“Rogue One” – Uma história de heróis anônimos


Rogue One – Uma história Star Wars (Rogue One, 2016) é um excelente longa. Os acertos vão desde o tom certo de saudosismo e homenagem à trilogia original até a perfeita combinação de efeitos especiais atuais com um roteiro enxuto, que cumpre exatamente o que promete. Pequenos detalhes não me deixaram amar o filme sem ressalvas, mas o resultado final é muito mais que satisfatório.

O longa começa com um recrutamento imperial: Galen Erso (Mads Millkensen) tentou se refugiar em um planeta desabitado com a família, mas fora encontrado. Forçado a ir com os soldados, conseguiu esconder sua filha, a pequena Jyn (Beau Gadsdon/Felicity Jones). Resgatada por Saw Gerrera (Forest Whitaker), ela cresce sob a proteção de um dos maiores líderes rebeldes.

Depois conhecemos Cassian (Diego Luna), um piloto rebelde em busca de informações. Ele descobre que Erso conseguiu enviar uma mensagem sobre uma terrível máquina de guerra (uma tal de Estrela da Morte) através de um piloto de carga imperial a seu grande amigo Gerrera. Sendo este um extremista rebelde, torna-se prioritário encontrar esse informante e levá-lo ao Conselho antes que seja tarde demais.

Jyn, agora adulta, tenta viver sem se envolver com assuntos políticos por causa de seu trauma de infância, mas vai acabar sendo envolvida nos planos rebeldes. Ela é a única forma segura de se chegar a Gerrera e, por isso, Cassian fora instruído a convencê-la a ajudar. Mesmo a contragosto, ela aceita levá-lo até seu antigo tutor; porém não quer se envolver mais do que isso. A mensagem de seu pai, porém, a fará mudar de ideia.

Apesar de um início um tanto confuso (especialmente para não-iniciados em Star Wars), com muitos nomes diferentes e novas relações pessoais e políticas para se acostumar em pouco tempo, ao longo do filme a trama se desenrola suavemente. Passo a passo, acompanhamos a corrida contra o tempo dos rebeldes e dos soldados imperiais para impedir uma catástrofe – que tem significado diferente para os dois lados. Os novos personagens tem carcterísticas únicas e são bastante carismáticos, e alguns personagens conhecidos do público aparecem em participações memoráveis. Mas nem só de fan service vive este longa.

Rogue One é um filme sobre heróis anônimos. Rostos desconhecidos e propósitos diferentes unidos pelo inevitável. Não há Jedis aqui para defendê-los, apenas a coragem de escolher o próprio futuro. E se não houvesse a missão impossível e o improvável esquadrão, não existiria a primeira trilogia (e, consequentemente, todo o universo Star Wars).

Apesar disso tudo, tenho que ser chata em alguns pontos. Como disse antes, detalhes não me fizeram amar incondicionalmente esse filme: os principais, eu cito agora. O elenco afinado brilha em atuações sóbrias, com destaque para Diego Luna e Millkensen (que nos deixam a imensa vontade de descobrir mais sobre o passado de seus personagens), mas a escolha de Felicity Jones me pareceu equivocada. Ela é uma boa atriz, mas sua Jyn Erso não tem o carisma que um bom líder deveria ter – e isso fica bem evidente nos discursos que ela faz. Daí parece meio frouxa a ligação entre Jyn e os outros integrantes, mas não é uma falha crítica.

Outro detalhe é a forma como as falas de Gerrera são escritas: fica bem evidente que foram pensadas para serem memoráveis, mas a forma de uma fala se tornar épica não é ser construída para sê-lo; ela simplesmente acontece. Ao aparecer na tela assim, soa meio brega – mas a gente perdoa porque, bem, Star Wars é assim e a gente ama do mesmo jeito. Ou vai dizer que os botões de “desligar tudo” que sempre existem nos lugares mais improváveis são plausíveis?! Nós só fingimos que não percebemos e vamos em frente.

No fim, os acertos são muito maiores que os deslizes. Ver a Estrela da Morte em ação e as suas consequências é algo aterrador e belo, e mexe com nosso íntimo. Os personagens principais são carismáticos e o diretor Garret Edwars soube conduzi-los de forma a destacar cada um no momento certo – principalmente o andróide K-2OS (voz de Alan Tudyk). Trabalho de equipe é a palavra de ordem, até na metalinguagem.

Aprendemos, também, que nenhum personagem consegue fazer entradas triunfais como Darth Vader, e que batalhas espaciais com efeitos especiais à la anos 1970 continuam maravilhosas, principalmente porque se misturam perfeitamente com os efeitos digitais atuais. Aliás, a sequência de ação final é de uma beleza ímpar: desde o momento em que o plano começa a dar errado até o momento em que dá tudo certo (isso não é um spoiler), a emoção é garantida. Excelente estreia, um presente de Natal maravilhoso para um ano tão complicado, Rogue One – Uma história Star Wars é diversão garantida. Vale a pipoca e os aplausos ao subir dos créditos.

Texto publicado originalmente em Dvd, Sofá e Pipoca

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.