportunidade de ter mais contato com esse universo. Quer coisa mais fofa que criança de cosplay?

Lorelay e cosplays mirins, combinação campeã de audiência!

Sem dúvidas, o melhor do evento foram o desfile e a competição de cosplay, apresentados pela divertidíssima Lorelay Fox. A interação da apresentadora com as crianças e cosplayers (profissionais e amadores) chamava a atenção das pessoas que estavam passando ou indo comprar um lanche, e logo se formava uma pequena multidão para assistir aos personagens no palco. Com graça e simpatia, ela conseguiu abrilhantar a atração sem ofuscar os participantes.

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Geniais também os estandes de cursos e a área das crianças – chamada de Little Heroes – que pareceram um grande incentivo ao público para mergulhar de cabeça no universo geek. Ponto pra Grifinória, digo, para a organização do evento. Ah, mas é tudo comercial… Sim, pode ser – e provavelmente é. Mas preferimos acreditar no fator estímulo. Uma criança num ambiente daquele teve um passeio divertido, mas também pode descobrir que quer estudar e seguir uma carreira naquele mundo mágico.

Espaço dedicado aos pequenos nerds: atividades o dia todo!

Um ponto a melhorar é a disposição dos estandes. Os artistas ficaram quase excluídos no Art Way (que era a caminho da saída do evento), o que seria facilmente resolvido se eles ficassem no meio do centro de convenções, onde todos transitavam. Já a área Cosplay Awards ficou ao fundo do espaço (provavelmente por uma questão de logística), mas era um tanto escondida – por ser tão bacana, merecia mais destaque.

Leitores geeks

Livros, livros, livros… havia opções para nerds de todos os tipos e idades, desde ficção até biografias e estudos do universo geek, autores novos e consagrados, grandes e pequenas editoras. Mesmo os estandes de lojas maiores optaram por focar nas obras de temática nerd de seu catálogo. Inclua aqui uma grande rede de lojas de departamentos, que além dos livros, só levou produtos temáticos – além de bem-vindas guloseimas com bom preço. Complicado era escolher o que levar!

Autores nacionais em contato direto com os leitores nos standes!

Havia muitos estandes de editoras independentes no evento, o que é algo muito bacana. Em eventos de maior porte, elas seriam engolidas pelas gigantes do mercado e os escritores provavelmente teriam que divulgar seu produto na área reservada para os artistas independentes. Assim, houve destaque para a nova onda da literatura de fantasia nacional e as produções autorais, o que foi bem bacana.

Por fim, faltou espaço para um universo muito grande dentro do mundo geek: HQs e mangás. Havia apenas um estande com produtos do gênero, enquanto muitos outros ofereciam colecionáveis e outros produtos literários. Era fácil ver que os queridinhos dos cosplayers eram exatamente desse mundo, com super-heróis e personagens de anime circulando o tempo todo pelo lugar, mas havia pouco para eles. Talvez o foco fosse mesmo no público gamer, porém seria bacana ter mais opções para a galera nerd de outras áreas.

Mundo gamer

Fliperamas e arena de games ao fundo, o melhor de todas as épocas!

Se tem um aspecto em que o festival excedeu as expectativas, foi na área de games. Fazendo jus ao nome, havia entretenimento para todos os gostos e idades. Além da bela arena dedicada aos campeonatos profissionais, várias áreas ofereciam jogos de diferentes consoles e épocas, para todas as idades. Dos jogos de dança, passando por simulações de realidade virtual até os nostálgicos fliperamas, não faltavam opções.

No Board Game Alley, a área reservada para os jogos de tabuleiros, fizeram falta instrutores de jogos. Tudo bem que havia uma variedade boa de tipos de jogos e lojas no evento, mas só ia lá quem já conhecia alguma coisa sobre o gênero. Iniciantes e leigos completos podiam ser atraídos para esse nicho se tivessem como degustar dos jogos antes de comprá-los, ou alguém que os orientasse sobre quais estilos seriam mais indicados para eles. Se partisse dos próprios expositores ou da organização ter alguns especialistas e/ou atividades programadas para esse público, com certeza haveria mais gente interessada a circular (e gastar) por lá.

Área de jogos da GGRF 2017

Outras “nerdices”

Se os jogos eletrônicos e a literatura (especialmente a de fantasia e ficção científica) ganharam a importância devida, o cinema e as séries, ainda ficaram em segundo plano. E isso certamente faz diferença até para atrair mais público: com atrações mais pop, seria possível angariar mais visitantes. O painel sobre o filme de suspense/terror brasileiro O Rastro foi uma ótima iniciativa, ainda mais por prestigiar uma produção nacional, e a discussão sobre filmes de gênero no Brasil foi bastante necessária.

Mas a atração precisava de mais divulgação, tanto nas redes sociais quanto durante o próprio evento. E isso valia para todas as áreas com atrações, não apenas o auditório. Avisos sonoros e placas informativas são sempre bem vindas. Feiras do tipo ganham com ações de marketing mais efetivas: distribuição de brindes, um jogo, presença do elenco…

A organização de outros painéis sobre audiovisual seria muito

Painel do terror nacional “O Rastro”

bem-vinda, e aqui cabe uma observação: o auditório aberto do Hiker Station prejudicou muito a experiência, tanto para ouvir o que rolava no palco ao mesmo tempo em que outras competições mais “barulhentas” quanto para assistir às exibições de trailers e trechos exibidos pelos convidados. Uma área fechada seria o mais adequado.

Serviços e instalações

O acesso ao Riocentro foi supertranquilo: fomos de BRT (Bus Rapid Transportation), que deixa bem na entrada do centro de convenções. Apesar de ter alguma ligeira confusão sobre rotas (quem não estava familiarizado com o trajeto encontrou dificuldades), o transporte foi a opção mais barata e fácil de chegar ao local. Para quem não conhece, o local fica bem em frente à Cidade do Rock e perto do Parque Olímpico – mas na Barra da Tijuca, perto é sempre relativo. Em comparação à movimentação dos dias normais, os ônibus estavam vazios e o intervalo não era absurdo, embora fosse feriado em dois dos três dias de evento.

Espaço dedicado há anos para eventos deste porte e até maiores, o Riocentro tem instalações adequadas ao público que compareceu. Corredores de bom tamanho, para a circulação e com limpeza constante até nos corredores – o público é que podia sujar um pouco menos, mas isso é assunto para outra discussão.

Corredores confortáveis, circulação tranquila!

Por oferecer cardápios de preços variados e sem grandes filas, a praça de alimentação funcionou bem. Mas entre hambúrgueres, pastéis, coxinhas e afins ficou faltando uma opção mais saudável e até vegetariana. Geeks também se cuidam!

A Geek & Game Rio Festival, aconteceu entre 21 e 23 e abril na capital carioca, e surpreendeu com uma primeira edição organizada, engajada e inclusiva. Existem pontos a serem melhorados – sempre haverão – mas foi um excelente evento de estreia. Alguns ajustes aqui e ali, e o festival poderá se tornar o evento nerd anual que os cariocas estavam esperando. Para nós, foi divertido, e para você?

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