The Handmaid’s Tale: 2ª temporada é mais difícil de assistir, diz criador da série


Elisabeth Moss é Offred na série "The Handmaid's Tale"

Quem já viu diz que a segunda temporada de The Handmaid’s Tale é mais difícil de assistir do que a primeira. Palavras de Bruce Miller, showrunner da série sensação de 2017, vencedora do Emmy e do Globo de Ouro na categoria drama.
Levando em consideração a trajetória de Offred (Elisabeth Moss) no primeiro ano da atração, exibida atualmente no Brasil pelo Paramount Channel, dá até uma certa aflição ao ouvir uma afirmação dessas, feita durante a passagem do roteirista e produtor americano no evento Rio2C (antigo RioContentMarket).
No primeiro ano da atração, acompanhamos a rotina de June, agora sem direito a usar o próprio nome e rebatizada como propriedade de seu comandante. Sua função como aia? Reproduzir. E isso, além dos estupros socialmente aceitos para gerar novas crianças após a brutal queda da infertilidade em Gilead, significa a perda de todos os seus direitos – seu ir e vir é controlado, as desobediências são severamente punidas e até ler é proibido.
“Não é mais difícil de assistir porque temos algo ainda mais cruel acontecendo, mas pelo fato de ser ainda mais realista. Isso foi algo que tornou a série muito poderosa, e vamos insistir nisso. Além disso, estamos mais apegados aos personagens, nos importamos mais com eles”, afirma Miller, prestes a lançar a segunda temporada nos EUA, dia 22 de abril, no canal de streaming Hulu.
A relação da série com a realidade é uma constante na fala do showrunner, aliás.
“Não inventamos crueldade para mulheres, senão vira uma coisa meio pornográfica. Falamos de coisas que acontecem agora em algum lugar do mundo”, diz ele, ciente da correlação que o público faz da série com questões como misoginia e fascismo, tão em voga hoje em dia.
Vale lembrar, no entanto, que, por mais atual que pareça, a temática dessa distopia foi levantada em 1985 no livro O Conto da Aia, de Margaret Atwood, que deu origem à adaptação para a TV (a obra também já ganhou versões em formato de filme, peça, ópera).
Além disso, segundo Miller, a discussão política, inerente à história, não deixa de lado o entretenimento.
“Se eu penso muito sobre isso, corro o risco de fazer uma série ruim. Tento pensar mais na experiência das pessoas, do que na conversa política. Penso que seria muito presunçoso dizer ao público como responder à série”, afirma.

Segunda temporada expande elementos do livro

Bruce Miller é o showrunner da série "The Handmaid's Tale"

Bruce Miller é o showrunner da série “The Handmaid’s Tale”

Se o primeiro ano da atração abarcou a trama principal do livro, o próximo vai expandir o universo criado por Margaret – que, mais uma vez, acompanha todo o processo de adaptação de perto (sim, seu envolvimento com a produção não se limita a estapear a atriz principal, numa participação especial que vai ao ar na primeira temporada).
“Vamos mostrar em flashbacks o que levou à criação de Gilead e explorar a vida nas colônias e  em Little America, onde vivem os refugiados em Toronto”, adianta o roteirista, que é econômico sobre as novas tramas. 
Acostumado a conduzir séries originais, Miller se diz animado com a liberdade de criar e a possibilidade de aprofundar personagens, mas diz que a parte mais difícil é manter o tom criado pela autora.
“Não quero ser o cara que estragou O Conto da Aia”, brinca ele, que planejou por alto uma história dividida em cem episódios, ou seja, dez temporadas.
“Seria ótimo ver o que acontece com Serena depois que Gilead cair, por exemplo. Tenho um plano geral do que pode acontecer dentro de várias possibilidades. Mas não sabemos o que vai acontecer”, despista.

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About Giselle de Almeida

Carioca, jornalista, estudante de cinema, gauche na vida. Pareço legal, mas tento convencer os amigos a verem minhas séries favoritas