Parque das Ruínas: cultura e história no coração de Santa Teresa


Recentemente visitamos as locações do clássico do cinema nacional Os Saltimbancos Trapalhões. Neste roteiro em particular alguns pontos merecem um olhar mais atento. Por isso, hoje vamos conhecer um pouco mais do Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas.

Senta que lá vem história…

As ruínas em questão são do Palacete Murtinho Nobre. Construído entre 1898 e 1902, era residência da dama da sociedade e herdeira de uma família poderosa, Laurinda Santos Lobo. Durante a década de 1920 o casarão era ponto de encontro do Modernismo carioca, e abrigava a agitada vida cultural de sua dona com festas que reuniam famosos e figuras proeminentes.

Laurinda representada em vitrais de seu casarão.

Laurinda não teve filhos, portanto a propriedade foi doada em testamento para a Sociedade Homeopática (que nunca tomou posse da casa) após sua morte em 1946. O local ficou abandonado por muitos anos, foi saqueado, invadido, ocupado por moradores de rua e Saltimbancos Trapalhões até 1993, quando foi tombado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Em 1997 o Parque das Ruínas foi inaugurado.

Curtindo o parque…

É preciso ultrapassar a bela escadaria coberta com arcos e contornar a casa para descobrir a graça do Palacete atual.  Também é possível acessá-lo logo no fim da escada, entrando por uma de suas galerias, direto para o interior do edifício. Particularmente, recomendo que em sua primeira visita comece conhecendo o exterior do edifício, antes de mergulhar no encontro de história e modernidade que seu interior traz.

O projeto de Ernani Freire e Sônia Lopes incorpora estruturas de ferro e vidro para que as pessoas possam circular por todo o palacete. Do prédio original podemos ver a estrutura, pequenos detalhes que sobreviveram à ação do tempo e os tijolos aparentes, que evocam tanto o passado glamoroso quanto o período de abandono. Um encontro de épocas impressionante.

Não é só o ângulo da foto, a construção é impactante mesmo!

Caso toda a essa riqueza cultural não seja o suficiente para você, vale lembrar: o casarão fica no alto das ladeiras do bairro de Santa Teresa. Por isso, não importa em que ponto da propriedade você está, quase sempre é possível ter uma deslumbrante vista do Rio de Janeiro. E claro, também há o mirante. No topo das ruínas uma visão panorâmica da Baía de Guanabara, da Zona Sul e do centro da cidade – além de vislumbres da cidade vizinha Niterói. Você gastará muitos bons minutos lá em cima. Nossa galeria de imagens no fim deste post é prova disso.

O terreno ainda tem um relaxante jardim com o Projeto Banca de Livros, um teatro, galerias de exposição, palco externo, o Parque Musical (que estava fechado quando visitamos) e o Espaço Gastronômico Café das Ruínas. O que transforma o parque em um centro cultural, com atividade constante. Acho que agradaria à sua proprietária original.

Panorâmica de uma das galerias do Parque das Ruínas

Mencionei que quase tudo isso aí é gratuito? Apenas algumas atividades são pagas, como alguns shows e eventos, além do ingresso do teatro. Inclusive as duas exposições abrigadas lá atualmente estão com entrada franca: “Tecendo as Paisagens do Rio”, de Deborah Costa, e “Pinturas objetos”, de Lourdes Barreto. O centro também tem uma programação especial a cada fim de semana, que você pode conferir na página do Facebook do Parque.

Então fica a dica: seja para curtir alguma atração, ou apenas passar algumas horas relaxando, não deixe de visitar o parque das Ruínas quando viajar para o Rio de Janeiro.

Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas
Rua Murtinho Nobre, 169 Santa Tereza
Aberto de terça-feira a domingo, das 8h às 20h.
facebook.com/parquedasruinas

 

Projeto Parque Musical – 10h às 14h – facebook.com/parquemusical/

 

Exposições – 10h às 18h
Tecendo as Paisagens do Rio – Deborah Costa – até 19/02/2017
Pinturas objetos – Lourdes Barreto – até 19/02/2017

 

Teatro: Peça infantil Os Tomattos – 11h – R$30

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About Fabiane Bastos

Jornalista especializada em cultura, viciada em filmes, séries e livros não necessariamente nesta ordem. Adoraria poder visitar os mundos que só conhecemos pelas páginas e telas, ou chegar o mais próximo disso possível!