Quinta da Boa Vista e o Museu Nacional, passeio para um dia inteiro!


Quando resolvemos visitar a Quinta da Boa Vista, no Bairro de São Cristóvão no Rio de Janeiro, não pensamos duas vezes: dedicaríamos o dia inteiro para o programa. Qual não foi nossa surpresa ao perceber que o tempo quase não fora suficiente.

Chegamos ao parque pelo acesso mais fácil para a maioria, a entrada voltada para as estações de trem e metrô. Caminhamos em linha reta pelos jardins até o Pagode Chinês, erguido em 1910 em obras de revitalização da área como uma homenagem à influência chinesa na cidade. Lá de cima dá para ver bem o parque e escolher para que lado você quer seguir.

A maioria vai para a beira do lago. Área perfeita para piqueniques, para crianças brincarem, para jogar aquela bolinha para seu cachorro ou só para ficar de boas, aproveitando o sol na grama. Vale sempre lembrar: não é permitido tomar banho no lago; mas não se preocupe, você não vai sentir a mínima vontade disso. Infelizmente, a aparência da água não é das melhores e a qualidade, provavelmente, também não. Mas pode, sim, atravessar uma ponte estreitinha para chegar no Templo de Apolo.

Incrustado em uma ilha artificial no meio do lago, também é uma obra de 1910, do artista Paulo Villon, é uma das grandes atrações do jardim. Super reconhecível, volta e meia a construção dá as caras em filmes, novelas e séries gravados do parque – entre elas os filmes Nosso Lar, Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo à Hollywood.

A assustadora pontezinha para o Templo de Apolo e suas aparições em “Nosso Lar” (onde é o paraíso) e em “Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo à Hollywood” (sonho de cinema da personagem de Letícia Colin).

O lago é artificial e faz parte do projeto de embelezamento do paisagista francês Auguste Glaziou, encomendado por D. Pedro II em 1869. A lagoa é dividida pela Alameda das Sapucaias e abriga outras esculturas, e até uma gruta artificial. Nós subimos pela escadinha na encosta gramada direto para a Alameda.

Uma pista larga, ladeada por pés de sapucaia, ligava os gigantescos portões da antiga entrada principal ao Paço. Os tempos modernos chegaram e uma avenida separou os portões do parque. Ainda é possível vê-los da alameda, em meio aos trânsito intenso. De qualquer forma, seguimos para o lado oposto e em direção ao Museu Nacional.

Também conhecido como Museu da Quinta da Boa Vista, é um museu de história natural e atualmente administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tanto o museu quanto a construção que o abriga tem muita história, então…

Hora daquela pausa para um pouquinho de história…

Jardim Terraço e Museu ao fundo, no final da Alameda das Sapucaias

Originado do Museu Real, fundado por D. João VI em 1818, ficava originalmente um prédio no Campo de Santana (edifício ocupado nos dias de hoje pelo Arquivo Nacional). Com o passar do tempo, a coleção foi crescendo com contribuições como as trazidas pela princesa Maria Leopoldina de Áustria; mais tarde, por interesses de D. Pedro II, passou a investir nas áreas da antropologia, paleontologia e arqueologia. Em 1892, já na República, todo o seu acervo e seus pesquisadores foram transferidos para o Paço de São Cristóvão.

O casarão foi erguido sobre uma colina da qual se tinha uma excelente vista da Baía de Guanabara. A construção foi doada pelo comerciante português Elias Antônio Lopes para D. João VI em 1808. O monarca logo a transformou em residência da Família Real, e posteriormente Imperial, até 1889. O Paço de São Cristóvão recebeu inúmeras ampliações e reformas ao longo do Reinado e do Império. Já as características internas foram destruídas ou vendidas após a Proclamação da República.

De volta ao Museu…

Foi aqui que o cálculo de tempo do nosso roteiro surpreendeu. Não imaginávamos que passaríamos várias horas inteiras explorando todas as salas do museu (sim, amamos museus). Ainda do lado de fora, uma estátua de D. Pedro II dá as boas-vindas para o colorido jardim terraço. No centro deste, um monumento criado pelo escultor Edgar Duvivier reproduz a figura de D. Leopoldina acompanhada de seus filhos: D. Maria da Glória, que viria a ser rainha de Portugal, e o caçula Pedro no colo.

Meteoro enorme, preguiça gigante (já no segundo andar) e T-Rex ameaçando Stenio Garcia!

Depois de comprar os ingressos à R$6, todos começam pela área Meteorítica – tem um meteoro gigantesco logo na entrada do museu! Passandi pela área de paleontologia, não deixe de procurar a maquete com o bonequinho do Stenio Garcia sendo devorado por um tiranossauro. É o ator quem apresenta os vídeos sobre dinossauros exibidos no museu.

É no andar superior que se encontram a maioria das peças, mais duas salas são ocupadas pela Paleologia. Culturas indígenas brasileiras e cultura africana compõem o setor de Etnologia. As salas de Arqueologia Brasileira incluem a famosa Luzia, o fóssil humano (Homo sapiens) mais antigo encontrado na América.

Sala do trono, cultura africana e Luzia

Uma cronologia nas paredes, e a sala do trono (deslumbrante, porém pouco cuidada), são os únicos espaços dedicados aos ilustres moradores da casa. Particularmente esperava um espaço um pouquinho maior dedicado à história da casa, bem como à sua arquitetura. Mas este é um museu de História Natural, então seguimos – até porque tinha muito ainda para ver!

Depois da sala de Arqueologia Pré-Colombiana fica o salão do Egito antigo – onde ficam as múmias! Pertinho das peças das culturas do Mediterrâneo, uma pequena sala sobre evolução do homem – e logo entramos em dois enormes pavilhões dedicados a contas, corais e borboletas. Mas, inclua aqui outros insetos e criaturas marinhas que inspiram curiosidade, admiração e nojo na mesma medida.

Múmias e cabeças encolhidas, quem não adora? rs

Lá no finalzinho do museu, uma surpresa. A exposição Amigos d’O Museu – 80 anos, uma instituição sem fins lucrativos e formada por pessoas mobilizadas pela preservação das riquezas naturais e científicas, comemora oito décadas este ano. A exposição traz informações sobre as peças do museu e até um guia interativo em vídeo.

Não esqueça também de olhar pelas janelas durante todo o percurso para ter as vistas do parque, da Baía de Guanabara (hoje cheia de prédios, mas tente imaginar como seria a vista sem eles) e do deslumbrante pátio interno do palácio.

Isy “divando” nas janelas do palácio!

Uma exposição gigantesca, com certeza vale o ingresso (é baratinho, apenas R$6 para ver tudo isso!). Senti falta, apenas, de uma organização melhor do acervo ou uma definição melhor das coleções, já que a arquitetura do prédio nos faz ziguezaguear pelas salas. Um panfleto com um mapinha já ajudaria. Mas, o museu tem áudio-guia gratuito a ser acessado pelo celular (o museu até fornece o acesso à internet). Complicado mesmo é manter a bateria por tanto tempo e aibda usar o aparelho para fotografar tudo!

De volta ao parque…

Depois de uma maratona explorando cada cantinho do museu (sim, gastamos tempo admirando cada peça, amamos isso – mas você não precisa ficar encarando cada múmia por quinze minutos como nós, e aproveitar um pouco mais todo o verde do parque lá fora), voltamos ao parque já em fim de dia. Resolvemos, então, dar o passeio por terminado – mas se você tiver mais pique que a gente, ou um dia extra, o parque ainda abriga o Restaurante da Quinta Boa Vista, que serve culinária portuguesa, além do Jardim Zoológico do Rio – que tem em sua entrada o antigo Portão do Paço, presente de casamento ao então príncipe Pedro e à futura imperatriz Leopoldina pelo Duque de Northumberland.

O Museu Nacional completará 200 anos em 2018, e uma programação especial está sendo preparada. Aproveite para se programar! E acompanhe nossas redes sociais para ver mais fotos da Quinta, são muitas para caber em um post!

Contas, corais e borboletas, e outros bichos nojentos!

Quinta da Boa vista
Av. Pedro II, s/n – São Cristóvão, Rio de Janeiro – RJ, 20940-040
Aberto todos os dias das 9h às 17 – Entrada Franca
Museu Nacional
Terça à domingo – Aberto das 10h às 16h (com visitação até 17h)
Segundas-feiras – Aberto das 12h às 16h (com visitação até 17h)
Durante o horário de verão o fechamento acontece uma hora mais tarde!
Ingresso R$ 6,00 (entrada gratuita para crianças até 5 anos, pessoas com deficiência, professores, funcionários e alunos da UFRJ, grupos de escolas públicas com agendamento prévio e guias turísticos devidamente identificados e com grupos.
www.museunacional.ufrj.br
Restaurante Quinta da Boa Vistawww.restaurantequintaboavista.com.br
RioZoowww.riozoo.com.br

Leia também


About Fabiane Bastos

Jornalista especializada em cultura, viciada em filmes, séries e livros não necessariamente nesta ordem. Adoraria poder visitar os mundos que só conhecemos pelas páginas e telas, ou chegar o mais próximo disso possível!

  • Lucimar Moreira

    Que dicas boas de programas pra conhecer no Rio a Quinta da Boa Vista e o Museu Nacional são excelentes passeios, moro aqui no Rio de Janeiro preciso mais conhecer o meu estado, bjs.

    • Fabiane Bastos

      Bora “turistar” em casa Lucimar? Estamos tentando conhecer melhor o lugar que moramos, além do mundo, é claro!

  • Dai Coelho

    Que delícia de passeio! Eu ia amar passear com minha família.. Amei a riqueza de fotos e como explicou, foi como se eu tivesse ido pessoalmente. Obrigada

    • Fabiane Bastos

      Que bom que gostou Dai!

  • Rodrigo Silva

    Olá!
    Belíssimo passeio! Achei super legal ler seu texto com as belas imagens ilustrando. Deu muito vontade de fazer o mesmo passeio 😉

    • Fabiane Bastos

      Depois que fizer, nos conte o que achou Rodrigo. 🙂

  • Júlia Vilaça

    Hey
    Que lugar legal !
    Quando a gente vai pro RJ só pensamos em ir no Pão de Açúcar e no Cristo né ?!
    Muito show esse passeio !!!

    • Fabiane Bastos

      Sim, o Rio é muito mais que Corcovado, Pão de Açucar e praia, mas até cariocas esquecem disso às vezes, por isso resolvemos “turistar” nem nossa própria cidade 😉

  • Olá! Tudo bom?
    Nossa que dia maravilhoso, realmente foi um passei muito bacana pelo o que parece nas fotos, nunca fui ao museu nacional, mas daí fica anotado a dica, obrigada.
    beijos, Joyce de Freitas.

    • Fabiane Bastos

      Vá sim Joyce, não vai se arrepender!

  • Tati Aponte

    Fabi, adoro posts culturais, afinal este é o tema do meu blog tb. Nunca fui à Quinta, e olha que eu já fui em vários museus do RJ. Este, certamente, deve ser um passeio maravilhoso, destes que a gente passa a tarde toda sem piscar. Já está na minha listinha, eu adoro a história do Brasil Um beijo!

    • Fabiane Bastos

      Parece que temos muitas coisas em comum Tati. Vou acompanhar seu blog com atenção 😉