Um dia no Jardim Botânico do Rio de Janeiro


Você pode até nunca ter vindo ao Rio de Janeiro, mas com certeza já viu esse cenário antes. Algumas produções de cinema e tv foram rodadas aqui no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e nós fomos atrás das provas. Só para citar as mais famosas, novelas de sucesso de Manoel Carlos (como Por Amor e Laços de Família) tiveram seus capítulos finais gravados aqui.

Cena final da novela “Por Amor”, de 1997, gravada na Aleia das Palmeiras

O cinema também não ficou de fora: o longa baseado no livro O Xangô de Baker Street teve algumas cenas rodadas aqui, assim como o clássico infantil Lua de Cristal – é aqui onde a Maria, interpretada por Xuxa, descobre a escola de música (bem do lado do Lago Frei Leandro) onde pretende aprimorar seu talento e realizar o sonho de ser uma cantora famosa. O que muita gente não sabe é que o jardim é muito maior do que a  bela e altamente reconhecível Aléia Barbosa Rodrigues e dos arcos próximos ao Chafariz das Musas – um trecho muito pequeno do Arboreto, a parte do Jardim Botânico que é propriamente um jardim. Sendo assim, resolvemos desenhar um roteiro pra vocês visitarem todos os pontos mais importantes de lá – além de uma fichinha técnica interessante do “pré-jardim”.

Antes de chegar

Se está de férias no Rio, separe um dia inteiro aqui: vale a pena. Cheque as linhas de ônibus que passam em frente ao Jardim, ou terá eu andar um bom pedaço até chegar a uma das entradas. Da Central do Brasil saem linhas que vão para a Zona Sul e que passam lá (309, 109, integração com o Metrô, por exemplo). Quem for de carro ou bicicleta, atente para o horário e o trânsito.

Não esqueça de levar uma garrafinha d’água, usar roupas leves e sapatos confortáveis, protetor solar e repelente (principalmente no entardecer, os mosquitos atacam: estamos no habitat deles, então…). Se quiser levar uma sombrinha ou boné, fique à vontade: apesar das muitas árvores, há aleias em que não há proteção das sombras durante boa parte do dia.

Começando a visitação

Chegue cedo! É a melhor dica que podemos dar: quanto antes chegar, melhor. Primeiro porque o clima fica mais fresquinho, segundo porque tem menos gente – em dias de férias, mesmo nos dias de semana, o movimento é intenso. Existem duas entradas, uma na rua Pacheco Leão (para pedestres) e a outra, principal, na entrada do estacionamento da rua Jardim Botânico.

Além de ver imediatamente os prédios do Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico e da Biblioteca Barbos Rodrigues, o visitante que optar entrar pela entrada principal chegará também a uma aconchegante praça: nela encontra-se o Lago das Tartarugas e o relógio de sol, bem em frente ao centro de visitantes. Completando a paisagem, temos o Espaço Tom Jobim e um restaurante. Pouco antes da entrada, uma obra de arte belíssima: La Danse, uma escultura 3D de uma pintura de Matisse, doada ao Jardim pela artista Alice Pitaluga.

Começa o passeio

Mapa, a Fonte Wallace e as plaquinhas indicativas: que comece o passeio!

Entramos no Arboreto e já estamos na Aleia Pedro Gordilho, e de cara temos uma bela fonte Wallace (um bebedouro público, pode abastecer sua garrafinha cada vez que encontrar uma dessas lá dentro) e um mapa geral. Ali vemos que ela se ramifica direto para o coração do jardim, à direita para o recanto das mangueiras e à esquerda para o Jardim Sensorial. Foi para lá que nós seguimos. No caminho, há um banheiro para visitantes (aliás, vá anotando onde eles estão: são bem distantes um do outro, embora não seja difícil de acha-los).

*note que eles chamas as “ruas” principais de “aleias” – então o termo um tanto estranho vai ser bem comum no post e no mapa.

Jardim Sensorial e Cactário

Vista do alto: da subida para a Cascata dá para ver o Cactário

A entrada é ladeada pelas estátuas das deusas gregas Diana e Ceres, e todo o espaço foi pensado para interagir com o visitante. Tudo aqui é feto para se olhar com calma, cheirar, ouvir, tocar. A bela fonte é cercada por um labirinto de amostras de plantas, todas devidamente identificadas em braile para os deficientes visuais perceberem a maravilha da natureza. Dali chega-se facilmente ao cactário (e aqui já não é permitido mais tocar nas plantas, por motivos óbvios), uma área linda com várias espécies de cactos e o espaço de mudas de plantas também fica à disposição do visitante: são muitas as espécies ali representadas.

Cascata

A Cascata, a Fabiane Bastos e o Mirante da Imprensa: pausa para descansar depois de descer a cascata

Subimos o caminho até o alto da Cascata, um dos lugares mais fofos do jardim. Uma queda d’água não muito alta, mas que desagua em um lago redondo traz uma sensação de frescor mesmo no dia mais quente. Lá de baixo é possível ver o Mirante da Imprensa, uma espécie de coreto em meio à mata, mas desviamos nosso caminho para ver a estrela do Jardim.

Palma Filia

Palma filia, logo atrás do busto de D. João VI

Pelo nome, dá pra deduzir que ela é filha de alguma coisa, não é? Pois a bela árvore é filha da primeira palmeira imperial plantada por Dom João VI. Todas as palmeiras do Jardim são originadas da mesma muda, chamada de palma mater (palmeira mãe, digamos). Esta foi fulminada por um raio em 1972, mas suas filhas sobreviveram para embelezar o lugar. Ali perto, há um busto comemorativo ao Príncipe Regente, outro ponto de visitação. Seguimos de volta o caminho pela Aleia Custódio Serrão e demos uma paradinha num curioso espaço novo: o Jardim Bíblico.

Jardim Bíblico

Você não leu errado: em 2005 foi inaugurado o jardim onde encontram-se amostras de árvores muito comuns e citadas na bíblia: de papiro a mirra (aquela coisa que um dos Reis Magos levou de presente para Jesus e quase ninguém sabe o que é ou lembra do nome), de castanheira a oliveira, tem várias espécies ali para se conhecer.

Aleia Custódio Serrão

Abricós-de-macaco em flor

Também conhecida como a Aleia do Abricó-de-Macaco, essa via nos leva até o antigo portão principal. Mas não é apenas por ser uma via reta que nós escolhemos essa via (podíamos ter dado a volta pelo Recanto das Mangueiras, mas decidimos vir por aqui): o abricó-de-macaco é uma árvore curiosa demais para deixar de ser vista. O fruto cai como cascata pelo tronco, abrindo em uma bela (e não muito cheirosa) flor avermelhada, e deixando muita sujeira no chão. Fica lindo o tapetinho de flor, mas quando a gente pensa que essa planta fora trazida para enfeitar a antiga Avenida Central (atual Rio Branco), percebe que foi melhor mesmo tê-las deixado fora da zona urbana.

Portão principal e Aleia Cândido Batista

A aleia cruza toda a frente do Jardim Botânico, seguindo a rua de mesmo nome. Dali chega-se rapidamente ao Chafariz das musas, ao jardim japonês e tem-se uma das vistas mais bonitas do Cristo Redentor de dentro do jardim: procurando o ângulo certo,  dá pra emoldura-lo com as palmeiras imperiais. O grade portão principal funciona como saída apenas, e é uma atração à parte.

Aleia Barbosa Rodrigues

Tcharam! Olha ela aí, a Aleia das Palmeiras!

A famosíssima Aleia das Palmeiras, cartão postal do Jardim e do próprio Rio de Janeiro! Aqui fica a famosa fileira de palmeiras, que segue até o antigo portão da Academia de Belas Artes e passa pelo maravilhoso Chafariz das Musas. Se quiser tirar uma foto aqui sem ninguém por perto, venha logo para cá: por ser o lugar mais reconhecível, logo fica cheio de turistas transitando. Também, pudera! É lindo mesmo!

Chafariz das Musas

Peça central do Jardim, consiste em uma enorme estrutura de ferro fundido (que anteriormente situava-se no Largo da Lapa e foi levado para o jardim no início do século 20). Nele estão representadas quatro das nove musas gregas: Calíope, musa da poesia épica;   Érato, musa da poesia lírica; Tália, musa da comédia; e Clio, musa da História. A visão do chafariz é de tirar o fôlego – então aproveite e descanse alguns minutos ali nos banquinhos dispostos ao redor do monumento. Dali é possível ver os arcos brancos que serviram de cenário para outra cena emocionante de um capítulo final de novela.

Cena final de “Páginas da Vida” – olha eu fazendo a Nanda!

Aproveite a pausa para reidratar (não pode beber a água da fonte!) e escolher o próximo destino: por ser um ponto central, há vários caminhos a seguir. Nós optamos por dar uma volta pelos bonitos – e altamente cenográficos) arcos até o Lago Frei Leandro e as atrações próximas. Mas, antes de partir, demos uma paradinha no monumento a Tom Jobim: o parque será sempre associado ao compositor e poeta, pois este era um dos seus lugares favoritos.

Cômoro e Busto de Frei Leandro

 

Busto de Frei Leandro dentro do Cômoro

Em um pequeno montículo criado com a terra retirada para a criação do lago que levaria seu nome, o tal Frei Leandro (primeiro administrador do Jardim) mandou construir uma pequena “Casa de Cedro” e, mais tarde, ali foi colocado um busto em sua homenagem. Ali ao lado há a mesa do imperador: com vista para o chafariz central e o Cristo ao fundo, era ali que ele gostava de fazer um lanchinho de vez em quando. Uma vida difícil, não?

Lago Frei Leandro

Bem pertinho fica o lago, também chamado de Lago da Vitória-Régia. O belo espelho d’água, abençoado pela deusa Tétis, rende belíssimas fotos. Exemplares das impressionantes plantas aquáticas mostram todo o esplendor de seu diâmetro, e carpas nadam tranquilamente pelas águas tranquilas. Nos arredores, há uma fonte Wallace pronta para reabastecer os visitantes. Dali já podemos ver nosso próximo ponto de visitação.

Gruta Karl Glasl

Dá para andar lá dentro!

O nome é difícil mas o lugar é lindo: imagine um pequeno labirinto de pedra, feito para deixar plantas crescerem à sua sombra? Perfeito para fotos bonitas, especialmente nas “janelas” criadas pela disposição das alas. Costuma ser bastante cheio por ali, portanto tenha paciência para conseguir sua recordação especial.

Espaço de Clarice

Imagine um lugar bonito e silencioso, uma brisa fresca e um banquinho de madeira para você sentar e relaxar um pouco. Esse é o espaço de Clarice, que ganhou esse nome por ter inscrições da autora Clarice Lispector nos bancos – cada verso mais bonito que o outro. Inaugurado em 2012, pode ser um ponto de alívio na caminhada sob o sol forte ou um ótimo local para reunir os amigos para uma conversa (piqueniques são permitidos em apenas uma parte do Jardim, ok? Já chegaremos lá).

Museu Casa do Pilão

Museu funciona na antiga Casa de Pólvora

Antigamente era onde se compactava a pólvora usada pelo exército brasileiro para defender seu território. Parte da Real Fábrica de Pólvora (a outra parte foi transformada na área de visitantes dentro do Arboreto), foi desativada e chegou a virar residência antes de ser anexada ao Jardim Botânico. Hoje funciona como um museu, com escavações, maquete explicativa do perigoso funcionamento da fábrica e objetos encontrados no local trazem a história até nós.

Jardim Mexicano

Ao sair da Casa do Pilão, vire à esquerda: O Jardim Mexicano é caminho para o Orquidário

No caminho até outra joia do Jardim Botânico, passamos pelo Jardim Mexicano (tem até uma estátua de inspiração maia!): exótico, foi criado em 1930 como forma de estreitar laços com o México. Como curiosidade, algumas dessas plantas eram usadas no país de origem para produzir papel (!), cachaça (!!) e inseticida (!!!).

Orquidário e Bromeliário

Essa é a entrada do Orquidário

O primeiro orquidário (estufa específica para orquídeas) foi inaugurado em 1890, mas sua atual configuração consta das reformas de 1950. Abriga hoje cerca de 3 mil espécimes de 600 tipos de orquídeas, desde nacionais a internacionais e híbridos. A estrutura octogonal facilita o passeio, e os visitantes conseguem circular tranquilamente sem muitos esbarrões: todo mundo vê tudo, basta seguir o caminho. De plantas maiores a menores, tem exemplares de todas as cores.

De curiosidade, dá para dizer que é legal descobrir que a baunilha que faz o seu sorvete é extraída de uma orquídea (o cheiro é inconfundível). O Brasil é o país com mais espécies de orquídeas do mundo, seguido por Colômbia e Equador. Outra coisa bacana é ver que os visitantes usam o poço que circunda o mostruário central para jogar moedas, com uma fonte dos desejos. Não sei se dá certo, mas… Não custa tentar.

O Bromeliário

O Bromeliário segue o mesmo princípio: especializado em bromélias, que precisam de um clima mais úmido para florescer, fica a alguns minutos de caminhada dali. As flores são chamativas, bastante volumosas e quase sempre com um peculiar formato que me lembrou uma estrela. Há cerca de 500 espécies catalogadas e cultivadas ali, de vários tamanhos e formas. Mas um cheiro delicioso vai atrair os visitantes: o abacaxi, uma bromélia comestível bem conhecida, chama a atenção no meio de tantas belezinhas.

E foi ali que o estômago roncou. Já havíamos passado umas boas horas rodando o Arboreto e não fizemos uma parada para comer. Só nos restava uma opção: procurar a área do parque onde é permitido fazer lanches e piqueniques: a antiga Casa de Pólvora.

Mas antes

Coleção de Plantas Medicinais: um agradável tropeço no caminho.

Esbarramos na Coleção de Plantas Medicinais do Jardim Botânico. Depois de nos deparar com enormes bambus (gravados com juras de amor – ou só um “fulano esteve aqui”), vemos uma pequena casa, rodeada de plantas – muitas comuns em qualquer quintal – e várias plaquinhas explicando qual doença ou sintoma ela ajuda a curar (ou minimizar efeitos). De doença respiratórias ao trato gástrico, tem até alguns exemplos de misturas – mas devo confessar que eu fiquei mesmo decepcionada por não haver uma passagem interna para o pátio de lanche. Desculpem, fico meio ranzinza quando tenho fome.

Portal e Ruínas da Casa de Pólvora

Não vou te enganar: eu já estava mortinha da Silva quando cheguei lá. O que me animou? Um grupo de macacos-prego estava fazendo uma algazarra nas árvores logo na entrada, alvoroçados com a comida. Novo lembrete: não alimente os animais que encontrar, nem mesmo com frutas. Eles tem tudo o que precisam na mata onde vivem, ok?

Mas nós precisávamos de algo mais substancial que só água e biscoitinho no nosso estômago (e não tínhamos comido nada desde o café-da-manhã). Há uma pequena lanchonete no local, e como é de se imaginar, está sempre cheia. Oferecem sanduíches e salgados, bolos, sucos, refrigerantes e guloseimas – todos para serem consumidos naquele local. Os preços são um pouco carinhos, mas eu recomendo expressamente o delicioso picolé de tangerina vendido lá: num dia de calor intenso, renovou minhas energias. E cuidado com os pequenos ladrõezinhos de comida: saguis vem comer muito perto, mas se der bobeira, vem uma família inteira pra cima de você – e outra família inteira de macacos-prego pra roubar a comida deles, que são bem menores.

Ali também tem uma área para os pequenos brincarem. É comum ver babás com crianças ou aniversários nas mesas de piquenique: a área costuma ficar bem lotada nos horários de pico de almoço, então vá preparado para não se estressar. Nessa nossa visita, por causa do horário mais tardio e por ser dia de semana, não estava cheio – embora o movimento fosse surpreendente para um dia normal. Aproveite para reaplicar o repelente antes de voltar à atividade.

Pensa que acabou? Calma, que ainda tem muito mais! Começa, então, a saga do trecho final.

*Missão Jardim Japonês*

O verdade é que não se deve deixar de visitar o trecho do Jardim Botânico que considero o mais bonito: o jardim de influência japonesa fica próximo da Rua Jardim Botânico, então pegamos o rumo mais ou menos naquela direção. Porém ali não há aleias retas que nos levem até lá, então nos perdemos um pouco. Nem reclamamos (mentira, reclamamos sim porque estávamos cansadas da longa visita, mas a vista recompensa). Então aproveitamos que estávamos a esmo e caçamos alguns monumentos até chegarmos no caminho certo.

Portal da Real Academia de Belas Artes

Situado no final da Aleia Barbosa Rodrigues (a das palmeiras, que cruza o Chafariz das Musas), é a única parte do prédio que um dia sediou a escola de Belas Artes do Império. Imponente e ainda belo, é apenas uma amostra do que um dia foi: além do portão, restam apenas aquarelas sobre o lugar. Agora imaginem ter aulas de belas artes num lugar como esse?

Bosque das Nações

Sabendo que precisávamos margear o jardim para chegar ao nosso almejado destino, fomos andando no meio termo: nem seguimos pelo caminho externo mais longo, nem adentramos demais no jardim. Assim, chegamos ao Bosque das Nações, criado durante a Eco-92 (evento internacional sediado no Rio de Janeiro que buscava soluções para o meio ambiente): chefes de Estado e diplomatas do mundo inteiro vieram plantar mudas como um sinal simbólico de comprometimento com o planeta.

Chafariz das Marrecas

Réplica em ferro das estátuas de Narciso (esquerda) e Eco (direita), esculpidas por Mestre Valentim

Com esculturas de Narciso, o personagem que morreu por se apaixonar pelo próprio reflexo, e Eco, a ninfa tagarela castigada e condenada a somente repetir as últimas palavras que ouvisse, a impossível história de amor desses dois personagens clássicos está imortalizada por Mestre Valentim – um dos principais artistas brasileiros do período colonial. Há um outro memorial dele ali perto, sendo essas esculturas que encontramos uma réplica em ferro do trabalho. Bem à nossa frente, uma encruzilhada: Aleia das andirobas (Karl Gasl) ou a do pau mulato (Campos Porto)? Sempre achando que por fora iríamos chegar lá, seguimos pela pau mulato.

Aleia Campos Porto

As curiosas árvores de nome esquisito são muito bonitas

O nome estranho da árvore que dá o apelido dessa aleia refere-se à cor intensa e amarronzada, que é muito bonita e brilhante – realmente diferente de tudo o que já tinha visto antes. Uma vez por ano, ela perde a casca e expõe o tronco liso e de brilho sedoso, como se revestido por um couro escuro. Alta e imponente, originária da Amazônia, é difícil de reproduzir – por isso é tão impressionante ver a abundância dela em um mesmo lugar. Tente não ficar fascinado por essa maravilha.

O caminho foi lindo, ainda mais porque cheguei à Região Amazônica – com árvores de porte realmente impressionantes – e ao Lago do Pescador (trecho interditado para reforma), mas seria melhor ter seguido a Aleia das Andirobas. Então, essa é a melhor dica que posso dar.

Jardim Japonês

Completamente esgotada. Foi assim que cheguei ao meu lugar favorito do parque. A essa altura já era quase 17h, e o Jardim já ia fechar. Então decidi relaxar e aproveitar, mas até as muitas carpas que existem no pacífico laguinho pareciam estar com preguiça. Então, sem forças pra mais nada, apenas sentei no lindo gazebo e esperei ter forças para andar de novo. E como foi bom! A cascata de água deixa um barulhinho calmante – pena que logo depois veio um funcionário desligar o motor! – e uma leve brisa chegou até nós, completando aquele cenário perfeito. Aproveitamos até o último segundo, e então fomos para a saída da rua Pacheco Leão – a entrada lateral do Jardim.

Meu cantinho favorito!

No fim, o dia foi cansativo porém plenamente gratificante. Sabemos que ficamos devendo muita coisa – os ambientes externos, principalmente – e mais algumas atrações internas como o Memorial Mestre Valentim, a Estufa de Insetívoras, a Coleção de Palmeiras, o Memorial Chico Mendes, o Caminho da Mata Atlântica… Mas isso é só uma prova de que o Jardim Botânico é muito mais do que só a Aleia das Palmeias ou o Chafariz das Musas. Se não quiser gastar tanto tempo em um só lugar, organize-se e estude o mapa com atenção para traçar rotas mais assertivas e colocar o máximo de atrações em um só roteiro.

Mas, cá entre nós, eu recomendo mesmo é fazer várias visitas e descobrir sempre um lugar novo, onde nunca esteve antes. Dependendo da época do ano, diferentes áreas do jardim estão em flor e ficam ainda mais bonitas. Eu já tenho em mente o que falta ver e na próxima oportunidade, vou lá primeiro antes de revisitar meus locais favoritos. Espero ter ajudado, com meu relato, a você montar o seu próprio roteiro pessoal. O que posso garantir é que adorei o meu dia em meio à natureza, e que as novelas foram só uma desculpa para voltar lá – e sempre vou arrumar outras desculpas para revisitar. Agora entendo porque Clarice e Tom gostavam tanto de andar por lá.

Jardim Botânico do Rio de Janeiro – Rua Jardim Botânico, 1008.
Visitação de segunda, de 12h às 17h. De terça a domingo, das 8h às 17h. Horários especiais para o Carnaval, acesse aqui para descobrir.
Ingressos: R$15 reais a inteira – somente dinheiro. Estudantes (matriculados), pessoas com deficiência, maiores de 60 anos e jovens de até 21 anos (com comprovante) e crianças pagam meia entrada. Crianças até 5 anos não pagam.
Mais informações no site.

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About Geisy Almeida

Formada em Fotografia, fã de boas estórias que sejam bem contadas - não importa se em forma de livro, filme, novela ou bate-papo. Curiosa e interessada em muitos assuntos, às vezes viajo na maionese.