Roteiro Indica: visita guiada ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro


Era uma terça-feira cinzenta e fria como poucas aqui no Rio de Janeiro e os outros planos para uma saída de pauta para o blog foram por água abaixo. E agora, José? Eis que, como uma anunciação divina, uma reportagem me lembrou de um passeio imperdível – e que eu nunca tinha feito: uma visita guiada ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Há anos que a visita guiada estava na minha lista de “coisas que preciso fazer”, mas… É aquilo. Moro aqui na cidade, sempre estou passando ali por perto, dá para ir depois de outro compromisso (que sempre atrasa e nunca dá tempo de fazer). Fato é que, dessa vez, eu não deixei a oportunidade passar! E já que eu curti tanto o tour de 1h dentro do teatro, resolvi compartilhar com vocês como funciona.

Eu e Fabiane, aproveitando a hora do almoço para visitar o Theatro

Um pouco de história

Inaugurado em 1909, a construção levou quatro anos para ficar pronta. Parte do plano de revitalização da cidade (inspirada em Paris) do então prefeito Pereira Passos, o projeto aprovado que ganhou um concurso internacional era (veja só, que coincidência) do filho do prefeito e de um arquiteto francês. Após a aprovação polêmica, vários artistas ilustres foram convidados a participar da decoração do prédio. As pinturas de Eliseu Visconde e Rodolfo Amoedo complementavam o luxo de vitrais e mosaicos feitos por artistas europeus, e configuravam o estilo eclético da construção, que tem fortes inspirações no barroco, neoclássico e art nouveau.

Com capacidade para 1740 pessoas em sua inauguração (e ampliado, em várias reformas, até os atuais 2.250 lugares), o Theatro Municipal é sinônimo de cultura. Recebeu, desde sua inauguração, várias montagens de óperas e balés internacionais. Desde 1930 tem seu próprio corpo artístico, formado pelo Balé, Coro e Orquestra Sinfônica.

Como chegar

O Theatro fica na Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro. Ali é repleto de opções de transporte, mas os mais práticos são o Metrô (Estação Cinelândia, saída A – Theatro Municipal) e o VLT (Linha 1, estação Cinelândia). Depois de se encantar com a maravilhosa fachada, ainda mais bonita por causa do dourado reluzente dos detalhes e estátuas pós-restauração, a bilheteria fica na lateral esquerda do prédio. É na última entrada (infelizmente, não é na bilheteria bonita que tem mais na frente) que a gente entra e compra o ingresso.

Fique atento aos horários! Alguns tours são dedicados aos turistas estrangeiros, sendo apresentados em inglês ou espanhol. Há mais ofertas de tour falados em português, mas dependendo do horário pode ser que você tenha que esperar um pouco para isso. Chegue pelo menos meia hora antes do tour começar, pois os grupos são limitados a 50 pessoas.

O tour

O grupo é reunido em frente à entrada do restaurante: logo o tour começará

Todo tour tem um roteiro pensado em explorar o melhor do local, não importa se é a céu aberto ou ambiente fechado. Aqui, não é diferente. A curiosidade do meu tour foi que, por conta dos ensaios que estavam marcados para as 15h (meu tour foi o de 14h30), nós fizemos o trajeto invertido. O ideal é começar pelo Restaurante, conhecer a entrada dos visitantes, o Hall dos Bustos e depois a Sala de Espetáculos. Mas nem por isso foi menos interessante! Com duração de 1h e muito tempo para fotos, os guias são simpáticos e estão sempre solícitos para perguntas sobre o teatro. Vou relatar, então, a  minha experiência exatamente como ela foi.

Sala de Espetáculos

Mesmo com a iluminação bastante escura, ainda deu para ver como esse lugar é lindo

Já no início nos foi avisado que talvez não conseguíssemos ver toda a beleza do lugar por conta dos testes de iluminação. Mas se com pouca luz ele já é maravilhoso, completamente iluminado deve ser de tirar o fôlego! A inspiração francesa do projeto fica clara nos detalhes entalhados nos parapeitos da galeria e nos adornos do palco. Ali podemos circular, sentar nas cadeiras, fotografar, perguntar, admirar. Recomendo procurar pelos camarotes da Presidência e do Governo do Estado, só para ter noção do privilégio deles, e – se tiverem mais sorte que eu – a pintura de Eliseu Visconde no teto da sala.

Hall dos Bustos

Ao lado do nosso guia, o busto de Carlos Gomes

Após a visitação e fotos na sala principal do teatro, voltamos para o Hall dos Bustos, onde tivemos mais informações acerca da construção do prédio e das figuras ali representadas. Os prefeitos que aprovaram o projeto do prédio (Pereira Passos) e o que estava em exercício (Souza Aguiar) perfilam o busto de Carlos Gomes (compositor de óperas), Arthur Azevedo (dramaturgo) e João Caetano (o primeiro a ter o ofício de ator reconhecido como profissão). Depois dos breves históricos e da relação deles com o teatro, nos dirigimos para o mais impactante momento do tour.

Hall dos visitantes

Olha que coisa linda…

Aqui é onde o público entra para assistir aos espetáculos. A famosa escadaria de mármore, belíssima e ricamente ornamentada, era o cartão de visitas para a elite carioca que vinha assistir aos espetáculos. E, como todo mundo sabe, sempre houve uma distinção entre classe. Então, quem não era da elite podia entrar pelas galerias de Segunda Ordem (que coisa feia, né?) e a diferença é gritante: ao invés do hall exuberante, escadas de ferro em entradas laterais, meio escondidas. Ainda assim, ambas dividem uma maravilha em comum.

Dali é possível ver os vitrais da varanda, o luxo do hall e belíssima iluminação

A  varanda

Esses vitrais…

A presença dos belíssimos vitrais são o que unificam as passagens do público para a Sala de Espetáculos. Na varanda, o espaço onde o público espera e/ou circula antes de começar as apresentações e durante os intervalos, tem os maiores e mais bonitos deles. Representam as Musas gregas, assim como as outras pinturas espalhadas pelo teto e paredes – inclusive das saletas que ladeiam a varanda. A vista dali é outro atrativo: de frente para a Cinelândia, ao fundo é possível ver o Pão de Açúcar. Nada mal, não é? Há também uma maquete em escala com o projeto do teatro, que pode até passar despercebido em meio a tanta beleza, mas que é um charme a mais – além de ser uma peça interessante por ser ainda mais antiga do que o próprio prédio.

Salão Assyrio

Depois de perder o fôlego ali (até parei com as anotações no meu bloquinho, de tão maravilhada que estava), descemos para o que seria o verdadeiro início do tour. O salão funcionava como um restaurante, que agora está desativado por questões de segurança. Em dias de apresentação, o espaço ainda funciona com um café. As estruturas do restaurante, porém, ainda estão preservadas. Os bares nas laterais, o espaço para o piano e banda (para garantir a diversão do lugar), as fontes exuberantes, as mesas… É bem bacana. Ali também é onde fica o banheiro, que – como se pode imaginar – também é glamoroso, apesar de já ter algumas adaptações modernas como uma torneira automática, por exemplo.

Sente o clima! Imagina um jantar fino nesse salão?!

A decoração é bastante interessante, um ambiente claramente influenciado pela influência assíria, egípcia e babilônica: a iluminação é toda ornamentada com enormes cabeças de touro, que também enfeitam as colunas do lugar; enormes esfinges de madeira guardam a entrada do hall, e os azulejos decorados remetem aos escritos nas tumbas. Nem por isso o ambiente é pesado ou macabro, pelo contrário! É fascinante, especialmente por contrastar tão gritantemente com o estilo mais clássico do restante do museu.

Mais detalhes da decoração do restaurante

E a visita acaba com um gostinho de quero mais. Não parece que passamos uma hora lá dentro, subindo escadas e escolhendo qual o melhor lugar para uma foto. Portanto, se quando vier visitar o Rio nas férias – ou se sobrar um tempinho no almoço – aproveite a chance de visitar o Theatro Municipal. Se puder, assista também a uma apresentação. A programação é bem completa, sempre tem algum evento acontecendo. Temporadas populares costuma lotar muito rápido, principalmente quando algumas dessas apresentações têm entrada a R$1. Confira a programação, compre os ingressos com antecedência e viva o Theatro.

Theatro Municipal do Rio de Janeiro – Praça Floriano, s/n. Cinelândia, Rio de janeiro/RJ.
Horário de Visitação: de segunda à sexta, 11h, 12h, 13h, 14h e 16h. Sábados, às 11h, 12h e 12h. 
Não é permitida a visitação livre.
Ingresso: R$20 inteira, R$10 a meia-entrada. Vendas somente na bilheteria do teatro, meia hora antes da visitação. 
Telefone: (21) 2332-9191/2332-9134  — Informações: informacoestmrj@gmail.com
Programação de espetáculos: confira no site oficial

 

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.