Sobre “Sense8 Especial de Natal”: nem bom, nem ruim


Antes que comecem a me xingar, entendam: sou fã de Sense8, sim. E, justamente por isso, fiquei decepcionada. Após um tempão de espera, depois do final emocionante da primeira temporada, criei a expectativa de que neste Especial de Natal haveria algo mais impactante na história – o que, a meu ver, não houve.

Foi legal para matar a saudade dos meus personagens favoritos e de finalmente ver o novo Capheus em ação – eu adorava o primeiro, o achava carismático demais e tinha medo de deixar de gostar do personagem por conta da substituição de Aml Ameen por Toby Onwumere – mas não foi muito além disso. Vou tentar explicar sem dar spoilers (mas não garanto).

O que aconteceu de relevante foi pouca coisa. O novo Capheus deu conta do recado e parece que sua trama vai se aprofundar na segunda temporada – o envolvimento com o chefão do tráfico está ficando cada vez mais indissolúvel sem que as consequências sejam desastrosas; Kala (Tina Desai) continua na mesma lenga-lenga de sempre – me desculpem, mas ela é a minha menos favorita; Will (Brian J. Smith) segue por um caminho muito perigoso – já trilhado por Angélica (Daryl Hannah), e aparentemente, nem mesmo com a ajuda de sua amada Riley (Tuppence Middleton) poderá impedir que ele tenha o mesmo fim que ela; Wolfie (Max Riemelt) já não pode mais adiar suas escolhas. As únicas mudanças realmente significativas foram para Sun (Doona Bae) e Lito (Miguel Ángel Silvestre).

A personagem feminina mais interessante deu um mínimo passo adiante: entendeu que bater o pé em meio à sociedade extremamente machista resulta em sofrer com as manipulações de seu inescrupuloso irmão. Mas agora ela sabe que não está sozinha – e tem ainda mais motivos pra continuar a sua vingança. Lito descobre que sair do armário tem um lado muito pior do que ele imaginava, mas também tem o melhor de todos: ser, finalmente, ele mesmo, e a separação do joio do trigo (leia-se descobrir quem são os verdadeiros amigos). E, no fim das contas, foi isso. Só isso.

Minha questão com esse episódio vai muito pelo pouco que a história andou nessas duas horas. Teve muita cena emocionante, muita fala importante (o discurso engajado de Lana Wachowski para defender todo tipo de amor e combater preconceitos é mais do que necessário), muito fan service (com cenas de luta empolgantes, cenas de sexo intermináveis, piadas prontas, aparição surpresa da diretora), muita trilha sonora boa… Mas pouco se descobriu sobre os Sussurros, os verdadeiros vilões. Houve um pequeno vislumbre do passado de Angélica e Jonas (Naveen Andrews), mas não foi nada conclusivo ou entregou nenhuma pista do que virá na segunda temporada. Além disso, faltou um clima realmente natalino.

Não acho que colocar um coral de Papais Noéis cantando Hallelluyah, por si só, já dê a sensação de Natal. Para mim, não houve trama que sustentasse esse especial. Um trailer para a próxima temporada seria mais produtivo – e até o próprio teaser desse episódio foi mais empolgante. A mensagem de amor e tolerância foi linda, mas eu esperava mais.

*A nova temporada de “Sense8” chega em maio de 2017 na Netflix. 

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.