Palácio de Versalhes e seus encantos


Palácio de Versalhes é provavelmente o mais famoso castelo da França (quiçá, do mundo) e foi palco de muita história. Antes um pequeno vilarejo destruído pela Guerra dos Cem Anos e pela peste negra, entrou no mapa político mundial quando o rei Luís XIII (apaixonado pelo lugar, que era seu campo de caça favorito) comprou as terras da família Romanov – que era a arrendatária anterior e tinha construído um pequeno castelo – e o reformou. Foi a primeira reforma significativa do lugar, que sofreu ainda mais modificações depois que foi herdado por seus sucessores Luís XIV, Luís XV e Luís XVI. Este foi o último rei antes da queda da monarquia.

versalhes-estatua-luis-xiv

A estátua do Rei Sol recebe os visitantes

O palácio sofreu várias ampliações e projetos paisagísticos ao longo dos séculos e influenciou dramaticamente a arquitetura e os costumes europeus (e, consequentemente, do mundo todo). A grandiosidade e o estilo luxuoso que encantaram a nobreza francesa, inspiraram realezas invejosas estrangeiras ao redor do mundo e causaram furor na população: à época, enquanto o monarca gastava rios de dinheiro para ornamentar seu belo jardim, o povo morria de fome – literalmente. No reinado de Luís XVI, Paris já havia rebeliões do movimento revolucionário que acabaria por culminar no fim da monarquia e a Revolução Francesa quase destruiu por completo o palácio: com a queda do regime, os populares invadiram e saquearam o castelo como forma de financiar o armamento do povo durante a revolução.

versalhes-jardim-fonte

As fontes estão espalhadas por todo o jardim e são um espetáculo à parte

O fato é que, hoje em dia, mais de 8 milhões de visitantes anuais invadem o palácio e os jardins em busca de um vislumbre do luxo que o Rei Sol usufruía. De fácil acesso à cidade de Paris (o castelo fica a apenas 3 quarteirões da estação final de trem, que faz integração com o metrô da cidade), o Palácio de Versalhes impressiona: são 700 hectares de área privada, que reúnem em seu complexo o Palácio de Versalhes (área formal do complexo, onde o rei comandava e a realeza estava instalada) , o Grand Trianon (palácio menor, uma área privativa do rei), o Petit Trianon (palácio menor que o Grand Trianon, área privativa da rainha), uma ópera (ainda em atividade depois de várias restaurações) e os famosos jardins.

O tempo tava feio, mas acho que era só pra realçar o dourado do portão...

O tempo estava feio, mas acho que era só pra realçar o dourado do portão…

Uma das visitas mais impactantes e memoráveis que tive na minha vida, listo aqui um pequeno passo-a-passo de como chegar lá e do que ver. Importante avisar que é praticamente impossível ver tudo no mesmo dia, inclusive fisicamente: as distâncias entre uma atração e outra são enormes – tanto que tem até um trenzinho que dá a volta em uma parte do jardim (e você ainda fica sem ver muitos dos outros jardins).

Preparando a ida

Versalhes é considerado um subúrbio de Paris, mas leva quase 1h de trem até chegar lá. Então programe-se: escolha o melhor método de transporte para você (dá para ir de metrô-trem, ônibus ou carro) e prepare-se para andar.

Várias estações do metrô fazem conexão com a linha do trem para Versalhes

Várias estações do metrô fazem conexão com a linha do trem para Versalhes

Vá com roupas e sapatos confortáveis e próprios para caminhada – mesmo que você circule lá dentro nos carrinhos elétricos ou no trenzinho do jardim (sim, trem um trem só para andar pelo jardim), ainda assim vai ter que andar um bocado a pé. Não vá com sapatos de salto alto: podem ocorrer acidentes desagradáveis nos pisos lisos de mármore e no terreno irregular do jardim.

Outra dica importante: não é permitida a circulação de carrinhos de bebê dentro do palácio, nem a entrada de animais de estimação – mesmo que de pequeno porte. Consulte o site oficial para maiores informações (link no box, ao fim do post).

Chegando em Versalhes

Chegue cedo! Os portões abrem às 9h para todos, mesmo para os que são prevenidos e já chegam lá com o ingresso comprado. Depois dos atentados de 2015 em Paris, a segurança do museu foi reforçada: não permitem bolsas grandes e há revista na entrada. Então, tem fila enorme, sim, e não adianta reclamar. Se quiser diminuir a “concorrência”, não tem jeito: vai ter que escolher visitar na época do ano menos visitada (novembro inteiro e primeira quinzena de dezembro). Se não é o caso, aproveite para admirar a paisagem.

Eu avisei que tinha fila, não é?

Eu avisei que tinha fila, não é?

Já na entrada dá para perceber o tamanho do palácio, e somos recebidos por uma estátua do Rei Sol antes do Pátio de Armas. Existem duas entradas: a da esquerda é chamada de “A” no mapa, e é dedicada para visitantes individuais (que tenham ingresso ou não). A “B” é reservada para grupos. Então temos acesso ao Pátio Interno, e de lá o visitante pode escolher por onde começa o tour.

No pátio de mármore, em frente ao quarto do Rei Sol: peça central do prédio

No pátio de mármore, em frente ao quarto do Rei Sol: peça central do prédio

Em todos os casos, passa-se primeiro por um salão onde as bolsas muito grandes precisam ser deixadas num guarda-volumes e onde se pega o guia audiovisual. São vários idiomas disponíveis, inclusive português (de Portugal). Depois de um breve vídeo ao lado da pequena maquete do lugar, entra-se no palácio.

O palácio

Depois de explorar um pouco o pátio externo, entrei pelo lado direito – mais perto da entrada de grupos. De lá, eu peguei meu áudio-guia e segui adiante: daquele lado encontram-se os aposentos dos príncipes e princesas, a Grande Galeria Histórica, a Ópera de Versalhes (toda essa ala estava fechada para reforma quando eu visitei) e a capela do rei no nível dos jardins; dali é só subir as escadas para chegar ao lugar mais famoso do Palácio: a Galeria dos Espelhos.

No andar de baixo, toda a nobreza podia assistir à missa. O andar de cima era reservado para a Família Real

No andar de baixo, toda a nobreza podia assistir à missa. O andar de cima era reservado para a Família Real

 

Por todo o lugar há muita gente e obras em exposição temporária (além da permanente) ocupam vários espaços nas alas, então às vezes pode ser bastante tumultuado circular por lá. Se estiver visitando o local com crianças, fique de olho para não perde-las em meio à multidão. Pessoas que não se sentem confortáveis em locais fechados ou em multidões devem evitar os horários de pico de visitação (todos os dias, por volta do meio-dia, e às terças-feiras costumam ser os horários mais lotados).

Galeria dos Espelhos: o lugar mais lindo e tumultuado do palácio

Galeria dos Espelhos: o lugar mais lindo e tumultuado do palácio

Aliás, é bem estranha a sensação de confinamento lá dentro. Mesmo sendo um castelo de proporções gigantescas, os cômodos são bem apertados (especialmente os quartos) e muitos corredores são estreitos; nos grandes salões até há espaço, mas a quantidade de pessoas e a decoração extremamente detalhada cria a sensação de que é bem menor. Porém, se o que você quer é espaço…

Os jardins

… Basta esticar o passeio até os maravilhosos jardins. Tem muito espaço mesmo, tanto que tem mapa e visitação só dos jardins. Quanto mais se anda, mais se tem coisas para ver. É sério, dá para literalmente se perder ali – portanto, ter um mapinha impresso ou salvo no celular ajuda. Ao sair do prédio e ir em direção aos fundos do palácio, vemos uma grande via desenhada, que leva diretamente ao Grande Canal (dá para ver a cena pelas janelas da Sala dos Espelhos, se você se lembrar de olhar pela janela). Mas pelos caminhos laterais chega-se a diversos microuniversos, inspirados em sua maioria na mitologia grega. Há tantas fontes e lagos espalhados pelo lugar que existe até um evento nos meses de verão chamados Grandes Águas e os Jardins Musicais, em que as fontes são sincronizadas ao ritmo das músicas e formam um balé. O ingresso para esse espetáculo é pago à parte.

Acredite: esse é so um pedaço do jardim.

Acredite: esse é só um pedaço do jardim.

Na minha passagem por lá, já que perdi muito tempo na fila de entrada, eu acabei ficando desesperada por comida – já tinha passado muito da hora do almoço e eu tinha tomado só o café-da-manhã. Descobri que existem quiosques que vendem comida tipo salgadinhos/snacks, mas só depois que eu já tinha encontrado um restaurante escondido no meio do jardim <3. Gastei uma graninha ali, mas nem reclamei: o lugar é lindo e a comida era boa. Novamente, muito cheio – haja paciência! Depois, como já estava mais perto da hora de fechar e ainda havia muita coisa para ver, tive que fazer uma opção. Eu mal tive tempo de ver os jardins, mas nem por isso eu fiquei decepcionada.

Ainda é só um trecho - além dos jardins laterais, tem toda a extensão do Grande Canal e as vias para o Grand e o Petit Trianon

Ainda é só um trecho – além dos jardins laterais, tem toda a extensão do Grande Canal e as vias para o Grand e o Petit Trianon

Deixei os jardins para uma outra visita – e o coração morreu um pouquinho – já que precisaríamos andar um bocado até chegar aos outros dois principais prédios do lugar. Não se engane: vai ser mais fácil chegar até os palácios íntimos do rei de carrinho (alugável, na saída do Palácio para o jardim) ou pegar o simpático trenzinho panorâmico que circula pelas vias internas e faz o trajeto ligando as principais atrações – o ponto de saída dele é perto da Ópera. A gente preferiu aproveitar a caminhada até lá. Descemos a via principal até o Grande Canal e demos de cara com a Fonte de Apolo (o deus grego do sol, adivinhou quem quis a homenagem?); de lá, tomamos o caminho para conhecer as outras duas joias do lugar: o Grand e o Petit Trianon.

Grand e Petit Trianon

A gente só não contava que a caminhada fosse tão longa e cansativa! Para quem não acompanha meus relatos nos outros posts, eu estava acompanhada de duas senhoras (minha mãe e uma amiga nossa) – e, além do mais, eu sou sedentária shame!. Foi difícil, mas valeu a pena.

Esse é o Grand Trianon visto do pátio interno.

Esse é o Grand Trianon visto do pátio interno.

Chegando ao Grand Trianon, outro dilema: não dava para visitar os dois palácios antes de terminar o dia. Pensei com meus botões: “se a gente entrar no Petit, dá pra gente chegar na casa da Maria Antonieta”, mas fui informada de que não daria tempo de chegar lá antes que os portões fechassem. Então tive que me contentar em deixar mais um prédio para uma outra visita (snif!).  Mas também, ficar no Grand Trianon não é nada decepcionante. Um enorme corredor externo de mármore preto e branco como um tabuleiro de xadrez e uma vista de tirar o fôlego para o jardim interno – super bem-cuidado e decorado com elegância e simetria – valeram aquele fim de tarde.

Foi tudo o que eu consegui vr do Petit Trianon... =/

Foi tudo o que eu consegui ver do Petit Trianon… =/

Criado para ser um local mais reservado (já que havia muita pessoas trabalhando, circulando, protegendo e morando no enorme castelo principal), o Petit é delicado e feminino – principalmente se comparado ao robusto Grand Trianon – e traz a sensação de paz que seu isolamento lhe proporciona. Maria Antonieta o transformou em uma grande atração à parte por ter escolhido criar ali um refúgio ainda mais pessoal: dentro do jardim do Petit, há o espaço conhecido como Domínios da Rainha – uma pequena fazendinha particular, que tem até bichinhos e uma pequena horta, onde nem mesmo o seu marido (o Rei!) era permitido entrar sem sua autorização.

Domínos da Rainha - o castelinho pessoal da rainha Maria Antonieta

Domínos da Rainha – o castelinho pessoal da rainha Maria Antonieta

Essa foto veio da visita de minha irmã, Giselle. Depois de eu tê-la avisado dos nossos percalços na nossa visita, ela foi mais prevenida e conseguiu visitar o Petit Trianon e toda a área reservada para o convívio íntimo da Rainha da França. Pedi umas fotos emprestadas para ilustrar esse post e mostrar para vocês como é lindo o lugar. A mim, em minha mal programada visita, não restava mais nada além de nos juntar aos outros visitantes que esperavam o ônibus que liga aquela área do parque à estação de trem e voltar para casa.

A fazendinha, onde ela passava boa parte do tempo

A fazendinha, onde ela passava boa parte do tempo

E parece que o assunto não acaba, não é? Pois te digo que rende, sim. Para vocês terem noção, eu e minha irmã fomos ao Palácio em duas ocasiões distintas e fizemos visitas completamente diferentes. Como o parque é muito grande, ninguém tem a mesma experiência duas vezes – e dá vontade de voltar lá sempre, para ver os lugares que não viu, as atrações que perdeu, saber como fica o jardim em outra estação… Se houver a oportunidade de conhecer esse lugar fantástico, aproveite! O Palácio de Versalhes é uma atração imperdível – mesmo que você não seja desses que curtem muito explorar museus.

Então, fiquem ligados! Semana que vem tem um novo post só com a galeria de fotos dessas nossa experiências e algumas curiosidades cinematográficas.

Palácio de Versalhes –  Place d’Armes – 78000 Versailles, France.
De terça a domingo, das 9h às 18h30 (abril-outubro) e 9h às 17h30 (novembro-março)
Mapa interativo no site (francês/inglês/espanhol)
Informações: acesso, tarifas, espetáculos e dicas no site (em inglês/francês/espanhol)

Leia também


About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.