Roteiro Indica: Museu AfroBrasil no Parque do Ibirapuera, em São Paulo


Quem acompanha a gente sabe que fomos à CCXP do ano passado (esse ano tem mais!) e que aproveitamos a ida a São Paulo para explorar um pouco mais. Posso dizer que dá para visitar a cidade várias vezes e jamais repetir um “rolê”, mesmo que seja em um mesmo lugar. A prova disso é o Parque do Ibirapuera, o imenso parque urbano que é o coração verde da capital paulista: repleto de espaço dedicado às atividades ao ar livre, ainda tem vários centros culturais com agenda bastante movimentada. E foi um desses que visitamos: O Museu AfroBrasil, dedicado a valorizar a história, a cultura e a arte africana e afro-brasileira.

Entrada Museu AfroBrasil, São Paulo/SP

Flagrei a Fabiane e a Giselle admirando os belos painéis na entrada do Museu AfroBrasil

Localizado no Pavilhão Pe. Manoel da Nóbrega, o amplo espaço abriga um acervo permanente (divido em seis núcleos) e exposições temporárias, além de um teatro e uma biblioteca especializada. Ou seja, o espaço é enorme! Tão grande que nem nos incomodamos com o enorme grupo de estudantes que estavam visitando o museu junto com a gente – de fato, conseguimos até desviar deles pela maior parte do tempo. Aliás, deve valer a pena fazer uma visita mediada, pois há muito o que se ver e muitos detalhes a se descobrir, mas nós decidimos fazer uma visita livre para explorar todo o local ao nosso tempo (e passo cansado também, porque acontece, né?).

A exposição temporária que estava em cartaz à época era a “Barroco Ardente e Sincrético – Luso-Afro-Brasileiro” relatava o trabalho barroco brasileiro e o sincretismo religioso, com espaço para as festas religiosas como o Reisado, o Bumba-Meu-Boi, e o Maracatu. Havia obras de Mestre Valentim um dos maiores artistas negros do país, e uma homenagem aos 300 anos do aparecimento da imagem de N. S. Aparecida – a santa negra que veio se tornar a padroeira do Brasil (mais detalhes sobre essa exposição neste link do site do museu).

Exposição temporária - Museu AfroBrasil, São Paulo/SP

Exposição temporária (já encerrada) no Museu AfroBrasil

Mas o que impressiona mesmo é o acervo permanente: são 2 andares dedicados aos seis núcleos – “África: Diversidade e Permanência”, “Trabalho e Escravidão”, “As Religiões Afro-Brasileiras”, “O Sagrado e o Profano” e “História e Memória e Artes Plásticas: a Mão Afro Brasileira”. São mais de 6 mil obras expostas, desde ferramentas de trabalho dos escravizados às representações de festas religiosas sincréticas, conectando arte e história do povo negro no Brasil (uma das mais impressionantes é, sem dúvida, o esqueleto de um navio negreiro). Prepare-se, pois há muito o que ver: até a biblioteca é cercada por obras de arte!

Exposição permanente - Museu AfroBrasil/SP

Os restos de um navio negreiro são uma das 6 mil peças em exposição

Mas, apesar da enorme quantidade de informação, o passeio não é cansativo. Pelo contrário, é estimulante ver a quantidade de coisas, história e cultura, que acabamos deixando de valorizar por ser nossa mistura única de raças e crenças. Por tudo o que representa, por ser pertinho da gente, por ser dentro do lindíssimo Ibirapuera e por ser barato (ou até gratuito, se você se programar direitinho), vale muito a pena reservar um tempinho no seu dia-a-dia ou na sua viagem pra Sampa para conhecer o Museu AfroBrasil: dica imperdível para quem mora ou visita São Paulo.

Acervo permanente - Museu AfroBrasil, São Paulo/SP

Um dos núcleos da exposição permanente: ferramentas utilizadas e peças produzidas pelos escravizados

 

Museu AfroBrasil – Av. Pedro Álvares Cabral, Parque do Ibirapuera, Portão 10. São Paulo/SP.

Horário de Funcionamento: De Terça a Domingo, das 10h às 17h (com permanência até às 18h).

Ingresso: Inteira a R$6, meia-entrada a R$3. Gratuidade aos Sábados.

Visitas mediadas (mediante agendamento no site oficial): Terça a Sexta: 9h30, 11h30, 13h30 e 15h30; Sábados, 10h30 e 14h; Domingos, 11h.

Para mais informações, acesse o Site Oficial: http://www.museuafrobrasil.org.br/

Leia também


About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.