Crítica: Liga da Justiça


As expectativas estavam altas para esse Liga da Justiça (2017) – principalmente por causa do medo da repetição dos fiascos de crítica de Batman vs Superman : A origem da Justiça (2016) e Esquadrão Suicida (2016). De fato, eu mesma tinha minhas dúvidas do que eles poderiam fazer para consertar as burradas nos filmes de 2016, mas parece que as coisas começaram a se acertar com Mulher Maravilha (2017) e, ao que parece, continuam a trilhar um bom caminho – e prometem muito mais na sequência.

Ainda no espírito de “juntar o time”, a trama principal precisou ser um pouco mais resumida: vemos o Batman (Ben Affleck) no rastro de um enigma: insetos voadores que farejam medo e um recorrente e misterioso desenho de 3 caixas que ele havia descoberto entre as anotações de Lex Luthor (Jesse Eisenberg) o levam a acreditar que uma ameaça maior está a caminho. A Mulher Maravilha (Gal Gadot) ainda está combatendo os vilões do dia-a-dia, mas logo a amazona receberá um aviso de algo mais urgente. As amazonas estão preocupadas com o comportamento estranho da Caixa Materna a que zelam, e logo elas terão que enfrentar um inimigo muito mais poderoso do que suas extraordinárias capacidades: O Lobo da Estepe (Ciáran Hinds, o Rei Pra Lá da Montanha de Game of Thrones).

Mulher Maravilha (Gadot) enfrenta o Lobo da Estepe (Hinds): luta entre deuses ainda é desequilibrada

Ambos herois entendem que o tempo está se esgotando e que é preciso recrutar mais ajuda – uma vez que o Superman (Henry Cavill) está morto, é necessário refazer uma antiga aliança entre os povos da Terra para enfrentar o disseminador do apocalipse. Mas como eles iriam exigir isso de um rei, de um jovem com problemas de socialização e um hibrido clandestino de humano e androide? Eles precisam contar a verdade, e é assim que eles vão atrás do Aquaman (Jason Momoa), o Flash (Ezra Miller) e Cyborg (Ray Fisher). Decididos a impedir que o Lobo da Estepe tenha em suas mãos as três caixas, eles farão de tudo para evitar que a Terra seja destruída.

Liga reunida para a batalha final

Devo confessar que Liga da Justiça não chegou a superar minhas expectativas, mas o filme surpreende por ter melhorado muito o tom “supergrupo de herois” que eles tentaram em 2016 e que não foi bem o esperado. Era meio óbvio que os mais conhecidos teriam mais espaço, mas ainda assim foi empolgante assistir ao desenrolar da trama. Para um filme tão longo (e com produção tão conturbada), o resultado final acaba sendo satisfatório.

O futuro de Batman (Affleck) soa um pouco incerto, mas a Liga parece ter um bom futuro

Tem problemas? Alguns, mas é compreensível. Era preciso dar tempo para humanizar um pouco os heróis e fazê-los mais reconhecíveis para os não-fãs, e a receita mais usada para criar empatia com o público geralmente é o humor. Nesse caso, preciso louvar o desempenho do filme: apesar do personagem Flash ficar com boa parte do seu desempenho comprometida com o alívio cômico, ainda assim não é exagerado (e eu acredito que eles vão explorar mais o drama no filme solo dele); há bastante equilíbrio entre ação e humor. Mas a participação do reino de Atlântida ficou muito subdesenvolvida e apressada – era até desnecessária a participação de Mera (Amber Heard) – sem realmente intrigar ao público. Cyborg talvez tenha sido o mais beneficiado dentre os “novatos” e dá para entender porquê.

Aquaman (Momoa): apesar de alguns bons momentos, mal disse a que veio

Houve bastante comoção entre fãs com algumas surpresas e cenas do longa, em especial à segunda cena pós-créditos (#ficaadica), e agora há uma grande expectativa para a sequência da Liga: menções ao maior vilão  da DC, Darkseid, e à Liga dos Lanternas Verdes fizeram a sala se tornar um estádio de futebol! Então, mesmo com muito o que se lapidar ainda, Liga de Justiça vale o ingresso, a pipoca e a espera.

Este texto foi originalmente publicado em DVD, Sofá e Pipoca.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.