Um dia em Inhotim: como aproveitar ao máximo um passeio por lá


O Instituto Inhotim é um museu a céu aberto que eu tenho certeza que muita gente já ouviu falar, mas ainda não sabe direito o que é – nem como faz para chegar, nem exatamente o que fazer por lá. Eu, por exemplo, era uma dessas pessoas – sabia que ficava em Minas Gerais, mas não exatamente onde (e sendo este o maior estado da região Sudeste, foi bem fácil errar feio na minha bússola). Então resolvi pesquisar melhor e finalmente ir lá conferir como era e o que era Inhotim.

O Instituto Inhotim

Criado em 2006 por Bernardo Paz, empresário de mineração e siderurgia, em uma antiga fazenda comprada por ele para abrigar sua coleção de obras de arte e os trabalhos da esposa e artista plástica Adriana Varejão, o museu a céu aberto hoje ocupa uma área de quase 800 hectares. Parte dessa área é uma reserva particular do Patrimônio Natural, pois ocupa uma região de mata atlântica preservada; mas a maior área é reservada para galerias de arte e espaços para interação com a natureza.

Onde fica o Inhotim e como chegar

A cidade de Brumadinho fica a 60km de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Lá é o ponto mais próximo do instituto e há oferta de hotéis na região para quem optar por visitas de mais de um dia. O melhor jeito de ir até lá é de carro, mas também é possível chegar lá de ônibus. Há uma linha direta Inhotim/Rodoviária de BH com saídas regulares de ida e volta.

Eu fiquei hospedada em BH e planejei minha ida até o instituto da seguinte forma: viajei à noite e cheguei à cidade via rodoviária pela manhã bem cedo, então esperei um pouco até que saísse o ônibus que vai diretamente para lá. Já tinha comprado as passagens pela internet, então foi só retirar o bilhete na hora e embarcar. Cansativo? Um pouco, mas bastante prático. Na recepção é possível deixar a sua bagagem em um guarda-volumes, sem nenhum custo adicional.

 

Como se deslocar lá dentro e precauções

Elevazione, Giuseppe Penone (Rota Laranja)

A área do instituto é muito grande. Vá com calçados adequados e uma roupa fresca, e consulte a previsão do tempo para saber se será preciso usar um boné para se proteger do sol ou levar um guarda-chuva. Lembre-se que você vai estar no meio da mata na maior parte do tempo, e em caso de chuva, os abrigos serão apenas nas galerias. Obviamente haverá muita sombra para se proteger do sol, mas protetor solar e repelente são sempre bem-vindos. Há bebedouros espalhados pelo parque, assim como os belos bancos de troncos – obra de Hugo França – que podem ser usados para descanso.

Dividido em três eixos distintos por cores (Laranja, Amarelo e Rosa), elas reúnem algumas áreas de interesse comum em rotas. O mais comum é que a visita seja feita em dois dias, onde a maioria prefere fazer a Rota Laranja em um dia e as Amarela e Rosa no outro. Em um dia é muito difícil ver tudo a pé – lembre-se que estamos em maior parte do tempo em uma área preservada; ou seja, além de ampla, a região é  bastante acidentada. Muitos acessos são subidas – a maioria é facilitada por pavimentação de pedra, mas também há trilhas para se explorar. Cuidado também ao usar certos caminhos que são rota dos carrinhos – eles andam devagar, mas manter-se atento evita acidentes. Portanto, nossa maior dica é: se for fazer um passeio de um dia por lá, vale muito a pena contratar o serviço de transporte interno – como escolhi uma quarta-feira, dia em que a entrada é gratuita, considerei o preço do transporte em carrinho como sendo o meu ingresso. Com a ajuda do mapa (distribuído gratuitamente na recepção) fica mais fácil encontrar os pontos de interesse e os de troca de rota mais próximo. Na dúvida, os motoristas sabem te indicar quais atrações estão naquela rota ou qual caminho seguir.

 

As rotas e suas atrações

A recepção é o ponto de encontro dos três eixos. Há rotas pré-estabelecidas com pontos de embarque e desembarque que ficam à disposição dos visitantes durante todo o dia. Se preferir um serviço exclusivo de transporte, também é possível contratar esse serviço já na recepção – mas o preço é bem mais salgado que a tarifa para as rotas comuns. Os carrinhos circulam somente pelas rotas Rosa e Laranja; a Amarela – a menor e mais central – só pode ser feita a pé. Não é permitido tocar nas obras expostas, mas em algumas dá para chegar mais perto e interagir. Pergunte ao monitor responsável mais próximo (sempre tem um por perto delas), se estiver na dúvida. Aliás, perguntar aos monitores sobre as obras pode te trazer diferentes perspectivas sobre a obra e a vida, o universo e tudo mais rs.

Rosa

Lago do Narciso, Yayoi Kusama

Optei por começar na Rosa e seguir até o ponto mais distante, depois voltar até o encontro com a Amarela. Da recepção, fomos até o lago na intenção de buscar a primeira parada da rota, mas tive que parar um pouco ali na margem. A paisagem tranquilizante e inspiradora mescla perfeitamente natureza e obras de arte; construções modernas como o restaurante Oiticica (a opção mais barata para almoço) e o Centro de Educação e Cultura Burle Marx. Algumas obras famosas estão nessa região, como O Jardim de Narciso, de Yayoi Kusama, e A Invenção da Cor, de Hélio Oiticica. Além destas duas obras próximas do lago – e das galerias Do Lago e Marcenaria, mais para cima na rota há outras belíssimas e intrigantes galerias. Eu recomendo visitar pelo menos a Galeria Miguel do Rio Branco, com incríveis e impactantes fotos do renomado fotógrafo, e a Matthew Barney: uma redoma de vidro espelhado contendo um trator que a gente não sabe bem se está destruindo ou reconstruindo a natureza que a cerca.

Amarela

Galeria True Rouge

Entrei nela pela interseção com a rota Rosa em frente à galeria Doris Salcedo, que é pertinho de duas famosas galerias da rota Amarela: a Galeria da Mata, que reúne obras de diversos artistas, e a galeria True Rouge – que abriga uma interessante instalação do artista Tunga. Dali é fácil chegar ao Largo das Orquídeas e à galeria Cildo Meirelles – onde se pode interagir na obra Através (que se tornou uma das minhas obras favoritas de lá: caminhar sobre o vidro quebrado da instalação é quase como criar música, além da sensação divertida de estar fazendo algo proibido e perigoso em plena segurança).

Laranja

Beam Drop Inhotim, Chris Burden

A essa altura, o cansaço da noite de viagem emendada com a ida até outra cidade começava a pesar. A fome também chegou – os restaurantes da rota Amarela são maravilhosos, mas não cabiam no meu orçamento. Muitos dos locais indicados como tendo café ou lanchonete estavam fechados à hora em que passei por eles, encontrando somente a hamburgueria ao lado do Galpão aberto. Como tinha comprado passagens de ida e volta, tinha horário marcado para pegar o ônibus no estacionamento do instituto; resolvi então aproveitar a rota dos carrinhos e passear pela mata até retornar à recepção. Pensa que foi pouca coisa que eu vi?

No caminho passei pela galeria Adriana Varejão, a Piscina de Jorge Macchi, a Viewing Machine (o imenso caleidoscópio que todo mundo acha que vai ajudar a ver mais longe – porém o objetivo é criar novas imagnes com os reflexos multiplicados dentro da obra) de Olafur Eliasson e a floresta de vigas de aço (cujo nome real é Beam Drop Inhotim) de Chris Burden, além de inúmeras espécies de plantas. Infelizmente não cheguei a ir até a parte do jardins temáticos e do Viveiro Educador, nem nas famosas galerias de Tunga e Lygia Pape, mas… Era isso ou ficar só com o café da manhã até voltar para Belo Horizonte!

Completei o circuito até voltar para a recepção e de lá fomos almoçar no Restaurante Oiticica, encerrando o passeio na lojinha do instituto (tem lembrancinhas para todos os gostos e bolsos – eu não resisti e comprei pra mim um lápis de grafite multicor que foi paixão à primeira vista). Depois era só esperar para voltar à BH e, finalmente, começar a visita por lá. Mas isso é assunto pra outro post…

O que vi lá

Através – Cildo Meirelles

Muito mais do que só um parque para ir descansar ou um museu para aprender, o Instituto Inhotim é um lugar para se apreciar, se descobrir em várias idas – e, assim como a natureza, ele muda conforme os anos. Desde sua inauguração, algumas expansões foram criadas e outras estão sendo planejadas; então não é preciso ter pressa para conhecê-lo por inteiro. Assim como na natureza e na arte, é preciso a ter paciência para amadurecer e compreender o que está ao nosso redor, além de estar disposto a enfrentar desafios para conseguir atingir nossos objetivos. O fato de haver famílias e escolas visitando um lugar como esse me faz ter um pouquinho mais de esperança na próxima geração. Estar em um ambiente tão estimulante, bonito e divertido é uma experiência única. Queria que houvesse mais lugares assim pelo país.

 

O Instituto Inhotim é daqueles lugares que a gente sente saudades antes mesmo de sair de lá, e fica com vontade de voltar o quanto antes. Fica a dica do passeio espremidinho de um dia em sua próxima passagem por Minas Gerais, para pelo menos conhecer essa maravilha de lugar.

 

Instituto Inhotim – Rua B, 20, Inhotim, Brumadinho/MG – Brasil
Funcionamento: de segunda a sexta, das 9h30 às 16h30; sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h.
Ingressos: R$44 inteira, R$22 meia entrada. Crianças até 5 anos não pagam ingresso. Às quartas-feiras a entrada é franca.
Transporte interno: R$ 28 por pessoa nas rotas determinadas. Para transporte exclusivo e pacotes de ingresso, consulte  aqui.
Informações adicionais no site oficial.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.