Perrengues à francesa: 5 ciladas que eu podia ter evitado


Seja você um viajante experiente ou um de primeira viagem, daqueles que curte viajar por longos períodos ou que curte várias pequenas saídas para quebrar a rotina, sabe que não está livre dos perrengues de viagem. A gente até que tenta se prevenir e evitar que eles apareçam, mas nem sempre é possível evitar. O que fazer? Bem, um pouco de bom humor e jogo de cintura ajudam muito!

E daí que eu tive dor de cabeça e de estômago depois desse lanchinho? 

Se impedir é impossível, remediar (ou até aproveitar e transformar em uma coisa ainda melhor) só depende de você. Relato aqui alguns perrengues pelos quais passei quando visitei Paris – e com os quais aprendi muita coisa.

Serviço VIP – só que não

Chegamos ao terminal Gare Du Nord e logo fomos até a fila de táxis. Mas não tinha nenhum à espera, e a fila estava grande. Ótimo lugar para alguns aproveitadores agirem. Uma moça se aproximou e ofereceu seus serviços, querendo ajudar a conseguir uma condução mais fácil. Meio a contragosto, segui o grupo e lá fomos atrás do táxi. Pois ele não era oficial, e a moça cobrou um absurdo apenas por ter nos atravessado a rua. Se eu tivesse entendido melhor o que ela falava antes, eu teria desconfiado do golpe – mas agora já era tarde.

Eu só fui ver a beleza desse prédio quando passei de novo, agora no ônibus panorâmico: chegada complicada

Descontente por termos protestado do valor, ela impedia o táxi de sair; e o taxista era ainda mais rude, quase nos expulsando por não resolver logo o problema – só que nossas malas estavam na traseira do carro, e ele partiria sem nos devolvê-las. Depois de muita discussão (e de quase ter a carteira com documentos e dinheiro roubadas pela mulher), fomos liberadas ao pagar a quantia que ela exigia. Ou seja, as coisa poderiam ser mais tranquilas se eu soubesse o que ela tentava fazer antes de sair do meu lugar na fila.

*P.S.: depois dessa, fiquei bem paranoica com essa coisa de guardar com mais segurança dinheiro e documentos. Também, né? Olha o susto!

Quem quer ser um milionário?

Outro golpe comum é até bem esperto. Se você estiver passando distraído pelas belas vitrines das joalherias do Centro, pode ser que alguém esbarre em você e peça desculpas, e tente te devolver alguma joia que tenha derrubado. Geralmente é uma aliança simples, mas pode ser um cordão ou pulseira. Se você achar que é uma boa ideia ficar com ele – mesmo sabendo que não é seu – saiba que vai perder uns trocados. O malandro vai tentar te enganar, dizendo que é joia fina, e que como você vai ganhar um bom dinheiro revendendo ela, quer uma boa parte. Mas é tudo falso, ok? “Nossa, mas será que alguém ia cair nessa?” Bem, avisar nunca é demais.

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Champs-Elysées toda enfeitada: linda, não é?

Pois minha viagem foi maravilhosa, mas cansativa. Já perto do fim da viagem, minhas forças estavam se esgotando rápido. Queria só mais umas horinhas de sono antes de sair e explorar a cidade de novo. Que dia que eu escolhi para fazer isso? 14 de julho – apenas a maior festividade da França! Esse é o dia que celebra a queda da Bastilha e a formação da República Francesa, com direito a desfiles e paradas militares, e muita agitação nas ruas… E eu resolvi tirar minha sonequinha da beleza. Quando eu descobri, já era tarde. Pois é, acontece. Mas foi assim que acabei mudando os planos e descobrindo o Cemitério de Père-Lachaise, que se tornou o meu passeio favorito na cidade.

Rá! Se eu não fui à Parada, a Parada veio até mim!

Pensa que eu perdi todo o desfile? Nada! Na pausa pro café perto do cemitério, vi alguns tanques passando pela avenida. Considero que até fiz uma boa limonada com os limões que eu mesma arrumei…

Fonte das frustrações

Olha lá! “Roubando” meu pedido!

Mais um costume comum: todo turista adora jogar uma moedinha nas fontes da vida, né? Pode ser dos desejos, do amor, da boa sorte… Toda cidade tem uma, e todo visitante – pelo sim, pelo não – faz o pedido. Eu não fugi à regra: catei meus 5 centavos de euro mais bonito da bolsa e joguei, pedindo uma oportunidade para voltar. Pois bem, invista mais na fé do seu pedido do que no dinheiro que você vai jogar lá: eu vi ciganas entrando na fonte próxima à Sacré-Coeur e recolhendo as moedas jogadas pelos turistas – bem depois que eu joguei a minha. Espero que isso não interfira no pedido das pessoas, não é?

P.S.: eu sei que ela era uma cigana porque pouco antes de visitar a igreja, ela e mais umas 10 moças estavam nas redondezas cercando as pessoas para ler as sortes nas mãos das pessoas (tinha tirado o vestido para entrar na água). Insistentes, elas falam até inglês e não deixam você ir sem parar. Eu falei em português mesmo que não entendia, e consegui fugir. Mas foi meio assustador o assédio…

Francês nível “me ferrei”

Saber o mínimo da língua de algum lugar que se vá visitar não é só uma questão de educação: isso pode salvar sua vida – literalmente. Não aconteceram casos extremos comigo, mas depois de duas situações praticamente corriqueiras em que me vi “em apuros”, pensei nas consequências mais graves de não saber me comunicar direito no idioma.

E você acha que só saber pra onde vai já é suficiente…

Estava eu empolgadíssima visitando o Louvre e precisei ir ao banheiro. Inspirada, resolvi que podia tentar me virar com o meu francês capenga. Pedi ajuda pra mãe (que sabe bem o idioma) e fui até a guardinha do museu perguntar onde havia um banheiro ali perto. Ela sorriu quando me ouviu falar (sei imitar bem sotaques, e estava realmente confiante que ia conseguir me virar), mas logo ela mudou para uma expressão estranha – eu devo ter feito uma careta esquisita quando não entendi patavinas do que ela me respondeu. Ela repetiu, mais devagar, e gesticulou um pouco. Aí entendi duas coisas: escalier e à gauche. Uma escada à esquerda! Agradeci imensamente à moça, mas ainda fiquei meio perdida até achar o banheiro escondido embaixo da virada à esquerda da escada. Viu como faz diferença?

Saída pelo Portão dos Leões: a saga do banheiro

Meu anjo da guarda trabalha mais do que o necessário quando eu viajo, principalmente quando o assunto é gastronomia. E eu tenho quase certeza que foi ele que avisou a garçonete que eu estava prestes a pedir um boeuf tartar só porque eu não queria comer quiche lorraine ou croissaint. Para quem não sabe, essa iguaria tipicamente francesa é feita de carne bovina crua, fatiada em lâminas finíssimas ou pequenos cubinhos, temperados com molhos e tal. Nem sou vegetariana, mas se eu tivesse pedido e chegasse um prato de carne crua, eu provavelmente não ia evitar um vexame – desmaiar ou botar os bofes pra fora, tanto faz.

Não podem me culpar por eu me empolgar com esses lugares lindos, né?

E porque credito ao meu anjo da guarda essa ajuda? Porque a garçonete viu meu sorrisão estampado na cara quando eu pedi e chegou mais perto, me perguntando “você sabe do quê isso é feito?”. Em inglês, mesmo que eu tivesse feito o pedido em francês. Então eu pedi uma quiche com salada mesmo, e agradeci novamente à garçonete (além de acender uma vela pro meu anjo da guarda na Notre Dame, claro – ele merece).

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.