Passeio em ônibus panorâmico vale a pena?


Tudo vai depender do planejamento da sua viagem. Quem viaja sozinho geralmente quer mais liberdade, e para tanto, vai buscar todas as alternativas de deslocamento pela cidade antes de se aventurar por lá (ou, ao menos, deveria). Mas tem gente que viaja de excursão e gosta daquela atmosfera mais descontraída e despreocupada que se tem ao se viajar em grupo. Se seu perfil se encaixa nesse segundo tipo, é mais provável que vá se agradar desse tipo de passeio – que é bastante comum ao redor do mundo e internacionalmente conhecido como bus sightseeing.

 

Traduzindo o palavrão: uma volta pela cidade em ônibus de turismo passando por monumentos e atrações turísticas próximas umas das outras. Como o trajeto seria um pouco longo para se fazer a pé e aproveitando-se da malha rodoviária urbana, algum gênio decidiu que dava para carregar turistas em um ônibus panorâmico e levá-los a conhecer os pontos mais interessantes e procurados da cidade rapidamente.
Vista da Igreja de Madalena em passeio pela Praça da Concórdia

Vista da Igreja de Madalena em passeio pela Praça da Concórdia

Para quem não conhece o esquema, funciona assim: em um determinado lugar da cidade, sai do ponto de ônibus (em intervalos regulares) um veículo para os turistas. Ele tem destinos e paradas pré-programadas, todas bem próximas de um ou mais locais de interesse turístico. O turista pode, a partir dessas rotas, escolher qual linha (se houver mais de uma) ele quer pegar e quais monumentos visitar. Veja bem, dá para subir e descer em qualquer parada que ele faça – porém não dá para descer em qualquer ponto de ônibus regular. Portanto, programe pausas para lanche e necessidades básicas (leia-se “xixi”).
*Fique atento! Em alguns roteiros não se pode descer do ônibus por todo o trajeto, ou seja, uma vez embarcado terá que seguir até o final. Procure se informar sobre paradas e rotas antes de comprar o ingresso – muitas vezes dá para saber nos sites especializados, nas agências ou nos pontos/paradas.

 

“Ah, que legal! Então é só pegar o bus e ser feliz?” Em termos, sim. Mas fique atento ao número de paradas que você compra com a passagem! É muito simples: ao pagar ao motorista ou comprar o ingresso nos locais apropriados (os preços podem ser meio salgados), você automaticamente tem direito a uma certa quantidade de reembarque sem ter que pagar nova tarifa. Já fui em 3 passeios desse tipo em 3 países diferentes, e em todos eles davam direito a 4 embarques. Esses embarques devem ser feitos no prazo de 24h.

 

“E dá pra aproveitar?” Dá. Conte um embarque no momento em que você entra pela primeira vez, calcule 3 descidas para explorar e ainda sobra um embarque para voltar ao ponto de partida. Supertranquilo. Ah, e como é em 24h, dá para usar em dois dias – é só controlar o horário. Também é possível trocar de linhas quando os pontos coincidem, por exemplo, mas tenha em mente que pode precisar encontrar um jeito alternativo de voltar para o hotel depois!
Aqui temos a Tower Bridge vista de longe, mas o tour também passa por ela.

Aqui temos a Tower Bridge vista de longe, mas o tour também passa por ela.

Ainda assim, tem gente que torce o nariz para esse tipo de passeio. A passagem não costuma ser barata e a verdade é que você passa em frente aos lugares – o que te deixa com vontade de descer a cada parada, mas não pode ir em todas elas. Mais fácil se programar para ir por outros meios de transporte? Sim, provavelmente. Mas acho que vale a pena uma vista da cidade nesse transporte por vários motivos. Vamos imaginar os seguintes cenários.

 

Experimente viajar com crianças pequenas ou idosos com dificuldade de locomoção. Sabe aquela ladeira? Não vai rolar. E aquele monumento que fica a uns 5 quarteirões de distância do museu que vocês visitaram? Também vai ser difícil. E o vilão das férias, o dia chuvoso? Aquela preguiça de andar com sombrinha e sacola de compras… Pois é. Mas, e se vocês estiverem sentados confortavelmente num ônibus, com um guia presente explicando e mostrando monumentos e curiosidades ou a explicação eletrônica em português (de Portugal) num país estrangeiro? Viu vantagens? Pois é. Como nem sempre as viagens decorrem como o planejado, ter um plano B na manga nunca é demais – e pode ser bem interessante, no fim das contas.
Os ônibus nem sempre param em frente os monumentos, mas nunca tão longe que uma curta caminhada não dê jeito

Os ônibus nem sempre param em frente os monumentos, mas nunca tão longe que uma curta caminhada não dê jeito

Falando da minha própria experiência: das três vezes que visitei cidades assim, a escolha foi por motivos diferentes. A primeira vez foi uma questão de otimizar o tempo. Íamos de Londrina para Curitiba, uma cidade linda, mas que eu tinha só tinha três dias para conhecer antes de empacotar tudo de volta para o Rio de Janeiro. Então, no primeiro dia, vi todo o trajeto e aproveitei os arredores do hotel até tarde, no segundo desci nos lugares que escolhi e voltei a tempo de preparar as malas e no terceiro dia, voltei feliz porque tinha conseguido ver tudo o que queria no tempo que podia.

 

Na segunda vez, estava em Londres. Viajava com minha mãe e uma amiga dela, uma senhora mais idosa. Já nos primeiros dias ela passou mal, e foi preciso evitar muito esforço – nada de longas caminhadas, pausas mais regulares para alimentação e reidratação… Então pareceu bem óbvio e divertido conhecer a cidade assim, e a aventura ganhou um sabor especial por um detalhe muito simples: o estranhamento da mão inglesa. A sensação de estar andando na contramão e ainda estar na lei é, no mínimo, engraçada. Fora isso, andar num ônibus de dois andares é pouco normal para nós, então mesmo com chuva e frio, a gente fica lá em cima – até a chuva engrossar de vez, aí… Não tem jeito!
Passando em frente ao Madame Tussaud's em Londres - escolhendo os monumentos para visitar depois

Passando em frente ao Madame Tussaud’s em Londres – escolhendo os monumentos para visitar depois

A terceira vez foi em Paris, logo depois da experiência em Londres. Nos pareceu mais óbvio fazer essa viagem primeiro e calcular distâncias, tempo – ainda incluímos uma ida a outra cidade francesa no curto tempo que tínhamos lá – esforço e, lógico, o cansaço. Se, de tudo, não desse para ver toda Paris, nós teríamos visto la crème de la crème. Portanto, mesmo que eu não tenha visitado o Jardim de Luxemburgo, eu passei em frente a ele e salvei ao menos uma memória – poupando tempo para ficar um dia na fila do Museu do Louvre e visitando uma das alas lá dentro com mais calma.

 

Cada tipo de city tour tem um propósito, portanto escolher o que você quer fazer antes de viajar já é um bom começo. Bus sightseeing não foi a minha primeira opção quando pensei em viajar, mas acabou se tornando uma experiência agradável. De minha parte, eu gostei por experimentar um outro ponto de vista da cidade. Como fotógrafa, me acostumei a tentar ver as coisas de um jeito diferente, exercitar minha criatividade e meu olhar – e sair do chão (literalmente) me fez perceber o ritmo dos locais, as pessoas, as ruas cheias de gente ou lixo, as diferenças sociais, os nativos e os turistas naquela multidão. Tenho certeza de que não teria visto muita coisa se eu tivesse optado por me deslocar apenas de metrô ou teria gasto muito mais se tivesse optado por táxis.
Lembra que eu falei que tinha para todos os tipos de tour? Pois é.

Lembra que eu falei que tinha para todos os tipos de tour? Pois é.

Mas lembre-se: o custo por pessoa sai alto, se comparado a outros meios de transporte. Se o grupo for muito grande pode ser uma despesa extra muito salgada. Daí talvez valha mais a pena procurar um pacote de excursão ou alugar um carro para curtir com a família. Se o orçamento estiver curto, pese os prós e os contras de incluir o passeio – às vezes você vai economizar se selecionar os seus locais dessa forma, mas também é válido pesquisar se há oferta de transporte público na região e se é melhor para sua viagem economizar o valor do ingresso. Avalie, também, se esse é o seu tipo de viajar – quem prefere a independência pode escolher descobrir sozinho como ir de um lugar para o outro. De qualquer forma, o importante é se divertir e aproveitar as férias.

 

Segue uma pequena galeria para provar que nem sempre é ruim conhecer uma cidade nova do topo de um ônibus panorâmico. Muitos detalhes interessantes, muitos ângulos diferentes, muita percepção do ritmo local.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.